Archive for April, 2009

O amor é importante. Porra.

Tuesday, April 28th, 2009

“O AMOR É IMPORTANTE. PORRA.”

Está escrito pelos muros da cidade de São Paulo. É uma epidemia urbana que, para quem presta atenção nessas coisas (como eu), acaba mudando um dia, uma semana, uma vida.

Parece que a cidade mais neurótica do Brasil quer dizer alguma coisa para a gente. Parece que é um grito aflito por socorro.

Ninguém mais aguenta tanta intolerância, tanto trânsito, tanta pressa, tanta aporrinhação. Isso lembra um post que fiz, há pouco mais de um ano atrás, também sobre uma frase fantástica pixada em um muro: “os anti-depressivos vão pararde funcionar“. No final das contas é quase sobre a mesma coisa. A gente cria as nossas próprias prisões e a cidade vai nos engolindo, nos distanciando da nossa essência.

amor

Clique na imagem para ler outro post sobre o assunto.

Outro dia, o meu amigo Baracho contou a história de um conhecido dele, que subverteu completamente as expectativas e desarmou as armadilhas que estavam preparadas para ele.

É uma história digna de Forrest Gump, de um moleque muito bem nascido, que com 20 anos foi fazer um intercâmbio na Austrália. Tudo muito bem programado para que ele fosse passar 6 meses (ou algo assim). Passaram-se os 6 meses e ele pediu para estender por mais 6 meses. Os pais toparam, afinal de contas estavam investindo no futuro do filho. Tirando a parte emocional (saudades do filho), esse não era exatamente um grande sacrifício para a família abastada.

No final do novo período, Flávio (nome fictício, é claro) concluiu que ele não queria mais. Rasgou a passagem, porque não queria mais voltar pra casa, não queria mais a mesada dos pais, não queria mais nada do que esperava por ele aqui no Brasil. E assim, ele resolveu seguir em frente, rompendo com todas as amarras.

Correu os outbacks australianos, foi parar na Tanzânia vendendo morangos na beira da estrada. Escrevia mensalmente um email dando algumas notícias, mas não passava recibo de pobre-coitado. Ele estava feliz, se virando como dava e conhecendo o mundo. Nada de endereços, nada de celulares, nem direções no Google Maps.

A mãe chegou a mandar mais uma passagem, quando Flavio estava morando na Nova Zelândia. Ele não chegou nem a abrir esse envelope. Alphaville não era tão interessante assim e…depois de 3 anos rodando por aí, agora o caminho da volta parecia cada vez mais improvável.

Pouco depois, ele conheceu uma alemã, por quem se apaixonou. Foi viver em uma cidade de 650 habitantes no interior do interior do interior da Alemanha. Trabalhava como ajudante do pai da moça, um fazendeiro da região. Algum tempo se passou até que a namorada foi estudar na cidade grande, mas o nosso herói estava bem na fazenda e por lá ficou. Acabou comendo a cunhada e foi defenestrado pela família tradicional, indignada com o comportamento libertino do nosso herói.

Flavio não se fez de rogado e foi se desculpar com a irmã. Desculpas parcialmente aceitas e a vida seguiu em Berlim, numa república de estudantes. Flavio, passou  ser o xodó da turma, cozinhando para a moçada e organizando festas em alemão fluente. Numa dessas festas, quando o caldo já tinha entornado para uma verdadeira orgia, a namorada resolveu dar um basta e expulsou Flavio com a roupa do corpo. Ficar de jeans e camiseta, sem um puto no bolso num frio de 10 abaixo de zero não é lá muito agradável. Os argumentos não convenciam a namorada a abrir a porta e Flavio (sem nenhuma vergonha na cara) resolveu voltar para a fazenda, para pedir uma ajuda financeira ao sogrão.

O coroa, bom coração como só, ficou com pena e acabou dando o dinheiro e um dia de teto para o brasileiro, que já planejava ir para a Itália.

A história da Itália começou quando Flavio ficou interessado em tirar um passaporte da comunidade européia, tendo pesquisado as origens do seu sobrenome. Foi para uma cidade pequena (não sei exatamente onde). Conheceu alguns amigos e já tinha até descolado um trampo como pizzaiolo em um pequeno restaurante local. Na sua primeira noite de folga, saiu com uns amigos e acabou envolvido em uma confusão em um bar. Quando viu, estava ao lado de mais 8 incautos na delegacia sem saber falar italiano e sem passaporte. É claro que foi preso.

A prisão dava duas “alternativas” a Flavio: ficar preso ou ser deportado para o Brasil. Bom…nessa altura do campeonato, os italianos queriam se ver livres de Flavio. Mandaram ele para a Tchecoslováquia em uma espécie de “purgatório” internacional, onde os gringos esperam por suas sentenças. Os oficiais resolveram devolver a liberdade a ele, desde que este voltasse (com a passagem paga) para o Brasil.

Há alguns dias atrás, Flavio desembarcou em Guarulhos. Voltou a tempo de comemorar o aniversário da sua mãe.

Pouco mais de 7 anos desde a sua partida, a família ficou muito feliz em tê-lo de volta. Mas Flávio sabe que a sua escolha não é exatamente igual aos planos que os outros fizeram para ele. Sem nenhum tipo de rancor ou mágoa, o seu único plano é a liberdade incondicional.

Flavio entendeu a tempo, onde estava a sua felicidade e resolveu tomar uma atitude. Ele literalmente vai atrás do seu destino.

Quando eu leio a tal frase no muro que dá título a esse post, eu penso nisso. As pessoas esquecem dos seus instintos, das suas necessidades mais primárias. Cada vez mais, nós vivemos para parecermos com o que se os outros esperam de nós. E é assim que acabamos esquecendo que “o amor é importante, porra”.

Zico, o mito.

Wednesday, April 22nd, 2009

Hoje é dia de abrir aspas para um amigo que escreveu um texto incrível sobre o meu grande ídolo, Zico.
Com a palavra, o grande Depa (Marcelo de Paulos), PHD em tudologia e rubronegro de carteirinha.

 

“Outro dia, tive que responder a alguns amigos tricolores e botafoguenses sobre um assunto recorrente: a detração do Zico. Parece prática obrigatória nas hostes das outras torcidas do Rio tentar diminuir o único homem que honrou a camisa 10 de Pelé. As acusações normais estavam presentes: jogador de clube, perdedor de Copas, craque de clube pequeno na Europa. Algumas novas se juntavam: pseudo-herói de história enfadonha, menosprezador do Brasil. Lá vai minha resposta…

Zico é o caçula de uma família de boleiros católicos de Quintino, que realizou feitos gigantes dentro e fora do campo. Talvez a característica mais marcante em sua carreira tenha sido o de muitas vezes decidir pelo caminho mais duro: o certo.

O primeira dos feitos foi o que fez com a própria natureza. Franzino como um Bebeto, transformou seu corpo com disciplina e profissionalismo. Via a força de jogadores como o Pelé e sabia que não haveria mais espaço no futebol para Ypojucans. Transmutou-se para o corpo de um atleta, numa era pré-anabolizantes. (Ninguém vai me convencer de que os problemas recorrentes com os joelhos e com o peso do Ronaldo não tem nada a ver com anabolizantes…)

Outro feito gigante foi o que mais incomoda a vcs: ele reverteu o equilíbrio das forças no Rio. O Flamengo era freguês do Botafogo. Não tinha um título nacional. Tínhamos muito menos Cariocas que o Fluminense. A torcida era só maior que as outras. O grande ídolo era o Dida. Hoje, temos mais títulos que qualquer um, todos são nossos fregueses, e a torcida é esmagadoramente maior do que qualquer outra no planeta. E temos um ídolo que é maior para a torcida até do que Garrincha é para o Botafogo. Mais que isso: todos os adversários que viveram a geração Zico são traumatizados com o Flamengo.

Mais um: o exemplo. Ele pode ser chato – e é. Mas sempre foi um líder positivo. Aquele time do Flamengo só foi o que foi porque ele estava lá. Porque ele estava lá inspirando a molecada. Porque ele estava lá mostrando que se dedicar nos treinamentos vale a pena. Porque ele dava orientações aos mais novos. Porque chamava a marcação em campo para que os outros jogassem. Porque resolvia a parada quando se esperava isso dele. Porque fazia os outros jogarem. Em seu tempo, fez caras como Nunes e Marinho serem convocados para a Seleção. Além, claro, de Raul, Leandro, Mozer, Junior, Vítor, Andrade, Adílio e Tita.

Por tentar fazer o que era certo (hoje batem palmas pelos princípios do Kaká por ficar no Milan!), retardou sua ida para a Europa. Acabou indo para um time pequeno, que fez grande. Udine tem estátua dele. Sofreu contusões e a estrutura do clube não permitiu que se recuperasse direito. Isso, o frio, as crianças e um empresário pouco confiável aceleraram sua volta. Para casa. Nenhum dos grandes fez isso. Venceu mais um Estadual e um Brasileiro pelo time do seu coração.

Mais difícil do que qualquer outro obstáculo enfrentado por qualquer um dos grandes jogadores da história, Zico venceu uma contusão invencível. Não a ruptura de um tendãozinho patelar. E não em uma era de avanços tecnológicos em medicina esportiva. Era tudo na faca. Por pouco não se viciou em morfina para superar as dores. E não foi uma contusão boba, que acontece sozinha. Ele foi atacado de forma vil e brutal, numa quarta à noite chuvosa no Maracanã. Nenhum dos grandes sofreu isso.

Ainda mais do que superar, ele optou pelo caminho mais difícil. Acelerar sua recuperação, mesmo que isso lhe custasse a saude e o resto da carreira. Tudo para poder jogar vinte minutos por jogo numa Copa do Mundo. Simplesmente porque sabia que o Brasil inteiro precisava do 10. Eu sei que cada um de vcs sentia um sopro de esperança quando o Galinho aparecia na beira do campo em 86. Essa é a sensação mágica de ter um super-herói em campo. Ele entrou e resolveu muitas. Perdeu um pênalti. Mas durante o jogo. O Brasil ainda teve ourtas chances. Na hora do vamovê, ele fez o dele. Sócrates, a inspiração do Maicosuel, perdeu. Culpar o Zico pela perda da Copa é falta de caráter. É trocá-lo por Barrabás.

Pelé disse que o jogador que mais se aproximou dele foi Zico. Foi eleito o melhor jogador do mundo pela World Soccer (anterior ao prêmio da Fifa) no ano em que chegou à Europa (no ano seguinte, ficou contundido e perdeu para Platini, que venceu a Eurocopa pela França). É considerado o maior batedor de faltas de todos os tempos.

Ele ainda inventou o futebol no Japão, outro lugar onde tem estátua dele. Jogou até os 41 anos. Não como o Romário, exigindo para jogar sem treinar, para gozar de privilégios que os colegas não tinham. Mas, como sempre, como um exemplo a ser seguido. E ainda foi treinador (bem sucedido) do time, coisa que índoles como a do Romário não permitem.

A “soberba” com relação ao Brasil é uma grande dificuldade que o cara tem de lidar com a escória. Isso pode ser um defeito para muitos de vcs. Mas é de se perguntar por que nenhum de nós está diretamente envolvido com o projeto de seu clube de coração…

A verdade é todos os adversários devem se corroer por nunca terem tido um ídolo como o Zico. Mais do que um super-herói em campo, ele é um exemplo que qualquer um pode usar para criar seus filhos. Dizer diferente é desdém. Eu fui criado assim e sou muito agradecido ao grande exemplo que recebi. Muitas vezes tomo o caminho mais difícil.

Tenho uma foto tirada em janeiro de 1987, na sala de musculação da Gávea. Todos os jogadores estavam de férias. Zico estava lá, tentando se recuperar das agressões que sofreu e do sacrifício que fez por si próprio e por todos vcs. Para vencer mais um campeonato Brasileiro.

zico-janeiro-de-1987

Essa foto me inspirou a passar em Stanford. Só isso já valeria. Mas sei que tem mais.

Como fez na virada dos anos 70 para os 80, Zico será parte integrante de uma enorme mudança pela qual o futebol brasileiro passará no futuro próximo. Esperem. Ele retornará!”

Grandes clássicos sulamericanos

Sunday, April 19th, 2009

Tava vendo o Sportv nesse final de domingo. Parei no VT do jogo Boca Juniors X River Plate, na Bombonera. Buenos Aires, em um domingo lindo de sol, com uma temperatura amena de 25 graus. Os arredores de La Boca devem ter ficado repleto de torcedores e turistas ao redor muita parrilla e tango. É impossível não se contagiar com essa atmosfera de um dos clássicos mais apaixonantes do mundo. Martín Pallermo fez um golaço de fora da área, para a explosão dos boquenses e 15 minutos depois, Gallardo bateu uma falta incrível e deu números finais ao Superclássico.

Arrancada de Palacios

 

No Brasil, também estavam acontecendo clássicos incríveis. Flamengo e Botafogo decidiram a Taca Rio no Maracanã. Um dia de céu azul no Rio de Janeiro, no meio de um feriado com as praias parecendo mais verão do que outono. O Flamengo sagrou-se campeão da Taça Rio com um magro 1 a 0. Agora mais dois domingos de decisão de campeonato no Maracanã. Mais de 150mil pessoas estarão presentes. Milhões de outras ligados na TV, rádio e internet para acompanhar se o Flamengo chegará ao seu Penta-tricampeonato e ao seu 31o Campeonato Carioca.

Fabio Luciano, capitão.

 

Em São Paulo foi um final de semana só de semifinais, de grandes clássicos do futebol paulista. Palmeiras X Santos no Parque Antártica e São Paulo X Corinthians no Morumbi fizeram jogos incríveis. O Santos calou a torcida inflamada que compareceu em grande numero ao Palestra Itália. 2 a 0 inapelável, depois de 2 a 1 na Vila Belmiro. Jogo quente, com expulsões e muitas emoções. No Morumbi o Corinthians também fez  2 a 0, com grande participação do gordo Ronaldo eletrizando a Fiel. As finais das próximas duas semanas prometem.

 

Ronaldo Gordo

 

 

11:11

Saturday, April 18th, 2009

De algum (bom) tempo pra cá eu tenho vivido uma estranha coincidência. Em quase todos os dias eu olho o relógio às 11:11.

Comentei isso com alguns amigos e o Fernand disse que existia alguma questão mística envolvendo essa “coincidência”. Aí, é claro que eu fui no Google para tentar descobrir o que estava rolando.

Eu não sou muito bom nesses assuntos esotéricos, mas as explicações são bem curiosas e existem uma série delas.

Pulando as partes mais complexas da explicação, basicamente existe uma teoria em que quando esse fenômeno acontece, trata-se de um progresso espiritual proposto pelo nosso próprio Ser Superior (whatever that it should means).  A conversa vai ficando mais profunda…

Reproduzo um trecho que encontrei nas minhas pesquisas pela internet, que explica a existência do Portal 11:11:

Entre 16 e 17/8/1987, houve a Convergência Harmônica que ancorou a 4ª dimensão. Muitos seres vieram nesta época para auxiliar e possibilitar esta ancoragem (vide artigo crianças especiais..). Em 11/7/1991 houve a grande Eclipse Solar que iluminou os canais para a abertura da entrada efetiva do Portal 11:11, em 11/1/1992. Em 11/11/91, houve a ativação planetária pela Ordem de Melquizedec, que abriu a porta para a antiga sabedoria. Com o Portal, foi dado um salto quântico que vem sendo reforçado na Terra.

Quando alcançamos um Merkabá (Nave Consciência – vide artigo…) de um grupo que atravessou o Portal 11:11, chegamos até a 7ªoitava. É o destino para a grande maioria. Aí, então, a Terra descansará já transformada. É aqui que se constrói o Novo, a Nova Terra, cujos habitantes viverão em Unidade. Então, o Portal 11:11 se transformará em 22. Neste ponto optamos se queremos ir mais além, para a 11ª oitava, onde o 22 se transformará em 44.
A 11ªoitava é a plataforma de lançamento para o Além do Além. Entretanto o mais importante é saber que os seres da 7ª oitava ou da 11ª e os do mais além, residem dentro de um modelo de Unidade, podendo ter contato entre si.

Alguém entendeu alguma coisa? Eu não.

Bandas que desbandam-se.

Thursday, April 2nd, 2009

 

THE KILLERS, Photo by Frank Micelotta.

THE KILLERS, Photo by Frank Micelotta.

Acabei de ler que os Killers devem “tirar férias” no ano que vem, porque os 4 amigos não se suportam mais. Não conseguem nem mais andar no mesmo carro durante as turnês. (Veja matéria na íntegra aqui).

 

Que grande merda! Mais uma das minhas bandas do coração que vai acabar.

 

Eu acho que para as bandas darem certo não precisa haver harmonia nem concordância geral. Tem aquela história do guitarrista que traçava uma linha no palco para limitar a área de atuação do baixista – se o cara cruzasse a faixa imaginária, a porrada comia ali mesmo). Exageros à parte, é claro que o clima de tensão e de nervosismo acaba por abreviar carreiras bem sucedidas.

 

A lista de bandas que acabaram por diferenças entre os integrantes é enorme e célebre, começando pelos Beatles, The Police, Pink Floyd, Black Sabbath, Guns ‘N Roses entre milhares de outras.

 

Eu poderia montar uma tese aqui que o dinheiro e as drogas estragam a amizade entre companheiros de banda, o que de certa forma até é verdade para a maioria dos casos. Mas não é só esse o ponto. Grandes bandas acabam por outros motivos, ou por nenhum motivo em especial, como o Foo Fighters (a minha banda preferida), que acabou porque os caras estavam querendo curtir a família. No auge da carreira, eles simplesmente cansaram das turnês (veja aqui).

 

Eu não entendo.

 

Qual é a receita do U2, dos Rolling Stones, do Rush e do Kiss?