Archive for August, 2008

Qual é o preço da amizade?

Sunday, August 31st, 2008

A resposta óbvia é: não tem preço. Mas eu diria um pouco mais…

Uma amizade verdadeira é o significado do que nós somos, é a nossa própria existência. Não sei muito bem se existe uma profundidade ou mesmo um grau de confiança necessário para conquistar uma amizade, mas sei que os amigos reais são ligados por uma espécie de cumplicidade muito profunda, meio difícil de explicar em palavras.

Na quinta-feira passada fui jantar com um dos meus maiores amigos, que infelizmente eu não via há muito tempo. Além de contarmos as principais novidades dos últimos tempos, nós também rimos das mesmas histórias de sempre e falamos sobre os mesmos assuntos (Flamengo, Rio de Janeiro, escola, ex-namoradas, viagens, festas, shows, etc) tudo com o mesmo empenho e brilho.

O meu amigo gosta de mim pelo que realmente sou e não pelo que eu me tornei. Ele me conhece muito bem. Acho que me conhece melhor do que eu mesmo. Em tantos anos, eu nunca precisei provar nada para ele e sempre tive o máximo da sua admiração.

Decidimos que vamos virar o ano de 2008 juntos, com nossas mulheres e filhas e com mais um casal de amigos. Falamos em viajar para Nova Iorque ou Buenos Aires e concluímos que seria mais legal alugarmos uma casa em Búzios.

No final das contas, nós não sabemos ainda aonde iremos, mas já decidimos que estamos dispostos a qualquer sacrifício para que o ano de 2009 comece da mesma forma para todos nós.

O verdadeiro ministério de Gil

Saturday, August 30th, 2008

Hoje assisti a entrevista do Gilberto Gil para a Marília Gabriela no GNT.

Sempre achei Gil um verdadeiro gênio da raça. Sempre admirei a sua infinita capacidade como letrista, compositor e também como intérprete e músico.

Lembro de um show, há vários anos atrás, quando ele botou o Stevie Wonder no bolso, durante o Free Jazz. Eu tinha ido com uma expectativa gigante por esse show, mas o que eu vi foi uma performance inesquecível do Gil e sua banda fabulosa, com Artur Maia no baixo e Robertinho Silva na bateria.

Gil sempre foi cativante, carismático. Ele sempre foi um cara que esteve à frente do seu tempo, tendo encantado diversas gerações. Talvez ele realmente tenha sido o maior de todos os artistas da MPB de todos os tempos. Maior que Chico, Caetano, Milton, Djavan, entre outros.

O seu grande pecado foi virar ministro.

Não dá para dizer que ele tenha perdido tempo, porque infelizmente nada de novo aconteceu nesses últimos 5 ou 6 anos na música brasileira.

Mas particularmente, eu não acho que ele tenha emprestado tanto talento no campo político desse (des)governo que vivemos. Continuo achando que o país não valoriza tanto a sua cultura, a sua produção – e Gil não foi capaz de mudar esse cenário. Mas não sei se esse desafio cabe para algum ser humano, principalmente no governo Lula.

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Gil voltou – e aos 66 anos – mostra apetite de menino lançando um disco novo, todo disponível para download gratuito e também com faixas para creative commons.

A entrevista foi fantástica, apesar da evidente esquiva de um político Gil – quando perguntado sobre eventuais críticas ao governo. Ele manteve a elegância e preferiu concentrar seus pensamentos e suas músicas sobre outros temas mais inspiradores.

Marília Gabriela insinuou que gostaria de ouvi-lo sobre temas ásperos, como a sua visão sobre a morte. Gil disse que esse não era um tema áspero. Esse era um tema corriqueiro para ele, que via a coisa com naturalidade e com tranqüilidade. Ele sabe que sua vida já está mais para o fim – e ainda assim lida com a questão de uma forma muito verdadeira, sem buscar desvios ou mesmo sem se enganar.

Gil escreveu uma música sobre o assunto. É a faixa de abertura desse novo disco (que ainda não ouvi). Também não conhecia a música e ouvi pela primeira vez nessa entrevista. A letra é singela e comovente.

“Não Tenho Medo da Morte”

Não tenho medo da morte, mas sim medo de morrer
- Qual seria a diferença? – você há de perguntar
É que a morte já é depois que eu deixar de respirar
Morrer ainda é aqui na vida, no sol, no ar
Ainda pode haver dor ou vontade de mijar.

A morte já é depois já não haverá ninguém
Como eu aqui agora pensando sobre o além
Já não haverá o além o além já será então
Não terei pé nem cabeça nem figado, nem pulmão
Como poderei ter medo se não terei coração?

Não tenho medo da morte, mas medo de morrer, sim.
A morte e depois de mim
Mas quem vai morrer sou eu o derradeiro ato meu
E eu terei de estar presente assim como um presidente dando posse ao sucessor
Terei que morrer vivendo sabendo que já me vou

Então nesse instante sim sofrerei quem sabe um choque
Um piripaque, ou um baque, um calafrio ou um toque
Coisas naturais da vida como comer, caminhar
Morrer de morte matada. Morrer de morte morrida.
Quem sabe eu sinta saudade, como em qualquer despedida.

O melhor da Blockbuster

Wednesday, August 20th, 2008

Estou de molho em casa sem poder sair por causa de uma operação de nariz e garganta que fiz na sexta-feira passada.

Aproveito para botar em dia o meu lado cinéfilo com idas diárias à Blockbuster. São 3 filmes por dia, interrompidos por antibióticos e anti-inflamatórios.

Dessa leva, dois filmes me chamaram muito a atenção: “Into the Wild” e “Once”.

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Baseado no livro de John Krakauer, “Into The Wild” conta a história (real) de Chris McCandless que, cheio de problemas em casa e recém formado na escola com honras, resolve largar absolutamente tudo em nome da liberdade. Ele doa todo o seu dinheiro, picota seus cartões, queima seu Social Security Number, resolve adotar outro nome, queima suas últimas notas de dólares e larga o seu carro no meio do deserto e some sem deixar nenhuma informação.

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Alex Supertramp (seu novo nome) resolve cruzar os Estados Unidos em direção ao Alaska selvagem.

Aqui cabe uma menção honrosa ao excelente trabalho do diretor. “Into The Wild” poderia ser perfeitamente uma aventura típica de Sessão da Tarde, se Sean Penn resolvesse usar os habituais clichés do cinema americano.

Mas não é nada disso.

O filme é de uma beleza irritante, de uma pureza e de uma sinceridade, que simplesmente não há como não ser pego pelo ideal de liberdade idealizado e vivido por “Alex Supertramp”, mesmo que esse ideal tenha o seu preço.

O sonho da liberdade está ao alcance de qualquer um, basta ter iniciativa.

A grande conclusão (sem estragar o final, para quem não viu ainda) é, que mais do que a conquista da liberdade, o que realmente importa é “compartilhar”.

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“Once” está em outro ângulo, bem diferente – em termos de fotografia e até mesmo de história. Ainda assim, também mexeu com sentimentos parecidos de “Into The Wild”.

Filmado na Irlanda, é um filme escuro e melancólico. Conta uma história super simples de um cantor de folk de rua, que conhece uma vendedora de flores tcheca – e juntos acabam gravando um punhado de canções divinas.

Por vezes, o filme derrapa um pouco na fórmula “The Commitments”. Mas há algo mais do que os clipes que inevitavelmente estão lá.

Apesar de não ser uma história totalmente verídica, “Once” é um filme muito verdadeiro. Os protagonistas Glen Hansard e Marketa Irglova realmente existem. O filme é uma versão romanceada da vida de ambos. Glen é o líder da excelente banda “The Frames”. Marketa Irglova é uma pianista independente, que conheceu Glen em um show e juntos compuseram várias músicas, que entraram na trilha de Once. A mais relevante é a linda “Falling Slowly”, que ganhou o Oscar de 2008.

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Por toda sutileza da história, por toda a preocupação em não construir uma historinha de final feliz, e – no meio de muitas canções lindas – “Once” deixa uma mensagem bacana da importância em viver o momento.

Tudo pode parecer impossível e imprevisível. Mesmo quando não há um horizonte muito claro, quando não há perspectivas, ainda assim há a chance de você escrever um capítulo da sua história.

Isso vale pra qualquer um…

Na Irlanda, no Alaska ou no Brasil, não importa a idade e o que você faça da sua vida. Não importam as suas certezas. Um sonho precisa ser vivido.

A seleção canarinho e mais um miquinho!

Tuesday, August 19th, 2008

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Já escrevi sobre isso aqui no Bullshitando – e hoje o assunto fica mais evidente depois da derrota vexatória que tomamos da Argentina na semifinal olímpica, em Pequim.

A Seleção Brasileira é a VERGONHA nacional. É a nossa querida seleção canarinho, pagando o seu mais novo “miquinho” (veja o post anterior aqui).

Como tem ocorrido nos últimos tempos, o Brasil entrou em campo para se defender – sem qualquer tipo de jogada ou de proposta criativa.

E na verdade, tem sido assim desde o fracasso da Copa da Alemanha. A tal renovação proposta por Dunga não funcionou – e a Seleção simplesmente não aconteceu, porque não temos qualquer padrão de jogo.

Considerando que tivemos um hiato, na Copa America, quando detonamos a Argentina no jogo final, os últimos 2 anos têm sido cruéis com os torcedores brasileiros. O nosso orgulho está ferido e precisamos tratar de nos levantar imediatamente para a próxima Copa (e antes disso, para as Eliminatórias, já que estamos na quinta colocação).

Outro mito que também caiu foi a simpatia.

Já no jogo anterior a este, o estádio inteiro já torcia pelo limitado e incrivelmente botinudo time de Camarões. Hoje ficou claríssma essa mudança. O mundo inteiro ouviu a torcida chinesa apoiando a Argentina e o talentoso Lionel Messi.

A Seleção Brasileira ficou mascarada, limitada e sem qualquer traço de carisma. Nós estamos parecendo com o Uruguai.

 

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Nesse jogo de hoje, foi engraçado (e trágico) ver os jogadores da Seleção Brasileira sendo expulsos por terem feito faltas desclassificantes no brucutu-mor, o horrorendo Mascherano. Além de todos os problemas, hoje chegamos a riscar a nossa dignidade e o espírito esportivo.

Que essa derrota seja emblemática no sentido de mudanças maiores na organização do nosso time nacional.

Fora Dunga! Fora Ricardo Teixeira!

Para finalizar, outro assunto que eu também já escrevi.

A verdadeira seleção Brasileira de futebol é a FEMININA.

Agora nós iremos disputar a final contra as americanas (atuais campeãs), depois de termos vencido um jogo incrível contra a Alemanha, quando botamos 4 a 1 no placar (e ainda ficou barato).

O bacana do futebol feminino é que não jogamos com nome ou com uma falsa hegemonia. Nós temos jogadoras dedicadas e talentosas querendo muito a vitória. E assim elas mostram ao mundo o real futebol brasileiro.

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O exemplo de Marta e Christiane precisa ser seguido pelos homens. Elas simplesmente não desistem de nenhuma jogada e estão sempre tentando dar beleza e objetividade nas jogadas. E, mais importante que tudo isso: elas jogam para o time.

Não dá para definir prognósticos para uma final. Tudo pode acontecer, mas se houver justiça, a Seleção feminina vai dar a tal medalha de ouro que o futebol brasileiro tanto sonha, porque essa sim é a verdadeira Seleção Brasileira de futebol.

The Best Of Sixties

Sunday, August 10th, 2008

Quais foram as melhores músicas dos anos 60?

A década de 60 foi extremamente rica. A juventude mundial esteve envolvida em fenômenos sociais e culturais que acabaram gerando um incrível legado musical. A guerra do Vietnã, Watergate, Martin Luther King e Malcom X, capitalismo X socialismo, o homem na lua, os hippies, o britpop (e a invasão inglesa), o festival de Woodstock, foi muita coisa em apenas uma década – que eu gostaria muito de ter vivido.

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Não sou especialista no assunto, mas pensando um pouco sobre o que aconteceu nesse momento, fiquei inspirado em montar uma lista com as 30 melhores músicas dessa década.

Uma única regra: não repeti o autor, principalmente em uma década que foi o apogeu dos Beatles.

Ahhh…e para quem não conhece as minhas listas, não há qualquer ordem.

1. “Mrs. Robinson” (1968) – Simon & Garfunkel
2. Break On Through” (1967) – The Doors
3. I Left My Heart On San Francisco”Tony Bennett
4. What A Wonderful World” (1968) – Louis Armstrong
5. I Say A Little Prayer” (1968) – Aretha Franklin
6. Pretty Woman” (1964) – Roy Orbinson
7. You’ve Lost That Loving Feeling” (1965) – Righteous Brothers
8. How Deep Is Your Love” (1967) – The Bee Gees
9. Can’t Help Falling In Love With You” (1961) – Elvis Presley
10. California Dreamin’” (1966) – The Mamas & The Papas
11. Blowin’ In The Wind” (1963) – Bob Dylan
12. Georgia On My Mind” (1960) – Ray Charles
13. She Loves You” (1963) – The Beatles
14. Born To Be Wild” (1968) – Steppenwolf
15. Fortunate Son” (1969) – Creedence Clearwater Revival
16. Son of a Preacher Man” (1968) – Dusty Springfield
17. Little Wing” (1967) – Jimi Hendrix
18. “Gimme Shelter” (1969) – The Rolling Stones
19. Don’t Let Me Be Misunderstood” (1965) – The Animals
20. Ring Of Fire” (1963) – Johnny Cash
21) I Heard It Through The Grapevine” (1968) – Marvin Gaye
22) Good Vibrations” (1966) – The Beach Boys
23) Psycho” (1965) – The Sonics
24) Stand By Me” (1961) – Ben E. King
25) Everyday People” (1969) – Sly & the Family Stone
26) You Really Got Me” (1964) – The Kinks
27) I Feel Good” (1965) – James Brown
28) Misirlou” (1963) – Dick Dale & The Del-Tones
29) Raindrops Keep Falling On My Head” (1969) – B.J.Thomas
30) My Generation” (1965) – The Who

Na semana que vem eu posto as 30 melhores dos anos 70 – outra década bem interessante.

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Johnny Cash

Sonhos

Saturday, August 9th, 2008

Os sonhos são engraçados.

Foi por causa de um DVD do RPM que na semana passada eu acabei por me tele-transportar para o ano de 1985.

Com incrível nitidez, lembrei de alguns momentos maravilhosos do início da minha adolescência. Durante oito horas eu estive em contato com pessoas que eu nunca mais vi e com algumas outras que continuam fazendo parte da minha vida até hoje – e confesso que senti muitas saudades daquele tempo dourado.

Lembrei daquela sensação quixotesca em acreditar que tudo era possível, bastava ter uma banda de rock e um pouco de coragem. Lembrei dos meus primeiros shows, do baixo muito pesado e das meninas que a princípio pareciam impossíveis de serem conquistadas mas que estavam todas ali na garagem da casa da Tia Joana babando nos nossos shows.

A verdade é que ser um rockstar, mesmo que por alguns quarteirões, era algo inacreditável.

Lembro do dia em que eu estava em uma festa e tinha uma rodinha com uns caras tocando violão. Aí, de repente, tocaram uma música minha, mas eu simplesmente não conhecia aquelas pessoas.

Lembro de um outro dia em que eu estava atravessando uma rua e um negão que eu também nunca tinha visto gritou do outro lado:

-Fala aê Penna!! Graaaaaaaaaande baixista…!!

Acho que esses foram os meus dois momentos mais próximos da glória e que acenderam de forma cristalina na minha lembrança há algumas noites atrás.

O tal DVD do RPM mostra algumas cenas do Mixto Quente, que era um show organizado pela Rede Globo no verão de 85. Era um evento no meio da tarde. Tiveram 3 ou 4 edições, sempre na Praia do Pepino em São Conrado. Eu não deixava de ir nesses shows, que eram gratuitos e sempre muito animados.

O Rio de Janeiro era totalmente viável a bordo de um ônibus circular. Não havia nenhum grande risco e as pessoas estavam todas em uma vibração espetacular naquele verão. As coisas simplesmente davam certo ao meu redor.

O meu time era o melhor do mundo, o rock era a música que TODO MUNDO ouvia e eu vivia cercado de mais de duas dúzias de amigos inseparáveis e de algumas eventuais novas namoradas. O que mais eu poderia querer da vida?

Eu só queria crescer.