Já escrevi aqui no Bullshitando sobre o The Police, sobre a volta deles e o show que eles viriam fazer aqui no Brasil (veja aqui).
Desde que o trio anunciou a turnê pela America Latina, no começo de 2007, eu sonhei com esse show. Aliás, eu sonhei a vida inteira em ver essa banda ao vivo e não iria perder essa oportunidade por nada no mundo.
Nas últimas semanas pedi um par de ingressos para um amigo produtor de espetáculos. Estava tudo certo, tranqüilo – e comprei passagens para ir ao RJ – logo depois da formatura da minha filha de 5 anos. Estava tudo certo para chegar a tempo de ver o Paralamas, na área mais VIP do estádio – e curtir o show dos meus sonhos.
A formatura da Gabi atrasou um pouco e o avião atrasou muito. Era pra ter chegado no RJ às 19:00 e acabei chegando 20:40, em cima da hora do show do The Police. Tensão máxima…
O caldo entornou quando não vi ninguém para me entregar os ingressos VIP prometidos. Fiquei insano ligando para as pessoas, inclusive para o tal de Rogério Alves, que era quem tinha garantido a entrega dos ingressos no aeroporto para mim.
Consegui falar com esse cara no telefone e ele pediu 5 minutos, para resolver um assunto e retornar a minha ligação. Daí em diante este filho duma puta (desculpem o palavrão, mas não dá pra ser de outra forma) simplesmente passou a não atender as minhas ligações. Foi inacreditável. Eu saí de São Paulo com minha mulher e estava no Galeão, faltando pouco mais de 15 minutos pro show começar e estava sem os ingressos para o show.
O sangue ferveu.
Peguei um taxi e fui para o Maracanã. Acabei conseguindo dois ingressos para assistir o show do gramado, enquanto soavam os primeiros acordes de “Message In A Bottle”.
Eu jamais sairia de São Paulo para ver esse show no meio da multidão – ou, se não tivesse jeito, eu teria chegado às 5 da tarde no estádio. Naquela altura do campeonato eu não tinha mais nenhuma alternativa – e eu continuava querendo muito ver o The Police. Entrei no Maraca para tentar curtir o show.
Em pouco tempo vi que essa não seria uma missão fácil. Não havia mais espaço para nada. Eu vi poucos shows tão lotados como esse do The Police. Meus pés foram massacrados. Era impossível até tomar água. O palco estava muito longe, mas o som estava bom como poucas vezes pude presenciar em shows no Maracanã.
Aí vamos para a segunda parte da história: o show do The Police.
Tentando isolar a minha revolta por tudo o que tinha acontecido, posso afirmar que eu fiquei decepcionado com o show.

Passei uma hora e meia procurando o Stewart Copeland, mas não consegui achá-lo naquele palco gigantesco. Mandaram no lugar dele um coroa de óculos de grau que usava uma faixa de tenista ridícula na cabeça, luvas de golfe (ao invés de fita isolante nos dedos) e roupinhas justas (parecia um integrante dos Bee Gees). E…faltava toda aquela pressão e atitude do meu baterista preferido. Algumas boas viradas (principalmente no começo do show) e doses cavalares de bom humor não foram suficientes para mudar a minha decepção.
Gastei esse mesmo tempo vendo o Sting evitar as notas mais agudas que sempre o notabilizaram como um dos grandes vocalistas da história do pop rock. A voz falhou feio desde o começo, mas sobrou simpatia e fluência no português (coisa rara nos gringos).
Andy Summers, talvez tenha sido o único a se salvar – apesar de alguns solos mal colocados e das inúmeras ”notas-fora”. É foda ser guitarrista de um power trio com sting e Stewart Copeland. O vovô Summers continua sendo criativo e abusado. Ele bota o pé em todas as divididas.
O grande demérito da apresentação do The Police foi terem feito um show foi muito lento. As músicas se arrastaram melancolicamente e vários compassos mais lentas do que o costume.
Vale lembrar que o The Police foi uma banda que nasceu no meio do movimento punk inglês - e que apesar de terem feito uma mistura de reggae, rock e pop ao longo da carreira, eles nunca deixaram de fazer apresentações cheias de energia e vitalidade.
Power trio é foda. Tem que ser pressão do começo ao fim, porque senão começam a aparecer as imperfeições. As músicas vão ficando esburacadas e sem graça.
Não dá para aceitar a conversa mole que eles estão vinte anos mais velhos, porque os Stones provam o contrário a cada turnê que eles fazem ao longo dos anos. O mesmo pode ser dito do Rush, que fez um show estupendo no Maracanã há alguns anos atrás.
Ainda assim, depois de ter criticado demais o show, preciso dizer que o show do The Police teve um grande mérito. Aliás, dois.
O setlist foi brilhante. Poucas são as bandas que passam duas horas em um palco, na frente de 75mil pessoas – e enfileram hits, um atrás do outro. Mesmo as músicas menos conhecidas agradaram aqueles fãs exigentes que mais conhecem a banda. E, particularmente acho que eles acertaram também em não procurar reproduzir as músicas exatamente como elas eram. Informações novas são sempre bem vindas (mas insisto em dizer que tudo foi muito lento).
Segundo gol de placa: simpatia.
Peraí…The Police simpático? É…eles foram simpáticos com o público e mesmo entre eles.
Nota final para o show: 6,0.
Se eu iria de novo? Sim, claro!
Se você acha que esse post é coerente? Tenho certeza que não…
Hahahahaha…bem vindo ao Bullshitando!