Archive for December, 2007

Fééééééérias

Saturday, December 22nd, 2007

Olá queridos leitores,

A semana passada foi uma correria danada. Vida de publicitário tem dessas coisas…

Como ninguém é de ferro, estou tirando uns dias de férias com a família na Flórida.

É isso aí…Natal e Reveillón no meio de um monte de brasileiros a quase 6mil kms de casa. Pretty funny, duh?

Volto a escrever por aqui a partir do dia 6 ou 7 de janeiro.

Feliz Natal e Bom 2008 para todos.

Jack Sparrow.

Férias na Disney

Amy Winehouse is in the house

Saturday, December 15th, 2007

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Descobri a música Amy Winehouse no começo desse ano, quando ela estava lançando o seu melhor disco “Back To Black”.

Quando ouvi pela primeira vez, foi impossível não lembrar das negonas cantoras de soul music, ou mesmo de alguns grandes compositores desse estilo, que fizeram sucesso há 50 ou 60 anos atrás. Amy é mais do que atual, ela é atemporal – o que nos dias de hoje é muito raro.

Inebriado por aquelas canções fantásticas e pelas letras fortes, passei a acompanhar os passos de Amy, lendo as notícias que passaram a pipocar nos notíciários internacionais.

Filha de um taxista e uma farmacêutica, Amy Jade Winehouse (14/set/1983) cresceu no subúrbio de Londres influenciada musicalmente pelos seus tios, músicos profissionais de jazz.

O seu talento já despontava entre os amigos da vizinhança, quando com apenas 16 anos, foi chamada para fazer um teste para a gravadora Atlantic, que buscava uma nova cantora de jazz.

As 20 anos lançou seu primeiro disco(“Frank”), que fez bastante sucesso na Inglaterra – tendo recebido indicações para prêmios importantes.

Amy tornara-se uma estrela, da noite para o dia. E trabalhou muito durante os anos de 2003 e 2005. Durante esse período começou a se envolver seriamente com drogas e álcool, além de ter desenvolvido doenças como a bulimia e a anorexia, mudando completamente a silhueta e o jeito de menina.

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Tudo chama atenção em Amy, seu talento e seu temperamento. A sua aparência atual não é de uma menina de vinte e quatro anos, mas de uma pinup magra e decadente.

Por diversas vezes, ela não teve condições de cumprir a sua agenda principalmente em função dos seus problemas com a bebida. E assim a imprensa viu em Amy uma excelente pauta para manchetes sensacionalistas e ela passou a ficar cada vez mais revoltada com repórteres e papparazzis, criando tumultos e não respondendo às perguntas.

O segundo disco “Back To Black”, lançado em dezembro de 2006, foi um sucesso estrondoso em todo o mundo – ancorado principalmente pela música “Rehab”, que fala justamente que ela não iria para a clínica de reabilitação.

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Logo no começo do ano de 2007, ela foi o grande destaque do Brit Awards, tendo recebido o prêmio de melhor cantora.

Ao longo desse ano, ao invés de rentáveis turnês mundiais, Amy passou a maior parte do tempo frequentando as páginas dos jornais, com o seu estilo auto destrutivo.

Em agosto ela foi internada com overdose por ter consumido uma quantidade cavalar de whisky, vodca, cocaína, ecstasy e maconha. Pouco tempo depois, deu uma entrevista se cortando na frente do repórter da Spin Magazine – escrevendo o nome do marido na barriga com um pedaço de espelho quebrado.

Seu marido imbecil Blake-Fielder Civil está preso, por causa de uma briga em um bar e isso tem arruinado ainda mais o estado de espírito de Amy, que – para piorar a situação – tem andado com seu amigo Pete Doherty, o junky vocalista da banda Babyshambles.

Nessa foto aí abaixo foi um dia em que os dois doidões se pegaram de porrada no meio da rua.

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Outro dia, ela foi encontrada correndo na rua de sutiã e chorando que nem uma doida varrida – e agora, além de todos os problemas, ela está perdendo os dentes.

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Meu amigo Riba falou que tinha comprado um DVD e eu fiz o mesmo. E assim como a dica dele, a minha sugestão número 1 de presente nesse Natal é o DVD “I Told You I Was Trouble” que acaba de sair, de um show gravado no começo de 2007 em Londres. Esse é um presente para pessoas de qualquer idade. As melhores músicas estão lá e Amy – de certa forma – está bem comportada.

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Ao vivo, a voz de Amy é ainda mais especial do que no CD. Esse show tirou minhas dúvidas sobre a real capacidade dela enquanto cantora. E, com todos esses graves problemas que atormentam a vida, ela canta muito.

É difícil acreditar no futuro dessa talentosa cantora, mas de qualquer forma ela já deixou seu nome marcado entre as grandes cantoras de todos os tempos.

Evandro Mesquita: precisamente carioca.

Saturday, December 15th, 2007

A Blitz fez parte do início da minha adolescência.

Lembro de um dos primeiros shows que vi na vida, foi uma matinê no Canecão na estréia do show Radioatividade, ao lado de um monte de amigos e amigas do Colégio Rio de Janeiro.

Aquilo era espetacular, cores vibrantes, gente bronzeada. A Blitz tem um significado especial, com jeitão mega-descontraído do Rio no começo de 1983.

Com 11 anos, eu começava a viver a minha vida da forma mais intensa, porque descobri as minhas primeiras paixões: o Flamengo, a praia, o futebol-sagrado, as meninas da escola, o gosto por escrever e a música.

Começava naquela época uma fase estupenda da música brasileira. A Blitz era o começo daquilo tudo e eu estava lá, vivendo o meu tempo na velocidade máxima, com a corda e com a maior pressa do mundo.

Hoje de manhã, em meio ao caos aéreo – que me fez mofar no aeroporto Santos Dumont das 08:30 até 12:30 – comprei o livro “Xis Tudo” do Evandro Mesquita.

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Eu sempre achei o Evandro um cara muito especial. Ele é o estereótipo do carioca bacana e prafrentex. É engraçado, mas a sensação que ele me traz é de orgulho. É…eu tenho uma espécie de orgulho pelo fato do Evandro ser carioca, com esse jeito despretensioso, ultra-criativo, bem humorado e articulado. O Evandro é o típico gente fina da turma e nada é mais “Rio de Janeiro” que isso.

O livro dele é fantástico. Os textos do Evandro são hilariantes. Li “Xis Tudo” de cabo a rabo na manhã de hoje. E, quando acabei de ler, já chegando a São Paulo, fiquei lembrando da história da minha vida. O livro me inspirou a também escrever as minhas histórias aqui no meu blog.

Valeu Evandro!

Toshiba Planet Banda Antes

Wednesday, December 12th, 2007

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No começo desse ano, eu era Diretor de Atendimento na Talent e, junto com a MTV, desenvolvemos um projeto bem legal para a Semp Toshiba e para as bandas independentes: foi o Tosiba Planet Banda Antes.

Tratava-se de um grande concurso, que iria durar praticamente o ano inteiro e escolheria a banda do ano, usando votação popular e de júri especializado – com grande envolvimento da MTV.

Particularmente eu acredito que a iniciativa privada é um dos melhores caminhos para revelar novos talentos da música brasileira- ou mesmo para dar condições dos artistas se desenvolverem. É interessante para os dois lados e a equação é bem simples: o artista é um grande catalisador de público através da sua música (independente do estilo) e as empresas estão atrás de oportunidades para falarem de uma forma autêntica e sem barreiras com os consumidores. Ter os artistas como porta-vozes de suas mesnagens publicitárias ou mesmo ter a chance de estabelecer uma maior consideração por parte do consumidor, literalmente vale ouro.

Foi nesse espírito que trabalhei muito para viabilizar esse projeto ao lado do Alessandre Siano, da Fernanda Sarno e do pessoal da MTV. Todos acreditávamos que essa era uma grande oportunidade para o nosso cliente, a Semp Toshiba.

Originalmente também me esforcei para trazer o Rick Bonadio como curador do projeto – e a idéia era lançar em parceria com a MTV e a Universal Music o disco do grande vencedor do concurso. Fizemos reuniões, discutimos formatos mas acabou que isso não foi pra frente da forma que imaginamos basicamente porque eu saí da Talent e também por dificuldades nas negociações entre as partes.

Mas isso não importa tanto assim.

O que importa é que o projeto chegou ao fim e pelo que ouvi dizer, todos ficaram muitos satisfeitos com os resultados: Semp Toshiba, Talent, MTV e bandas participantes.

A final foi no domingo passado (09/dezembro) e a disputa entre Lambrusco Kids (SP), Stereograma (RS), Dálmatas (SC) e Radiare (Campinas) foi vencida pelos gaúchos do Stereograma.

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Não conhecia nenhuma dessas bandas – e isso só reforça o tamanho da cena independente do Brasil. Já escrevi muito sobre isso e volto a falar no assunto. O que realmente está faltando para as (boas) bandas que surgem aos montes é oportunidade.

Assisti a apresentação do Stereograma no MTV Overdrive e achei legal. É um power trio que faz um rock de garagem despretensioso, bem parecido com o Cachorro Grande e Rock Rocket (SP). Cheguei a lembrar também do The Feitos (RJ). Mas pra ser muito honesto, fiquei bem aliviado por não ter aparecido mais uma banda de emocore (chatocore pra caráleocore – leia esse post aqui).

O Stereograma será lançado pela Trama no começo de 2008 e a banda já desponta como uma das revelações para o ano que está por vir. Desejo toda sorte aos guris do Stereograma e espero assisti-los ao vivo, muito em breve.

Tenho certeza que meu nome não estará nos agradecimentos do disco, porque eles não me conhecem e não sabem o quanto eu briguei para viabilizar esse projeto, mas estou em paz porque sei que fiz a minha parte – e pretendo fazer ainda muito mais.

Aguardem…

Nan Goldin, fotografias de (ou da) verdade.

Monday, December 10th, 2007

Outro dia li sobre um escândalo que um jornal inglês acusava o Elton John de pedofilia, depois que a apreendeu uma fotografia de pornografia infantil de uma fotógrafa famosa.

Eu fiquei intrigado. Como é que pode uma fotógrafa famosa fazer fotos de crianças peladas? Isso não fazia muito sentido.

Nesse mesmo dia eu fui ao shopping Vila Lobos e acabei fuçando as prateleiras da Livraria Cultura, procurando o trabalho de Nan Goldin, a tal fotógrafa das fotos.

Descobri que Goldin é uma fotógrafa americana que especializou-se em fotografar “a vida urbana como ela é”. Seus trabalhos incluem diversas facetas do sexo hetero e homossexual, cenas de bêbados e viciados, além da cena pós punk de Nova Iorque. Ou seja: Nan é uma fotógrafa especializada em sexo, drogas e rock n roll.

O conceito soa bem, se não fosse o abuso, se não fosse a total falta de limites. Mas eu refleti sobre isso e concluí que não há como estabelecer limites para uma mente perturbada. Não há como definir o certo e o errado para uma artista que vive da transgressão, como Nan Goldin.

Ela viveu os excessos na pele e desenvolveu um olhar feroz para a realidade, captando em suas fotos a luxúria, o glamour e os devaneios de uma vida desregrada e completamente viciada, para depois confrontar violentamente com toda a depressão e a desgraça de pessoas que se tornam vítimas de doenças fatais como a AIDS.

É uma obra absolutamente chocante e perturbadora, que merece ser vista – mesmo que para se discordar completamente, como é o meu caso…

<a href="http://youtube.com/watch?v=2xKDsrMH-Sg">http://youtube.com/watch?v=2xKDsrMH-Sg</a>

A história da confusão com o Elton John, começou quando a polícia apreendeu uma fotografia de propriedade do músico, que estava em exposição em uma galeria. O motivo do confisco era a suspeita de ser uma foto que violava as leis universais de proteção à juventude, alegando se tratar de pornografia infantil. E a foto é um verdadeiro absurdo.

(10/08/2008) DEVIDO A INÚMEROS PEDIDOS, RESOLVI DELETAR A FOTO.

O escândalo já foi devidamente abafado pelos advogados do Sir Elton John (sim, o fato dele ser condecorado como Sir pela família real inglesa ajudou bastante). A Côrte Inglesa arquivou o assunto. Na verdade, o escândalo funciona como uma forma de publicidade – que para Nan poderia ser muito bom, mas não mais para Elton John ou para a família real.

Podem me chamar de reacionário, de quadrado, do que for…mas esse é o tipo de arte que não agrega nada, que não constrói. Acho lamentável que esse tipo de trabalho seja valorizado.

O show do The Police e o dia em que nada deu certo.

Monday, December 10th, 2007

Já escrevi aqui no Bullshitando sobre o The Police, sobre a volta deles e o show que eles viriam fazer aqui no Brasil (veja aqui).

Desde que o trio anunciou a turnê pela America Latina, no começo de 2007, eu sonhei com esse show. Aliás, eu sonhei a vida inteira em ver essa banda ao vivo e não iria perder essa oportunidade por nada no mundo.

Nas últimas semanas pedi um par de ingressos para um amigo produtor de espetáculos. Estava tudo certo, tranqüilo – e comprei passagens para ir ao RJ – logo depois da formatura da minha filha de 5 anos. Estava tudo certo para chegar a tempo de ver o Paralamas, na área mais VIP do estádio – e curtir o show dos meus sonhos.

A formatura da Gabi atrasou um pouco e o avião atrasou muito. Era pra ter chegado no RJ às 19:00 e acabei chegando 20:40, em cima da hora do show do The Police. Tensão máxima…

O caldo entornou quando não vi ninguém para me entregar os ingressos VIP prometidos. Fiquei insano ligando para as pessoas, inclusive para o tal de Rogério Alves, que era quem tinha garantido a entrega dos ingressos no aeroporto para mim.

Consegui falar com esse cara no telefone e ele pediu 5 minutos, para resolver um assunto e retornar a minha ligação. Daí em diante este filho duma puta (desculpem o palavrão, mas não dá pra ser de outra forma) simplesmente passou a não atender as minhas ligações. Foi inacreditável. Eu saí de São Paulo com minha mulher e estava no Galeão, faltando pouco mais de 15 minutos pro show começar e estava sem os ingressos para o show.

O sangue ferveu.

Peguei um taxi e fui para o Maracanã. Acabei conseguindo dois ingressos para assistir o show do gramado, enquanto soavam os primeiros acordes de “Message In A Bottle”.

Eu jamais sairia de São Paulo para ver esse show no meio da multidão – ou, se não tivesse jeito, eu teria chegado às 5 da tarde no estádio. Naquela altura do campeonato eu não tinha mais nenhuma alternativa – e eu continuava querendo muito ver o The Police. Entrei no Maraca para tentar curtir o show.

thepolice1.jpg 

Em pouco tempo vi que essa não seria uma missão fácil. Não havia mais espaço para nada. Eu vi poucos shows tão lotados como esse do The Police. Meus pés foram massacrados. Era impossível até tomar água. O palco estava muito longe, mas o som estava bom como poucas vezes pude presenciar em shows no Maracanã.

Aí vamos para a segunda parte da história: o show do The Police.

Tentando isolar a minha revolta por tudo o que tinha acontecido, posso afirmar que eu fiquei decepcionado com o show.

 copeland.jpg

Passei uma hora e meia procurando o Stewart Copeland, mas não consegui achá-lo naquele palco gigantesco. Mandaram no lugar dele um coroa de óculos de grau que usava uma faixa de tenista ridícula na cabeça, luvas de golfe (ao invés de fita isolante nos dedos) e roupinhas justas (parecia um integrante dos Bee Gees). E…faltava toda aquela pressão e atitude do meu baterista preferido. Algumas boas viradas (principalmente no começo do show) e doses cavalares de bom humor não foram suficientes para mudar a minha decepção. 

Gastei esse mesmo tempo vendo o Sting evitar as notas mais agudas que sempre o notabilizaram como um dos grandes vocalistas da história do pop rock. A voz falhou feio desde o começo, mas sobrou simpatia e fluência no português (coisa rara nos gringos).

Andy Summers, talvez tenha sido o único a se salvar – apesar de alguns solos mal colocados e das inúmeras ”notas-fora”. É foda ser guitarrista de um power trio com sting e Stewart Copeland. O vovô Summers continua sendo criativo e abusado. Ele bota o pé em todas as divididas.

sting-summers.jpg 

O grande demérito da apresentação do The Police foi terem feito um show foi muito lento. As músicas se arrastaram melancolicamente e vários compassos mais lentas do que o costume.

Vale lembrar que o The Police foi uma banda que nasceu no meio do movimento punk inglês - e que apesar de terem feito uma mistura de reggae, rock e pop ao longo da carreira, eles nunca deixaram de fazer apresentações cheias de energia e vitalidade.

Power trio é foda. Tem que ser pressão do começo ao fim, porque senão começam a aparecer as imperfeições. As músicas vão ficando esburacadas e sem graça.

Não dá para aceitar a conversa mole que eles estão vinte anos mais velhos, porque os Stones provam o contrário a cada turnê que eles fazem ao longo dos anos. O mesmo pode ser dito do Rush, que fez um show estupendo no Maracanã há alguns anos atrás.

Ainda assim, depois de ter criticado demais o show, preciso dizer que o show do The Police teve um grande mérito. Aliás, dois.

O setlist foi brilhante. Poucas são as bandas que passam duas horas em um palco, na frente de 75mil pessoas – e enfileram hits, um atrás do outro. Mesmo as músicas menos conhecidas agradaram aqueles fãs exigentes que mais conhecem a banda. E, particularmente acho que eles acertaram também em não procurar reproduzir as músicas exatamente como elas eram. Informações novas são sempre bem vindas (mas insisto em dizer que tudo foi muito lento).

Segundo gol de placa: simpatia.

Peraí…The Police simpático? É…eles foram simpáticos com o público e mesmo entre eles.

Nota final para o show: 6,0.

Se eu iria de novo? Sim, claro!

Se você acha que esse post é coerente? Tenho certeza que não…

Hahahahaha…bem vindo ao Bullshitando!  ;-)

O maravilhoso mundo da Fender

Saturday, December 8th, 2007

Sou apaixonado por boas histórias.

Costumo comprar biografias de todos os tipos. Já li biografias de astros do rock, de celebridades, jornalistas, empresários e até de atriz pornô (Jenna Jameson).

Gosto também de saber sobre empresas e marcas. Mas a ótica que mais me interessa é a humana. Não tenho nenhuma paciência para livros técnicos e acho que as grandes marcas são feitas por pessoas.

Assim é com a Apple de Steve Jobs. Assim é com a Nike de Phil Knight. Assim é com a Starbucks de Howard Schultz. Assim é com a Harley Davidson, fundada por William Harley e Arthur Davidson. São diversos exemplos de pessoas obstinadas, sonhadoras e visionárias que deram uma contribuição que vai muito além de dividendos aos acionistas.

Definitivamente uma das marcas que eu mais amo é a Fender.

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Clarence “Leo” Fender nasceu em 1909. Aos 37 anos, quando fundou a sua empresa para desenvolver guitarras e amplificadores, certamente não tinha a menor noção do que estava por vir.

O primeiro modelo fabricado pela Fender foi a Squier, seguida da Broadcaster em 1950, que pouco tempo depois teve o seu nome alterado por um pedido da Gretsch (empresa concorrente que produzia um banjo com nome parecido). O novo nome da guitarra tornou-se uma legenda na história da música contemporânea: Telecaster.

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O próximo passo do visionário Leo, foi a criação do contrabaixo Fender Precision. Na época as bandas usavam baixos acústicos enormes – e que cada vez mais perdiam espaço para as ruidosas e agudas Telecasters.

Assim, no começo dos anos 50, começava uma verdadeira revolução na história da música popular americana e ao redor do globo. Aqueles instrumentos eram cada vez mais acessíveis não só aos músicos, mas também aos jovens aspirantes que passaram a sonhar com o sucesso empunhando suas guitarras.

A Stratocaster lançada em 1954, talvez seja o modelo mais famoso de guitarra ao lado da Gibson Les Paul sua principal concorrente por toda a vida. As Strats eram um aperfeiçoamento em cima do projeto das Telecasters. Para concorrer com as guitarras Gibson, Leo Fender desenvolveu uma nova guitarra, que tinha um som fantástico, capaz de ser suave ou agressivo e que, pelo sistema de disposição das tarraxas, dificilmente desafinava.

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Em 1958, vieram as guitarras Jazz Masters e os famosos Jazz Bass. Na década seguinta, 9 entre 10 bandas de surf music da Califórnia (onde era a base da empresa) usavam os modelos Mustang ou Jaguar.

Em 1965 a Fender foi vendida para a CBS por ínfimos U$13milhões. Leo estava doente e achava que ia morrer (ele ainda viveu por muitos anos – até 1991). Outra marca que nasceu pelas mãos de Leo Fender, foi a Music Man nos anos 70. Para mim, esses são os melhores baixos já produzidos de todos os tempos. Leo ainda teve fôlego para montar a G&L no começo dos anos 80, mas apesar de ter produzido bons instrumentos, a marca já não tinha o mesmo carisma da Fender ou mesmo da Music Man.

Mas…voltando à história original…

Nos anos 80, a Fender consolidou-se ao redor do globo, como uma empresa do grupo CBS. Se o volume de vendas ia muito bem, a lucratividade não era nada boa, devida às cópias japonesas e à recessão americana. A CBS não resistiu e saiu do negócio vendendo a empresa em 1985 para o próprio presidente William Schultz.

Nesse momento, houve uma grande mudança na história da empresa. O foco passou a ser na qualidade e não na quantidade. Reedições históricas, instrumentos com acabamentos melhores e um reforço no marketing (patrocínios e linhas assinadas), colocaram a Fender de volta ao coração da juventude.

Se você ainda tem alguma dúvida, vou listar alguns maníacos pelas guitarras Fender: Eric Clapton, Keith Richards, Mark Knopfler (Dire Straits), Jimi Hendrix, Albert Collins, Steve Ray Vaughan, David Gilmour (Pink Floys), John Frusciante (Red Hot Chili Peppers), Ritchie Blackmore, Andy Summers (The Police), Tom Morello (Rage Against The Machine), Jeff Beck, John Mayer, Robert Cray, Buddy Guy, Yngwie Malmsteen, Frank Zappa, entre vários outros.

Entre meus objetos de desejo certamente estão uma guitarra Telecaster (para pendurar na sala).

No próximo post, vou falar sobre os meus baixos preferidos.

O funeral de Kurt Cobain

Saturday, December 1st, 2007

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Sou fã incondicional de Kurt Cobain.

Kurt faz parte de um grupo de gênios como Buddy Holy, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morisson e John Lennon - todos astros do rock que também morreram cedo demais.

Kurt tem um significado muito especial para a juventude dos anos noventa. Ele trouxe de volta uma mística que ficou perdida no rock dos anos 70 e 80. O mundo andava mais “pop” quando o Nirvana surgiu e desconstruiu tudo o que estava estabelecido, sem fazer uso de fórmulas.

O mainstream deve muito ao subumndo do Nirvana.

Kurt trouxe seus rancores, suas angústias e seus temores para serem adorados por uma geração inteira. Sem nunca ter levantado bandeira nenhuma, o Nirvana teve um significado gigantesco para o renascimento do rock. Direto de Aberdeen, uma cidadezinha pequena e chuvosa ao sudeste de Seattle surgiu esse power trio brilhante, vomitando as verdades típicas das bandas de punk rock.

Hoje eu comprei um DVD que levou pouco mais de (absurdos) 14 anos para ser lançado. Nirvana MTV Unplugged – que para mim significa basicamente o funeral de Kurt Cobain, preparado e arranjado por ele próprio.

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Depois de ter lido a obra prima “Heavier Than Heaven” (biografia oficial de Kurt Cobain) e de ter visto esse show com mais cuidado, ficou claro para mim que o líder do Nirvana sabia que aqueles eram os seus últimos momentos. A arrumação do palco com lírios gigantes e candelabros com velas acesas, somada à profunda melancolia de Kurt Cobain fazem desse show um dos momentos mais intensos que eu já pude ver na televisão.

Para quem não é músico ou para quem é, esse show é fundamental por demonstrar de uma forma cirúrgica como funcionava a maior banda de rock da época.

Não há qualquer preocupação com pós-produção, não houve acordos com a MTV para um set list mais simples de ser digerido, não houve qualquer sentido apelativo na gravação desse especial. A voz falhou, algumas notas não entraram corretamente, o violão chegou a estar desafinado. E ainda assim, a platéia passou o tempo todo inebriada pelo clima denso e profundo de um show verdadeiro e histórico.

Novamente, insisto: o Nirvana MTV Unplugged foi o réquiem de um gênio em pleno palco, da forma mais crua possível. O show foi gravado em 18 de novembro de 1993 e Kurt foi encontrado morto em sua casa em 5 de abril de 1994, aos 27 anos.

Por tudo isso esse registro é tão emocionante.

É cinco estrelas, discoteca básica, videoteca básica, “two thumbs up” ou qualquer outro termo que ponha esse show como obrigatório na estante de quem gosta de rock.