Archive for July, 2008

Enquanto isso, no meu iPod 3

Sunday, July 27th, 2008

Scars On Broadway

Uma das bandas que eu mais fiquei chateado de não ter visto ao vivo foi o System Of A Down, que acabou há cerca de 3 anos.

Ainda que eles tenham deixado excelentes álbuns (que eu continuo ouvindo até hoje), ficava sempre aquela sensação de que aquela química não voltará a acontecer. Eu disse: FICAVA.

No ano passado o vocalista Serj Tankian lançou o excelente “Elect The Dead”, que logo ficou entre os meus discos preferidos de 2007.

E quando eu menos esperava, surge mais fruto ainda melhor do System Of A Down, chamado “Scars On Broadway”. É o novo projeto do guitarrista Daron Malakian, que mostra claramente a sua grande contribuição no System Of A Down, com melodias fantásticas e letras inteligentes.

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É raro acontecer isso, mas no final das contas, o System Of A Down deu ao mundo dois novos caminhos tão bons quanto o original. Atualmente o Scars é a minha banda preferida e – de longe – é o melhor lançamento de 2008.

Ouça: “Insane”, “Serious” e a ótima “World Long Gone”. Separei o vídeo de “They Say”, que é a (excelente) música de trabalho. É o rrrrrrrrrrrrrock, meninada…é o rrrrrrrrrrrrrock!!!

<a href="http://youtube.com/watch?v=kBqsZKE0wuk">http://youtube.com/watch?v=kBqsZKE0wuk</a>

The Wombats
Liverpool é conhecida por ter pubs a cada esquina e por lançar novas e boas bandas quase que semanalmente.

OK, ok…talvez eu tenha exagerado na primeira parte dessa afirmação. Mas é impressionante a quantidade de bandas que saem de Liverpool e seus arredores.

A última que eu descobri – e que já é uma das minhas favoritas – é o “The Wombats”.

Na mesma trilha dos Arctic Monkeys, Art Brut, The Fratellis e Futureheads. Os Wombats fazem indie rock com pitadas de pop, ao alcance de todos os ouvidos. Se você quer começar a conhecer o estilo, joga no Limewire todas essas bandas que eu citei aqui e seja muito feliz, my friend.

<a href="http://youtube.com/watch?v=IIY226ZjhFA">http://youtube.com/watch?v=IIY226ZjhFA</a>

Alkaline Trio
Muita gente começou a ouvir punk rock por causa dos Ramones. Eu não. Meu ponto de partida foi muito Social Distortion, um pouco de Bad Religion e doses generosas de Sex Pistols.

O punk rock espalhou-se pelos Estados Unidos, em vários locais – principalmente na Califórnia e em Nova York.

Só para estabelecer o meu ponto de vista, eu acho que o maior expoente do punk rock nos últimos 20 anos é o Green Day, de Berkeley, CA. Ninguém tem tanta veia para escrever sucessos como Billy Armstrong. Para mim, o Green Day está ao lado de uma lista muito seleta de bandas de rock, como o Foo Fighters e o U2. Dito isto, posso listar algumas outras que eu também gosto.

Blink 182 (e os filhotes Plus 44 e Angels & Airwaves), Offspring, MxPx, Dashboard Confessional, Jimmy Eat World, Relient K, Fall Out Boy, My Chemical Romance, NOFX e recentemente descobri o ótimo Alkaline Trio.

A banda foi formada há 11 anos na improvável Detroit. Já lançaram 6 discos e parece que estão começando a finalmente aparecer nos principais festivais do verão americano.

Eu já virei fã. Se você quiser conhecer, comece pela coletânea “Remains” ou pelo último disco “Agony & Irony”. Já pro torrent, camarada!

<a href="http://youtube.com/watch?v=ZM0rkQ3tKdg">http://youtube.com/watch?v=ZM0rkQ3tKdg</a>

De volta à Ditadura?

Saturday, July 26th, 2008

Eu tento evitar usar o Bullshitando para falar de assuntos ligados à minha profissão.

O meu blog nada mais é do que um exercício de liberdade, de falar sobre outros assuntos da minha vida e sobre o que acontece ao meu redor.

Hoje eu vou abrir uma exceção para falar, não sobre a minha profissão (publicitário) que trabalha diretamente ligado com uma marca de cerveja. Quero falar aqui sobre efeitos colaterais do cerceamento imposto pelo Governo, que cada vez mais vem à tona.

Podem apostar que eu não estou defendendo interesses do meu cliente. Definitivamente eu não parto dessa premissa para formar a minha opinião e nem divulgo meu Blog com interesses “eleitoreiros”.

Nessa última semana, completei um ano como Diretor de Atendimento de uma marca de cerveja. Obviamente aprendi muito, do ponto de vista estratégico e empresarial, mas passei também a entender e conviver com os limites impostos à publicidade.

Pode parecer incrível, mas o ofício de fazer publicidade no Brasil (especialmente de bebidas alcoólicas) é um verdadeiro exercício de esquiva de regras e condições.

Há cerca de 15 dias, eu participei do IV Congresso Brasileiro de Publicidade. A classe esteve praticamente toda reunida em prol da liberdade de atuação. Saí do encontro com a nítida impressão de ter participado de um movimento (bastante civilizado) pela democracia.

É praticamente o mesmo grito da sociedade brasileira ao longo dos anos de ditadura. Na teoria a ditadura acabou há mais de 20 anos, mas na prática o que estamos vendo é uma verdadeira afronta de um governo que demonstra claramente a intenção de tutelar os cidadãos.

As restrições ao conteúdo e ao horário nos comerciais de cerveja são apenas a ponta do iceberg. Começam a surgir iniciativas para restringir propaganda de alimentos não saudáveis (sic), de bebidas de baixo teor nutritivo (sic) e até mesmo de brinquedos.

Isso é CENSURA, meus amigos.

É o princípio da Ditadura, que o nosso Presidente, eleito pelo povo tanto lutou contra.

Se o Ministro da Saúde realmente quisesse cuidar da saúde do povo, que tratasse de dar melhores condições nos Hospitais públicos, que tratasse de investir no futuro dos médicos nas Universidades, que cuidasse da dengue e de tantas epidemias bizarras que já deveriam estar devidamente erradicadas em pleno século XXI.

Que fique aqui registrado o meu protesto não como publicitário, mas como um cidadão brasileiro indignado com a desfaçatez e hipocrisia de um Governo autoritário até o caroço.

Que venham dias melhores!

A Redenção dos Paralamas e Titãs

Sunday, July 20th, 2008

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A palavra é: REDENÇÃO.

O especial Paralamas e Titãs representa a redenção dessas duas bandas que foram responsáveis por muitos dos meus melhores momentos na adolescência e que – artisticamente – estavam devendo (pelo menos para mim) há algum tempo.

Confesso que quando eu comprei esse DVD, na semana passada, eu fiquei pensando…acho que vou ver um show sem pressão, pasteurizado, um pastiche de bandas que eu tanto admirei pela vida. Uma espécie de lamento pelos melhores dias que se foram.

Eu me enganei feio.

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Mas antes de falar desse show, quero falar dessas duas bandas.

Em 25 anos de estrada, eu vi apenas dois shows dos Titãs. Um em 86, num festival (acho que no Hollywood Rock) e o outro há cerca de dois anos atrás, no morro da Urca. Dos Paralamas – sem nenhum exagero – eu devo ter assistido pelo menos uns 30 shows. Sempre gostei muito mais de Herbert, Bi e Barone do que da trupe paulistana.

Hoje eu acho que poderia ter aproveitado melhor o tempo que todos os Titãs estavam juntos na ativa.

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Imaginar uma banda de rock com Arnaldo Antunes, Nando Reis, Sergio Britto e Paulo Miklos é quase escalar um dream team do que poderia haver de melhor no pop rock brasileiro. Nando é um grande baixista e Sergio Britto um dos melhores vocalistas de rock que eu já vi. Arnaldo é um gênio das letras e da interpretação. Admiro também Paulo Miklos e do Branco Mello como compositores e vocalistas. Marcelo Frommer e Tony Belloto nunca me empolgaram como guitarristas. Bom o Tony Bellotto casou com a Malu Mader, o que lhe confere pontos preciosos. Mas isso é uma outra história. E tem também o Charles Gavin. Mas sobre esse, vou dedicar o próximo parágrafo.

Sempre achei o Charles Gavin um baterista que vivia na sombra do genial João Barone. Esse DVD serviu para que eu mudasse completamente de opinião. A economia de Gavin aliada à sua precisão deixaram o baterista dos Titãs em leve vantagem ao dividir o palco com o monstro Barone (que de vez em quando exagera nos pratos). Não que tenha havido um duelo, mas é inevitável a comparação. E deu Gavin na cabeça. Na Cabeça Dinossauro ;-)

Os Paralamas sempre foram a minha banda preferida. Sempre achei eles interessantes, porque além de sobrarem tecnicamente, passaram praticamente toda a carreira se reinventando. Ele mudaram de rumo várias vezes ao longo da carreira. Eles foram a única banda de rock (da minha geração) que foram exportados. Lotaram estádios pela América do Sul.

A biografia dos Paralamas que sempre foi muito rica, ganhou um capítulo especial com o acidente do seu lider, Herbert Vianna.

E depois de tudo que a vida lhe aprontou, nesse show Herbert voltou ao melhor de sua forma. Mesmo sem nunca ter sido um grande vocalista, ele sempre foi o band leader da principal banda de rock brasileira, um dos melhores compositores da minha geração e um guitarrista sensacional. Depois do acidente que quase lhe tirou a vida, em alguns momentos eu cheguei a ficar deprimido com todas as limitações que ele passou a ter que enfrentar. A voz piorou demais, ele passou a desafinar a entrar fora do tempo – além de perder completamente a sua mobilidade (que era uma de suas características mais marcantes em palco).

Foi assim em um show que assisti, logo depois do acidente. É mais ou menos assim que ele aparece no DVD duplo Uns Dias Ao Vivo, lançado há coisa de dois ou três anos. Eu cheguei a ficar constrangido. Cheguei a achar que seria mais nobre que ele pendurasse as chuteiras.

Lembro de um dia que eu estava esperando uma ponte aérea e me emocionei em vê-lo ali na minha frente, no meio de um aeroporto caótico, tendo que se esforçar para conseguir a tão devida prioridade no embarque.

Mas os ídolos não podem ser alvo de pena. E aquilo me fez muito mal, porque Herbert foi (e é) um dos meus grandes ídolos. Mas hoje eu estou feliz em vê-lo, enfim, recuperado do seu calvário. Herbert é o cara e merece todas as homenagens.

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Vamos aos momentos altos do DVD:

A Novidade: uma das músicas mais batidas dos Paralamas ganhou uma versão linda, com o slide guitar de Bellotto (ok, aqui ele se saiu bem), o bandolim de Paulo Miklos e Sergio Britto ar-re-ben-tan-do nos vocais. Gilberto Gil deve ter se coçado em não ter participado da melhor versão já feita para a sua parceria com Herbert.

O Pulso: essa está escondida, nos extras. Dá a impressão de ter saído meio no improviso, mas saiu fantástica…com Arnaldo e Branco Mello detonando. Arnaldo dá uma aula de como interpretar rock cantado em português. Acho que seria bem interessante a sua volta para os Titãs.

Selvagem/Polícia: como é que pode cinqüentões fazerem punk rock dessa forma?? De novo, destaque total para o ótimo Sergio Britto.

O Beco: eu nunca imaginei que pudesse elogiar o Samuel Rosa. Acho ele chato. Acho Skank chato. Mas porra, ele cantou pra caramba, deu suingue para o reggae que os Paralamas do Sucesso criaram pelos idos de 88.

Marvin
: excelente canção. Titãs e Paralamas parecem ser uma banda só. E, já que a noite permitia, eles deveriam ter chamado Nando Reis para tocar baixo e cantar. Mas ok…valeu!

Então é o seguinte: você que está lendo esse post, pode clicar AQUI e comprar. Aliás compre para você e também para quem você gosta. Em fase de pirataria digital, nada mais justo do que prestar essa homenagem aos nossos ídolos.

Vida longa aos Paralamas e aos Titãs do Ie-ie.