Bandas que desbandam-se.

 

THE KILLERS, Photo by Frank Micelotta.

THE KILLERS, Photo by Frank Micelotta.

Acabei de ler que os Killers devem “tirar férias” no ano que vem, porque os 4 amigos não se suportam mais. Não conseguem nem mais andar no mesmo carro durante as turnês. (Veja matéria na íntegra aqui).

 

Que grande merda! Mais uma das minhas bandas do coração que vai acabar.

 

Eu acho que para as bandas darem certo não precisa haver harmonia nem concordância geral. Tem aquela história do guitarrista que traçava uma linha no palco para limitar a área de atuação do baixista – se o cara cruzasse a faixa imaginária, a porrada comia ali mesmo). Exageros à parte, é claro que o clima de tensão e de nervosismo acaba por abreviar carreiras bem sucedidas.

 

A lista de bandas que acabaram por diferenças entre os integrantes é enorme e célebre, começando pelos Beatles, The Police, Pink Floyd, Black Sabbath, Guns ‘N Roses entre milhares de outras.

 

Eu poderia montar uma tese aqui que o dinheiro e as drogas estragam a amizade entre companheiros de banda, o que de certa forma até é verdade para a maioria dos casos. Mas não é só esse o ponto. Grandes bandas acabam por outros motivos, ou por nenhum motivo em especial, como o Foo Fighters (a minha banda preferida), que acabou porque os caras estavam querendo curtir a família. No auge da carreira, eles simplesmente cansaram das turnês (veja aqui).

 

Eu não entendo.

 

Qual é a receita do U2, dos Rolling Stones, do Rush e do Kiss?

3 Responses to “Bandas que desbandam-se.”

  1. Dudu P says:

    Eu não só acho isso normal como ainda acho bem tímido ainda, deveria ir além.

    Uma das vantagens do mundo da música dita “eletrônica” (ergh pro termo, eletrônico nem o meu porteiro é mais) é que a mesma democracia que permite que um artista conduza o trabalho todo dele sem depender de integrantes adicionais permite também os ditos collabs, que acontecem a toda hora — aliás, nunca sai um EP ou LP sem pelo menos 25% de collabs.

    Mesmo projetos feitos por 2 ou mais pessoas, os chamados coletivos, você tem um troca-troca constante e combinações inusitadas. Isso acontece o tempo todo, é como misturar duas comidas favoritas. Texturas novas, sabores novos. E melhor: menos estresse, menos climão de casamento. Tudo fica mais fácil.

    Esses coletivos se rompem também, e é muito chato quando isso acontece, no geral. Mas também é do caralho você ver como as partes em separado evoluem. Como todo mundo tem capacidade de trabalhar todas as partes da música, e aprenderam muita coisa em comum, é legal ver como eles conduzem isso em carreira solo, e fica gostoso você analisar depois o trabalho do coletivo e perceber exatamente onde entrava a contribuição de cada um.

    O meu attachment com o rock anda pequeno há muito tempo, como você sabe, e acho que qualquer evolução neste sentido de desamarrar as coisas e deixar tudo mais solto sempre vai ser bom pra trazer inovações. Collabs entre bons artistas de rock e dance music *quebrada* sempre renderam coisas legais pros dois lados — Tom Morello e Prodigy me vêm a cabeça, por exemplo.

  2. Dudu P says:

    E sobre U2, Stones, Rush, Kiss: eu acho que são bons exemplos de bandas que têm sua lenda montada em mais de um integrante. The Edge, Keith Richards e Gene Simmons são peça chave como seus frontmen.

    Acho que isso conta pra caralho, já que no fundo se faz música pra se expressar, acima de tudo. Uma banda que se apoiar em cima de um unico frontman o tempo todo vai ter mais dificuldade de se manter coesa.

    Ego. No fim sempre tem uma pitada dele em qualquer merda que se faça.

  3. Dudu, seu comentário é sensacional.
    Não que eu concorde com tudo, mesmo porque eu acho que a música eletrônica é só uma questão de programadores. Acho que os caras são bons analistas de sistemas e não músicos. Haha…
    Mas na real, o admirável é o seu raciocínio. Acho que cheguei a mesma conclusão. A coisa trava no EGO. Esse é o assunto.

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