Semana passada eu estava conversando com o meu amigo Marcelo Nogueira da área de Criação aqui da agência sobre o livro do Tim Maia, que eu tinha acabado de ler.
O assunto era rico, porque a vida do Tim Maia é uma insanidade sem fim – e o livro que o Nelson Motta escreveu é ótimo. Nós dois gostamos da biografia – e parou por aí a nossa “concordância”.
Teve um ponto da conversa, que derivamos sobre outra questão, muito diferente das epopéias do gordão gente fina da Tijuca. Tim era um compulsivo em tudo na vida – principalmente com comida e drogas.
Eu falei pro Nogueira que achava que se não tivesse sido assim, ele não teria sido o Tim Maia do Brasil. Todos esses excessos eram necessários para que ele virasse um mito e um verdadeiro ícone da musica brasileira.
Fundamentei o meu argumento incluindo outros nomes de célebres artistas, famosos por seus excessos com as drogas: Kurt Cobain, Janis Joplin, Jim Morisson, Jimi Hendrix, Andy Warhol, Renato Russo, Cazuza, etc.
Nogueira foi de uma sinceridade cortante: ele me acusou de “romântico”. Não que isso me ofenda, mas fiquei perturbado com a situação e retruquei, dizendo que não tinha nada a ver com romantismo. Eu achava que os “excessos” eram uma forma de algumas pessoas libertarem o seu melhor, no melhor estilo “living on the edge”.
Ele discorda em gênero, número e grau da minha opinião. O Nogueira acha que isso pode ter limitado o potencial do artista, além de ter abreviado a sua vida.
Isso vindo de um profissional que eu admiro e que está habituado a criar sob enorme pressão – onde a lucidez é uma das suas principais ferramentas de trabalho – é, no mínimo, um grande argumento para que eu reflita melhor sobre o assunto.
O vício aumenta a sensibilidade ou limita a capacidade?
O bluesman Robert Johnson disse que para escrever suas melhores canções, ele precisava estar sofrendo. Não sei se isso estava associado ao consumo de algum tipo de droga, mas certamente é um estado alterado dos sentidos.
No final das contas, acho que a inspiração pode ter muito a ver com o excesso (ou escassez) de serotonina com uso (ou não) de “aditivos”.
Ahhh…e leiam o livro do Nelson Motta, porque é “totalmente excelente”.
Para finalizar, um vídeo legal do nosso “síndico”.














