Passei as últimas semanas sofrendo muito com a história da pequena Isabella.
Não há como não se envolver com esse drama. Especialmente para mim, que sou pai de uma menina com o mesmo jeitinho, com o gosto parecido e exatamente com a mesma idade. Esse assunto tem me roubado algumas horas de sono, me fez de refém – como se eu conhecesse a pequena menina que morava pertinho daqui de casa e que foi brutalmente assassinada no dia 29 de março.
Tentei não me precipitar, tentei não seguir o caminho óbvio que a mídia tanto nos induz, mas hoje no Fantástico eu assisti a entrevista do pai e da namorada – que são os principais suspeitos do crime – e tirei algumas conclusões.
Como se fosse uma prova de confiança ou mesmo por entender o sentimento que um pai tem pela sua filha, eu tinha resolvido ser o seu “advogado de defesa” nessas 3 semanas agoniantes que passaram, quando ele passou boa parte do tempo preso, sendo massacrado pela Rede Globo, pela Veja e por outros veículos – assim como sua namorada. Parecia tudo muito imposto – e eu me recusei a aceitar isso.
Mas hoje eu não consegui sentir firmeza no pai. Não consegui ver o sofrimento transbordando no olhar de um pai que acabou de perder a filha dessa forma tão estúpida. Durante a entrevista, Alexandre Nardoni pareceu demasiadamente apático e conciliador. A namorada inconsolável falando dúzias de asneiras, também não me convenceu e pareceu ser um álibi perfeito.
Para ser honesto, em uma situação como essa, eu esperava total passionalidade. Eu precisava ver a fúria nos olhos de um pai com sede de vingança. Era fundamental que o momento ali fosse de total descontrole.
Eu não acho pertinente que ele fique dizendo que nunca levantou a voz para a filha (é claro que isso é mentira). Eu não esperava que ele ficasse se esforçando em provar a sua inocência e o seu equilíbrio na vida familiar. Parece cinismo e cagaço de quem pode passar 30 anos atrás das grades.
Na minha visão, a sua inocência poderia ser comprovada se a indignação e a raiva estivessem evidenciadas. Um pai em uma situação dessas, não pode esperar outra coisa do futuro que não seja a justiça – e de preferência com as próprias mãos.
Mas não: Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá passaram o tempo todo preocupados em provar a inocência e em mostrar as doces lembranças da filha que se foi. Pareceu coisa de uma gente doente e arrependida.
Por algum tempo segue a aflição de não saber ao certo o que aconteceu, mas cada vez mais a situação de Alexandre e Anna Carolina vai se complicando.
Como cidadão e como pai, eu espero sinceramente que a justiça seja feita.
Descanse em paz, Isa.




