Os times e as marcas

March 28th, 2009

O patrocínio de clubes de futebol é um tema bastante controverso, mas é inegável que é um meio eficiente para fortalecimento de marcas. A grande diferença da exposição de marca em uniformes aos meios de mídia mais convencionais é a existência de um componente intangível, típico do mundo do futebol: a paixão dos torcedores.

Eu não tenho dúvidas que esse poderia ser um excelente ambiente para marcas criarem maior intimidade com os consumidores e aumentarem suas vendas ou prosperarem em seus outros objetivos. Eu não tenho conhecimento de projetos mais audaciosos de ativação das marcas com os torcedores. A relação entre marcas e times fica estabelecida apenas do ponto de vista exposição visual – e é isso. Não há – por exemplo – nenhum componente variável, de participação em resultados das vendas por parte dos clubes.

Talvez isso ocorra pelo medo da rejeição, da rivalidade que existe no futebol. Uma outra explicação que me ocorre é o nítido amadorismo que impera entre os dirigentes de clubes de futebol, que envolve inclusive as questões fiscais.

Ainda assim, muitas marcas já são bastante tradicionais nesse ambiente. A Petrobrás tem uma relação de mais de 25 anos com o Flamengo, a Unimed tem 10 anos com o Fluminense e a LG está há 8 com o São Paulo.

Se para os patrocinadores os resultados são positivos, esse também é um incremento financeiro considerável para os clubes. Estima-se que a verba de patrocínio já represente aproximadamente 12% do faturamento anual de clubes brasileiros. Há estudos que indicam que esse percentual possa chegar ao dobro disso, mas obviamente seria necessário evoluir muito na estratégia de envolvimento entre as marcas e os torcedores / consumidores.

Em resumo, os principais projetos de patrocínio do Brasil atualmente:

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Flamengo e Petrobras: o patrocínio mais antigo do futebol brasileiro e possivelmente do mundo. Já se vão mais de 25 anos de parceria entre o time mais popular do mundo e a Petrobras. O Flamengo é o exemplo da má administração. Por seu estado caótico de (indi)gestão financeira, o clube vem enfrentando problemas de recebimento de sua verba da estatal (aproximadamente R$1,3MM mensais) – que exige uma certidão negativa de débitos. Para piorar, o contrato de 2009 ainda não foi assinado e o time continua usando a marca em seu uniforme, enquanto o patrocinador avisa que não pagará por esses meses e os jogadores ficam com salário atrasado indefinidamente. Típico.

Fluminense e Unimed: inspirado na parceria entre Palmeiras e Parmalat, a Unimed contrata jogadores para o clube e influencia diretamente na gestão do time. Para muitos, o presidente da Unimed Celso Barros tem mais poder do que o presidente do Fluminense Roberto Horcades. Já se vão 10 anos de parceria, muitos milhões de investimento em exposição de marca e em contratação de jogadores e apenas 3 títulos (Série C do Brasileirão 99, Estadual 05 e Copa do Brasil 07). Ninguém sabe ao certo quanto a Unimed investe no clube. Já ouvi falar em mais de R$16milhões. Modelo arriscado, de altíssima dependência.

Botafogo e Liquigas: 2 anos de parceria, muito chororô, confusões nos bastidores e nenhum título. Esse é o resumo do Botafogo para o seu atual patrocinador. O Botafogo é possivelmente um dos times com menor rejeição no RJ (talvez isso aconteça porque também a 4a torcida). O objetivo do patrocinador era fazer com que a marca ficasse mais conhecida, principalmente no Rio de Janeiro. São investidos aproximadamente R$8 milhões por ano, que é o que custariam aproximadamente dois bons flights de campanha em TV aberta. Será que vale? Eu até acho que sim.

Vasco e Habib’s: o Vasco vive um momento de mudanças. Se antes a presença de Eurico Miranda afastava bons patrocinadores (ou projetos de mais longo prazo), a fase agora é mais complicada, já que a equipe vai jogar pela primeira vez em sua história a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. O patrocinador presente nas mangas do uniforme é a rede de fast food  Habib’s e o contrato vale 3,6MM por ano. Fala-se que o Vasco irá assinar um contrato de 3 anos com a Eletrobrás por um valor fixo de R$14MM/ano. Boa, Dinamite!

Palmeiras e Samsung: o Palmeiras tem uma história de sucesso com patrocínios do seu uniforme. O case “Parmalat” no começo dos anos 90 foi um dos maiores exemplos de como uma marca pode influenciar na construção de um time competitivo e “ganhar uma torcida”. Mas nem sempre é assim. Ano passado foi a Fiat e há pouco tempo o alviverde fechou acordo com a Samsung (que já esteve presente no uniforme do arqui-rival Corinthians). Falando nisso, vocês já viram que horror ficou a marca da Samsung? 54M5UN6. Can you fuckin believe this? Para piorar a infâmia com os números, ainda botaram uma elipse horrível e uma tipologia que simplesmente não dá para ler. Bizarro. 

Santos e Semp Toshiba: eu estive envolvido na assinatura desse acordo, quando ainda trabalhava na Talent. Dos grandes times brasileiros, o Santos é o time com menor rejeição. Naquela época, o Santos estava disputando tudo que é campeonato e aparecia com enorme frequência na mídia. Foi um excelente negócio para a Semp Toshiba, que (infelizmente) com o passar dos anos vem sistematicamente deixando de investir em comunicação. O valor atual do patrocínio gira em torno de R$8,5MM.

São Paulo e LG: um casamento de longa data. Gostos à parte, o São Paulo definitivamente é uma das maiores referências de como um clube pode ser profissional em todas as suas atividades. Na esfera desportiva a equipe está sempre disputando títulos enquanto ocorre um trabalho sério na sua área de Marketing, que entre diversas ações de captação de novos torcedores, gerencia um patrocínio com a LG já dura mais de 8 anos e rende aproximadamente $16,5milhões anuais aos cofres são paulinos.

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Corinthians e Batavo: o clube mais popular de São Paulo, o segundo clube mais popular do Brasil vem descobrindo o poder do Marketing nos últimos anos. Essa descoberta veio em um dos piores momentos da história, na queda para a série B do campeonato Brasileiro. A torcida apoiou e a diretoria usou e abusou da paixão da fiel, inclusive assinando contrato com a Medial por uma verba bem alta ($16,5MM). O ápice veio com a contratação do Ronaldo, trazendo os holofotes do mundo inteiro para o Parque São Jorge. No jogo contra o Palmeiras, que marcou a estréia de Ronaldo, a camisa e o calção foram loteados com diversas marcas (VISA, Panasonic e Meias Lupo). Um verdadeiro horror para as marcas (mas a grana para o clube deve ter sido muito boa). Mas pouco mais de duas semanas depois, o Corinthians fechou acordo de R$18MM com a Batavo, que já esteve presente no uniforme há alguns anos atrás – e estabeleceu o maior patrocínio do futebol brasileiro. 

Internacional e Grêmio/RS e os seus patrocinadores gaúchos: apontados como os times de maior rivalidade do Brasil, costumam ter os mesmos patrocinadores em suas camisas. Tudo justamente por conta dessa rivalidade. Empresas gaúchas não correm o risco de ter rejeição na metade dos seus inflamados consumidores. Renner, Banrisul e Tramontina revezam-se como patrocinadores das duas equipes. Atualmente o Banrisul investe aproximadamente $3,6MM anuais em cada time. Muito pouco.

I’ll Be Back!!

March 25th, 2009

As férias do Bullshitando estão acabando.
Eu não “bullshito” por aqui desde 31 de agosto de 2008. 205 dias.
Caceta!
Ahhh…acho que está na hora de dar as caras novamente!
I’ll be back soon!!
[s], Penna.

Qual é o preço da amizade?

August 31st, 2008

A resposta óbvia é: não tem preço. Mas eu diria um pouco mais…

Uma amizade verdadeira é o significado do que nós somos, é a nossa própria existência. Não sei muito bem se existe uma profundidade ou mesmo um grau de confiança necessário para conquistar uma amizade, mas sei que os amigos reais são ligados por uma espécie de cumplicidade muito profunda, meio difícil de explicar em palavras.

Na quinta-feira passada fui jantar com um dos meus maiores amigos, que infelizmente eu não via há muito tempo. Além de contarmos as principais novidades dos últimos tempos, nós também rimos das mesmas histórias de sempre e falamos sobre os mesmos assuntos (Flamengo, Rio de Janeiro, escola, ex-namoradas, viagens, festas, shows, etc) tudo com o mesmo empenho e brilho.

O meu amigo gosta de mim pelo que realmente sou e não pelo que eu me tornei. Ele me conhece muito bem. Acho que me conhece melhor do que eu mesmo. Em tantos anos, eu nunca precisei provar nada para ele e sempre tive o máximo da sua admiração.

Decidimos que vamos virar o ano de 2008 juntos, com nossas mulheres e filhas e com mais um casal de amigos. Falamos em viajar para Nova Iorque ou Buenos Aires e concluímos que seria mais legal alugarmos uma casa em Búzios.

No final das contas, nós não sabemos ainda aonde iremos, mas já decidimos que estamos dispostos a qualquer sacrifício para que o ano de 2009 comece da mesma forma para todos nós.

O verdadeiro ministério de Gil

August 30th, 2008

Hoje assisti a entrevista do Gilberto Gil para a Marília Gabriela no GNT.

Sempre achei Gil um verdadeiro gênio da raça. Sempre admirei a sua infinita capacidade como letrista, compositor e também como intérprete e músico.

Lembro de um show, há vários anos atrás, quando ele botou o Stevie Wonder no bolso, durante o Free Jazz. Eu tinha ido com uma expectativa gigante por esse show, mas o que eu vi foi uma performance inesquecível do Gil e sua banda fabulosa, com Artur Maia no baixo e Robertinho Silva na bateria.

Gil sempre foi cativante, carismático. Ele sempre foi um cara que esteve à frente do seu tempo, tendo encantado diversas gerações. Talvez ele realmente tenha sido o maior de todos os artistas da MPB de todos os tempos. Maior que Chico, Caetano, Milton, Djavan, entre outros.

O seu grande pecado foi virar ministro.

Não dá para dizer que ele tenha perdido tempo, porque infelizmente nada de novo aconteceu nesses últimos 5 ou 6 anos na música brasileira.

Mas particularmente, eu não acho que ele tenha emprestado tanto talento no campo político desse (des)governo que vivemos. Continuo achando que o país não valoriza tanto a sua cultura, a sua produção – e Gil não foi capaz de mudar esse cenário. Mas não sei se esse desafio cabe para algum ser humano, principalmente no governo Lula.

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Gil voltou – e aos 66 anos – mostra apetite de menino lançando um disco novo, todo disponível para download gratuito e também com faixas para creative commons.

A entrevista foi fantástica, apesar da evidente esquiva de um político Gil – quando perguntado sobre eventuais críticas ao governo. Ele manteve a elegância e preferiu concentrar seus pensamentos e suas músicas sobre outros temas mais inspiradores.

Marília Gabriela insinuou que gostaria de ouvi-lo sobre temas ásperos, como a sua visão sobre a morte. Gil disse que esse não era um tema áspero. Esse era um tema corriqueiro para ele, que via a coisa com naturalidade e com tranqüilidade. Ele sabe que sua vida já está mais para o fim – e ainda assim lida com a questão de uma forma muito verdadeira, sem buscar desvios ou mesmo sem se enganar.

Gil escreveu uma música sobre o assunto. É a faixa de abertura desse novo disco (que ainda não ouvi). Também não conhecia a música e ouvi pela primeira vez nessa entrevista. A letra é singela e comovente.

“Não Tenho Medo da Morte”

Não tenho medo da morte, mas sim medo de morrer
- Qual seria a diferença? – você há de perguntar
É que a morte já é depois que eu deixar de respirar
Morrer ainda é aqui na vida, no sol, no ar
Ainda pode haver dor ou vontade de mijar.

A morte já é depois já não haverá ninguém
Como eu aqui agora pensando sobre o além
Já não haverá o além o além já será então
Não terei pé nem cabeça nem figado, nem pulmão
Como poderei ter medo se não terei coração?

Não tenho medo da morte, mas medo de morrer, sim.
A morte e depois de mim
Mas quem vai morrer sou eu o derradeiro ato meu
E eu terei de estar presente assim como um presidente dando posse ao sucessor
Terei que morrer vivendo sabendo que já me vou

Então nesse instante sim sofrerei quem sabe um choque
Um piripaque, ou um baque, um calafrio ou um toque
Coisas naturais da vida como comer, caminhar
Morrer de morte matada. Morrer de morte morrida.
Quem sabe eu sinta saudade, como em qualquer despedida.

O melhor da Blockbuster

August 20th, 2008

Estou de molho em casa sem poder sair por causa de uma operação de nariz e garganta que fiz na sexta-feira passada.

Aproveito para botar em dia o meu lado cinéfilo com idas diárias à Blockbuster. São 3 filmes por dia, interrompidos por antibióticos e anti-inflamatórios.

Dessa leva, dois filmes me chamaram muito a atenção: “Into the Wild” e “Once”.

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Baseado no livro de John Krakauer, “Into The Wild” conta a história (real) de Chris McCandless que, cheio de problemas em casa e recém formado na escola com honras, resolve largar absolutamente tudo em nome da liberdade. Ele doa todo o seu dinheiro, picota seus cartões, queima seu Social Security Number, resolve adotar outro nome, queima suas últimas notas de dólares e larga o seu carro no meio do deserto e some sem deixar nenhuma informação.

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Alex Supertramp (seu novo nome) resolve cruzar os Estados Unidos em direção ao Alaska selvagem.

Aqui cabe uma menção honrosa ao excelente trabalho do diretor. “Into The Wild” poderia ser perfeitamente uma aventura típica de Sessão da Tarde, se Sean Penn resolvesse usar os habituais clichés do cinema americano.

Mas não é nada disso.

O filme é de uma beleza irritante, de uma pureza e de uma sinceridade, que simplesmente não há como não ser pego pelo ideal de liberdade idealizado e vivido por “Alex Supertramp”, mesmo que esse ideal tenha o seu preço.

O sonho da liberdade está ao alcance de qualquer um, basta ter iniciativa.

A grande conclusão (sem estragar o final, para quem não viu ainda) é, que mais do que a conquista da liberdade, o que realmente importa é “compartilhar”.

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“Once” está em outro ângulo, bem diferente – em termos de fotografia e até mesmo de história. Ainda assim, também mexeu com sentimentos parecidos de “Into The Wild”.

Filmado na Irlanda, é um filme escuro e melancólico. Conta uma história super simples de um cantor de folk de rua, que conhece uma vendedora de flores tcheca – e juntos acabam gravando um punhado de canções divinas.

Por vezes, o filme derrapa um pouco na fórmula “The Commitments”. Mas há algo mais do que os clipes que inevitavelmente estão lá.

Apesar de não ser uma história totalmente verídica, “Once” é um filme muito verdadeiro. Os protagonistas Glen Hansard e Marketa Irglova realmente existem. O filme é uma versão romanceada da vida de ambos. Glen é o líder da excelente banda “The Frames”. Marketa Irglova é uma pianista independente, que conheceu Glen em um show e juntos compuseram várias músicas, que entraram na trilha de Once. A mais relevante é a linda “Falling Slowly”, que ganhou o Oscar de 2008.

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Por toda sutileza da história, por toda a preocupação em não construir uma historinha de final feliz, e – no meio de muitas canções lindas – “Once” deixa uma mensagem bacana da importância em viver o momento.

Tudo pode parecer impossível e imprevisível. Mesmo quando não há um horizonte muito claro, quando não há perspectivas, ainda assim há a chance de você escrever um capítulo da sua história.

Isso vale pra qualquer um…

Na Irlanda, no Alaska ou no Brasil, não importa a idade e o que você faça da sua vida. Não importam as suas certezas. Um sonho precisa ser vivido.

A seleção canarinho e mais um miquinho!

August 19th, 2008

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Já escrevi sobre isso aqui no Bullshitando – e hoje o assunto fica mais evidente depois da derrota vexatória que tomamos da Argentina na semifinal olímpica, em Pequim.

A Seleção Brasileira é a VERGONHA nacional. É a nossa querida seleção canarinho, pagando o seu mais novo “miquinho” (veja o post anterior aqui).

Como tem ocorrido nos últimos tempos, o Brasil entrou em campo para se defender – sem qualquer tipo de jogada ou de proposta criativa.

E na verdade, tem sido assim desde o fracasso da Copa da Alemanha. A tal renovação proposta por Dunga não funcionou – e a Seleção simplesmente não aconteceu, porque não temos qualquer padrão de jogo.

Considerando que tivemos um hiato, na Copa America, quando detonamos a Argentina no jogo final, os últimos 2 anos têm sido cruéis com os torcedores brasileiros. O nosso orgulho está ferido e precisamos tratar de nos levantar imediatamente para a próxima Copa (e antes disso, para as Eliminatórias, já que estamos na quinta colocação).

Outro mito que também caiu foi a simpatia.

Já no jogo anterior a este, o estádio inteiro já torcia pelo limitado e incrivelmente botinudo time de Camarões. Hoje ficou claríssma essa mudança. O mundo inteiro ouviu a torcida chinesa apoiando a Argentina e o talentoso Lionel Messi.

A Seleção Brasileira ficou mascarada, limitada e sem qualquer traço de carisma. Nós estamos parecendo com o Uruguai.

 

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Nesse jogo de hoje, foi engraçado (e trágico) ver os jogadores da Seleção Brasileira sendo expulsos por terem feito faltas desclassificantes no brucutu-mor, o horrorendo Mascherano. Além de todos os problemas, hoje chegamos a riscar a nossa dignidade e o espírito esportivo.

Que essa derrota seja emblemática no sentido de mudanças maiores na organização do nosso time nacional.

Fora Dunga! Fora Ricardo Teixeira!

Para finalizar, outro assunto que eu também já escrevi.

A verdadeira seleção Brasileira de futebol é a FEMININA.

Agora nós iremos disputar a final contra as americanas (atuais campeãs), depois de termos vencido um jogo incrível contra a Alemanha, quando botamos 4 a 1 no placar (e ainda ficou barato).

O bacana do futebol feminino é que não jogamos com nome ou com uma falsa hegemonia. Nós temos jogadoras dedicadas e talentosas querendo muito a vitória. E assim elas mostram ao mundo o real futebol brasileiro.

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O exemplo de Marta e Christiane precisa ser seguido pelos homens. Elas simplesmente não desistem de nenhuma jogada e estão sempre tentando dar beleza e objetividade nas jogadas. E, mais importante que tudo isso: elas jogam para o time.

Não dá para definir prognósticos para uma final. Tudo pode acontecer, mas se houver justiça, a Seleção feminina vai dar a tal medalha de ouro que o futebol brasileiro tanto sonha, porque essa sim é a verdadeira Seleção Brasileira de futebol.

The Best Of Sixties

August 10th, 2008

Quais foram as melhores músicas dos anos 60?

A década de 60 foi extremamente rica. A juventude mundial esteve envolvida em fenômenos sociais e culturais que acabaram gerando um incrível legado musical. A guerra do Vietnã, Watergate, Martin Luther King e Malcom X, capitalismo X socialismo, o homem na lua, os hippies, o britpop (e a invasão inglesa), o festival de Woodstock, foi muita coisa em apenas uma década – que eu gostaria muito de ter vivido.

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Não sou especialista no assunto, mas pensando um pouco sobre o que aconteceu nesse momento, fiquei inspirado em montar uma lista com as 30 melhores músicas dessa década.

Uma única regra: não repeti o autor, principalmente em uma década que foi o apogeu dos Beatles.

Ahhh…e para quem não conhece as minhas listas, não há qualquer ordem.

1. “Mrs. Robinson” (1968) – Simon & Garfunkel
2. Break On Through” (1967) – The Doors
3. I Left My Heart On San Francisco”Tony Bennett
4. What A Wonderful World” (1968) – Louis Armstrong
5. I Say A Little Prayer” (1968) – Aretha Franklin
6. Pretty Woman” (1964) – Roy Orbinson
7. You’ve Lost That Loving Feeling” (1965) – Righteous Brothers
8. How Deep Is Your Love” (1967) – The Bee Gees
9. Can’t Help Falling In Love With You” (1961) – Elvis Presley
10. California Dreamin’” (1966) – The Mamas & The Papas
11. Blowin’ In The Wind” (1963) – Bob Dylan
12. Georgia On My Mind” (1960) – Ray Charles
13. She Loves You” (1963) – The Beatles
14. Born To Be Wild” (1968) – Steppenwolf
15. Fortunate Son” (1969) – Creedence Clearwater Revival
16. Son of a Preacher Man” (1968) – Dusty Springfield
17. Little Wing” (1967) – Jimi Hendrix
18. “Gimme Shelter” (1969) – The Rolling Stones
19. Don’t Let Me Be Misunderstood” (1965) – The Animals
20. Ring Of Fire” (1963) – Johnny Cash
21) I Heard It Through The Grapevine” (1968) – Marvin Gaye
22) Good Vibrations” (1966) – The Beach Boys
23) Psycho” (1965) – The Sonics
24) Stand By Me” (1961) – Ben E. King
25) Everyday People” (1969) – Sly & the Family Stone
26) You Really Got Me” (1964) – The Kinks
27) I Feel Good” (1965) – James Brown
28) Misirlou” (1963) – Dick Dale & The Del-Tones
29) Raindrops Keep Falling On My Head” (1969) – B.J.Thomas
30) My Generation” (1965) – The Who

Na semana que vem eu posto as 30 melhores dos anos 70 – outra década bem interessante.

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Johnny Cash

Sonhos

August 9th, 2008

Os sonhos são engraçados.

Foi por causa de um DVD do RPM que na semana passada eu acabei por me tele-transportar para o ano de 1985.

Com incrível nitidez, lembrei de alguns momentos maravilhosos do início da minha adolescência. Durante oito horas eu estive em contato com pessoas que eu nunca mais vi e com algumas outras que continuam fazendo parte da minha vida até hoje – e confesso que senti muitas saudades daquele tempo dourado.

Lembrei daquela sensação quixotesca em acreditar que tudo era possível, bastava ter uma banda de rock e um pouco de coragem. Lembrei dos meus primeiros shows, do baixo muito pesado e das meninas que a princípio pareciam impossíveis de serem conquistadas mas que estavam todas ali na garagem da casa da Tia Joana babando nos nossos shows.

A verdade é que ser um rockstar, mesmo que por alguns quarteirões, era algo inacreditável.

Lembro do dia em que eu estava em uma festa e tinha uma rodinha com uns caras tocando violão. Aí, de repente, tocaram uma música minha, mas eu simplesmente não conhecia aquelas pessoas.

Lembro de um outro dia em que eu estava atravessando uma rua e um negão que eu também nunca tinha visto gritou do outro lado:

-Fala aê Penna!! Graaaaaaaaaande baixista…!!

Acho que esses foram os meus dois momentos mais próximos da glória e que acenderam de forma cristalina na minha lembrança há algumas noites atrás.

O tal DVD do RPM mostra algumas cenas do Mixto Quente, que era um show organizado pela Rede Globo no verão de 85. Era um evento no meio da tarde. Tiveram 3 ou 4 edições, sempre na Praia do Pepino em São Conrado. Eu não deixava de ir nesses shows, que eram gratuitos e sempre muito animados.

O Rio de Janeiro era totalmente viável a bordo de um ônibus circular. Não havia nenhum grande risco e as pessoas estavam todas em uma vibração espetacular naquele verão. As coisas simplesmente davam certo ao meu redor.

O meu time era o melhor do mundo, o rock era a música que TODO MUNDO ouvia e eu vivia cercado de mais de duas dúzias de amigos inseparáveis e de algumas eventuais novas namoradas. O que mais eu poderia querer da vida?

Eu só queria crescer.

Enquanto isso, no meu iPod 3

July 27th, 2008

Scars On Broadway

Uma das bandas que eu mais fiquei chateado de não ter visto ao vivo foi o System Of A Down, que acabou há cerca de 3 anos.

Ainda que eles tenham deixado excelentes álbuns (que eu continuo ouvindo até hoje), ficava sempre aquela sensação de que aquela química não voltará a acontecer. Eu disse: FICAVA.

No ano passado o vocalista Serj Tankian lançou o excelente “Elect The Dead”, que logo ficou entre os meus discos preferidos de 2007.

E quando eu menos esperava, surge mais fruto ainda melhor do System Of A Down, chamado “Scars On Broadway”. É o novo projeto do guitarrista Daron Malakian, que mostra claramente a sua grande contribuição no System Of A Down, com melodias fantásticas e letras inteligentes.

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É raro acontecer isso, mas no final das contas, o System Of A Down deu ao mundo dois novos caminhos tão bons quanto o original. Atualmente o Scars é a minha banda preferida e – de longe – é o melhor lançamento de 2008.

Ouça: “Insane”, “Serious” e a ótima “World Long Gone”. Separei o vídeo de “They Say”, que é a (excelente) música de trabalho. É o rrrrrrrrrrrrrock, meninada…é o rrrrrrrrrrrrrock!!!

<a href="http://youtube.com/watch?v=kBqsZKE0wuk">http://youtube.com/watch?v=kBqsZKE0wuk</a>

The Wombats
Liverpool é conhecida por ter pubs a cada esquina e por lançar novas e boas bandas quase que semanalmente.

OK, ok…talvez eu tenha exagerado na primeira parte dessa afirmação. Mas é impressionante a quantidade de bandas que saem de Liverpool e seus arredores.

A última que eu descobri – e que já é uma das minhas favoritas – é o “The Wombats”.

Na mesma trilha dos Arctic Monkeys, Art Brut, The Fratellis e Futureheads. Os Wombats fazem indie rock com pitadas de pop, ao alcance de todos os ouvidos. Se você quer começar a conhecer o estilo, joga no Limewire todas essas bandas que eu citei aqui e seja muito feliz, my friend.

<a href="http://youtube.com/watch?v=IIY226ZjhFA">http://youtube.com/watch?v=IIY226ZjhFA</a>

Alkaline Trio
Muita gente começou a ouvir punk rock por causa dos Ramones. Eu não. Meu ponto de partida foi muito Social Distortion, um pouco de Bad Religion e doses generosas de Sex Pistols.

O punk rock espalhou-se pelos Estados Unidos, em vários locais – principalmente na Califórnia e em Nova York.

Só para estabelecer o meu ponto de vista, eu acho que o maior expoente do punk rock nos últimos 20 anos é o Green Day, de Berkeley, CA. Ninguém tem tanta veia para escrever sucessos como Billy Armstrong. Para mim, o Green Day está ao lado de uma lista muito seleta de bandas de rock, como o Foo Fighters e o U2. Dito isto, posso listar algumas outras que eu também gosto.

Blink 182 (e os filhotes Plus 44 e Angels & Airwaves), Offspring, MxPx, Dashboard Confessional, Jimmy Eat World, Relient K, Fall Out Boy, My Chemical Romance, NOFX e recentemente descobri o ótimo Alkaline Trio.

A banda foi formada há 11 anos na improvável Detroit. Já lançaram 6 discos e parece que estão começando a finalmente aparecer nos principais festivais do verão americano.

Eu já virei fã. Se você quiser conhecer, comece pela coletânea “Remains” ou pelo último disco “Agony & Irony”. Já pro torrent, camarada!

<a href="http://youtube.com/watch?v=ZM0rkQ3tKdg">http://youtube.com/watch?v=ZM0rkQ3tKdg</a>

De volta à Ditadura?

July 26th, 2008

Eu tento evitar usar o Bullshitando para falar de assuntos ligados à minha profissão.

O meu blog nada mais é do que um exercício de liberdade, de falar sobre outros assuntos da minha vida e sobre o que acontece ao meu redor.

Hoje eu vou abrir uma exceção para falar, não sobre a minha profissão (publicitário) que trabalha diretamente ligado com uma marca de cerveja. Quero falar aqui sobre efeitos colaterais do cerceamento imposto pelo Governo, que cada vez mais vem à tona.

Podem apostar que eu não estou defendendo interesses do meu cliente. Definitivamente eu não parto dessa premissa para formar a minha opinião e nem divulgo meu Blog com interesses “eleitoreiros”.

Nessa última semana, completei um ano como Diretor de Atendimento de uma marca de cerveja. Obviamente aprendi muito, do ponto de vista estratégico e empresarial, mas passei também a entender e conviver com os limites impostos à publicidade.

Pode parecer incrível, mas o ofício de fazer publicidade no Brasil (especialmente de bebidas alcoólicas) é um verdadeiro exercício de esquiva de regras e condições.

Há cerca de 15 dias, eu participei do IV Congresso Brasileiro de Publicidade. A classe esteve praticamente toda reunida em prol da liberdade de atuação. Saí do encontro com a nítida impressão de ter participado de um movimento (bastante civilizado) pela democracia.

É praticamente o mesmo grito da sociedade brasileira ao longo dos anos de ditadura. Na teoria a ditadura acabou há mais de 20 anos, mas na prática o que estamos vendo é uma verdadeira afronta de um governo que demonstra claramente a intenção de tutelar os cidadãos.

As restrições ao conteúdo e ao horário nos comerciais de cerveja são apenas a ponta do iceberg. Começam a surgir iniciativas para restringir propaganda de alimentos não saudáveis (sic), de bebidas de baixo teor nutritivo (sic) e até mesmo de brinquedos.

Isso é CENSURA, meus amigos.

É o princípio da Ditadura, que o nosso Presidente, eleito pelo povo tanto lutou contra.

Se o Ministro da Saúde realmente quisesse cuidar da saúde do povo, que tratasse de dar melhores condições nos Hospitais públicos, que tratasse de investir no futuro dos médicos nas Universidades, que cuidasse da dengue e de tantas epidemias bizarras que já deveriam estar devidamente erradicadas em pleno século XXI.

Que fique aqui registrado o meu protesto não como publicitário, mas como um cidadão brasileiro indignado com a desfaçatez e hipocrisia de um Governo autoritário até o caroço.

Que venham dias melhores!