Archive for October, 2007

Viva o Halloween!!

Wednesday, October 31st, 2007

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A história do dia das Bruxas vem de muito tempo.

No século V a civilização celta acreditava que no dia 31 de outubro os mortos daquele ano tinham a chance de voltarem à vida incorporando-se nos vivos, o que na crença dessa civilização, essa era a única possibilidade de vida após a morte.

Engraçado ler isso que eu acabei de escrever, porque lembra bastante o argumento usado por Dan O´Bannon, roteirista do clássico trash “A Volta dos Mortos Vivos”, filme de 1985.

Mas, voltando aos celtas…obviamente os vivos não estavam muito a fim de serem possuídos pelos mortos. Então as pessoas se fantasiavam e faziam passeatas horripilantes para que os espíritos não se metessem à besta.

No final do século XVIII os irlandeses (que alguns séculos antes, queimavam as pobres bruxas) levaram o Haloween para os Estados Unidos, que por sua vez, trataram de fazer a propaganda necessária para que o assunto ganhasse notoriedade. Assim nascia o formato similar ao que conhecemos hoje, onde as crianças usam fantasias engraçadas, pedem doces na vizinhança e acendem-se abóboras com velas.

As comemorações têm seqüência nos dias 1 e 2 de novembro, com diferentes significados pelos países, mas todos ligados aos finados. A minha festa preferida é no Mexico, como já disse aqui no Bullshitando. Leia o post completo AQUI.

Não poderia perder a oportunidade de falar sobre um movimento aqui do Brasil que espalhava lambe-lambes revoltados pelas cidades, onde lia-se: “HALOWEEN É O CACETE. VIVA A CULTURA NACIONAL!”. Não sei se esse movimento meio fascista e ufanista ainda existe, mas eu ficava indignado, porque acho que é um momento legal até para que as crianças entendam o significado da vida, de uma forma didática e divertida – com balas e doces (trick or treat?).

Minha filha mesmo veio falar comigo ontem sobre isso – e eu tive a chance de conversar sobre esse momento, de uma forma livre de preconceitos e divertida. Hoje eu levo as balinhas pra ela – e conto de novo a história, porque ela vai pedir com toda certeza.

E, antes que eu corra risco de patrulhamentos, ela também tem acesso à cultura nacional. Ela adora as histórias do Monteiro Lobato, sabe a história do saci pererê, da mula sem cabeça e até do ET de Varginha.

Viva o Halloween!!

A Copa de 2014 é nossa!

Tuesday, October 30th, 2007

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Até que enfim foi feita justiça.

É inaceitável que o Brasil só tenha sediado uma única edição da Copa do Mundo.

Claro que essa é uma questão que é sempre resolvida nos bastidores políticos. A decisão é feita por um grupo de 30 senhores – e não deve ser muito diferente do nosso Senado Federal. Um joguinho de interesses e de vaidades, que determina de 4 em 4 anos o palco do maior evento esportivo do mundo.

De 50 pra cá, a Copa passou pelo Chile, México, Argentina, México, USA, Coréia/Japão e Africa do Sul. Quer dizer, foram nessas edições que o Brasil poderia ser selecionado para sediar o evento. As outras edições entre essas, foram todas na Europa (Suécia, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália, França e novamente a Alemanha).

Já estava mais do que na hora da Copa voltar pra cá mesmo.

E, já posso garantir uma coisa: mesmo faltando 7 anos para acontecer, nós somos mais favoritos ao título do que nunca.

Temos muito trabalho pela frente, para fazer o melhor evento de todos os tempos. Mas o que dói é que vai ter muita gente se aproveitando da situação, para superfaturar obras e para se dar bem financeiramente nessa jogada.

Ainda assim, espero que a Copa do Mundo traga para o país muito investimento internacional, empregos, educação, transporte e benfeitorias em geral.

Que uma parte do investimento dos patrocinadores seja direcionado para melhoria das escolas e hospitais. A oportunidade de darmos um salto de qualidade é gigantesca e não temos o direito de desperdiça-la.

Nú Com A Mão No Bolso.

Saturday, October 27th, 2007

Navegando por aí, descobri um site mucholoco, chamado “Urbanudismo”.

Quer dizer…o site não tem nada demais. As pessoas que fazem ele é que são totalmente crazy.

A idéia dessa galera de Barcelona e de Buenos Aires é fazer as atividades cotidianas mais banais de uma forma muito peculiar: inteiramente nus.

E os incomodados que se mudem, até que a polícia apareça pra prender os peladões.

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Mengão 2007

Monday, October 22nd, 2007

Mais um Campeonato Brasileiro vai chegando ao fim.

Diferente de outros anos, o Flamengo tem mostrado melhores resultados dentro do campo. Se nas últimas temporadas, nós lutamos contra o risco do rebaixamento, nesse ano as coisas foram muito diferentes.

É verdade que chegamos a estar entre os últimos colocados, mas isso tudo tem uma explicação, que vai além da diferença de jogos que tínhamos para os outros times (por não termos jogado durante a realização do Panamericano).

Mas antes de falar sobre a ascensão, precisamos voltar um ano atrás.

No meio de 2006, o Flamengo suou um bocado para ganhar do modesto Ipatinga nas semifinais da Copa do Brasil. O Ipatinga tinha eliminado times como o Fluminense e o Santos, nas fases anteriores.

Por um devaneio da diretoria, resolveu-se achar que a solução estava em usar o Ipatinga como plataforma de salvação para o Flamengo. Era como se fosse uma miragem, investir em um time do interior de Minas e trazer os principais destaques para jogar na Gávea.

E o plano “ambicioso” começava com a contratação do técnico Ney Frango.

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Por sorte (ou azar), o Ney Frango chegou justamente para os jogos das finais da Copa do Brasil, contra o nosso principal adversário: o vasco. E independente de qualquer coisa, o Flamengo é time que cresce nessas horas. Não vejo nenhum mérito no Ney Frango pela conquista da Copa do Brasil.

Aí veio a seqüência co Campeonato Brasileiro, com o time recheado de jogadores do Ipatinga, como Walter Minhoca, Leo, Paulinho, Leo Medeiros, Leandro Salino, Luizinho, entre outros. O resultado foi patético. Mas tinha a desculpa do time não ter maiores pretensões, já que a Libertadores estava garantida.

Vendemos o Jônatas e repatriamos o Sávio (o que durou apenas 6 meses, graças a Deus).

Em uma arrancada final, o Flamengo conseguiu chegar no Brasileirão em 11º lugar.

Nei Frango começou a temporada de 2007 sugerindo diversas contratações como Irineu, Thiago Gosling, Moysés, Gérson Magrão, Roni, Jaílton, Claiton, Leo Lima, Juninho Paulista, Leonardo (Paraná) e Souza (Goiás).

Desses todos, o único que poderia ser considerada uma boa aposta era o Souza, muito porque tinha sido o artilheiro do Campeonato Brasileiro passado.

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Esses erros de planejamento sempre cobram o seu preço da pior forma possível.

A Taça Guanabara até que foi muito fácil. Os outros times totalmente desajeitados não fizeram frente ao Flamengo – que havia feito uma excelente pré-temporada. O único que fez isso foi o Madureira que meteu 4 a 1 durante o Carnaval em um sol de 60 graus na Rua Conselheiro Galvão. Naquela semana tínhamos jogado contra um time boliviano na altitude ridícula de Potosí. Mas fomos à forra pouco depois, devolvendo o resultado na final do campeonato. Já na Taça Rio, o castelinho de areia começou a ruir e o time não se encontrou mais, não tendo nem disputado o quadrangular decisivo. Tinha sempre a desculpa de estar disputando a Libertadores.

Pra dizer a verdade, o Flamengo até foi bem na primeira fase da Libertadores. Fomos o segundo melhor time entre os 32 que estavam disputando a competição. Obstinação de quem estava levando a história a sério. Mas era esquisito, porque dava pra ver nitidamente que o time não tinha jogadas.

E, assim, logo nas oitavas caimos diante do Defensor, um time Uruguaio de quinta categoria, que usava um uniforme roxo. O primeiro jogo foi um massacre – o time atônito não passava do meio de campo e tomou um 3 X 0 – que ficou barato. No jogo da volta, no Maracanã, aconteceu uma coisa importante. A torcida esteve presente, depois de muitos anos, empurrando o time o tempo todo. O Flamengo, não conseguiu a quantidade de gols necessária para passar de fase, muito por falta de qualidade no campo e no banco e pela péssima arbitragem, mas a arquibancada cantou, cantou e não parou mais.

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Como consolo, entre os dois jogos com o Defensor, o Mengão ganhou o Campeonato Carioca em cima do Botafogo. O Botafogo tem um estigma inversamente proporcional ao do Flamengo. Eles costumam amarelar nas finais. E, mesmo com um time muito melhor, isso aconteceu no dia 6 de maio. De novo a torcida fez muita diferença. A máxima “deixaram o Flamengo chegar, agora fodeu” – mais uma vez foi a razão do sucesso. E, assim como tinha acontecido contra o Defensor, como já disse antes, a torcida teve papel fundamental nesse jogo.

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O cenário foi ficando ainda mais sombrio, quando o único jogador diferenciado do time, que tinha sido eleito o craque do Campeonato Brasileiro de 2006, estava de saída. Renato foi para um time árabe, deixando a torcida órfã de um jogador raçudo, que encarnava o espírito guerreiro e sempre fazia golaços, principalmente de falta.

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A situação no Brasileiro era caótica: em 12 jogos, o bando de Ney Frango conseguiu a proeza de conquistar 12 pontos, com apenas duas vitórias. Quando estava dando toda a pinta de ser mais um ano daqueles, de luta contra o rebaixamento, a Diretoria finalmente resolveu agir.

Primeiro passo: contratar Joel Santana. Um técnico que consegue tirar o máximo dos jogadores, fechando grupo e com uma história vitoriosa no Flamengo.

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Segundo passo: fazer melhores contratações. Em uma semana vieram Ibson, Roger (eu não gosto) e Fabio Luciano. E para completar o grupo, mais duas apostas: Christian (trocado pelo estorvo Claiton) e Maxi Biancucci (um argentino invocado).

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Terceiro passo: atuar nos bastidores, impedindo o time de jogar durante o Panamericano. Isso deu a possibilidade de ser feita uma preparação decente.

Quarto passo: lançamento do uniforme comemorativo de 1981 e aproximação com a torcida. Flamengo é um time de tradição e o manto sagrado precisa ser tratado com toda pompa.

E, no começo de agosto, começou um processo de identificação entre a torcida e o time. A torcida voltou a apoiar, indo em massa ao Maracanã. De dois meses para cá o Flamengo teve nada menos do que 8 das 10 maiores bilheterias entre todos os times que disputam a série A do Brasileiro.

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O time começou a jogar, a ter determinação e a correr em todas as bolas. E, tendo uma enorme seqüência de jogos em casa, pode fazer uso do fator campo com o Maracanã invariavelmente lotado.

Algo aconteceu com o Flamengo. Eu não sei dizer ao certo, mas essa simbiose entre a torcida e o time teve um significado maior – coisa que eu não via desde os anos 80. É vital saber aproveitar isso.

Ontem o Flamengo ganhou (com sobras) do Grêmio em um Maracanã lotado com quase 75mil pessoas. O time está em 6º lugar na tabela de classificação e há a possibilidade (ainda que remota) de chegarmos pelo segundo ano consecutivo na Libertadores da América.

Precisamos lutar. Teremos 3 jogos no Maraca e vamos brigar por cada bola, para chegar lá.

Conseguindo isso (ou não), o importante é o aprendizado.

O Flamengo precisa voltar a pensar grande. Não dá mais para contratar por contratar, assim como não dá para abrir mão dos principais jogadores por uma sacola de dólares ou de euros. Temos que formar um grupo para disputar todos os campeonatos, mas principalmente o Campeonato Brasileiro (e a Libertadores, se vier).

O São Paulo será campeão desse ano, nós não seremos mais os maiores vencedores: estaremos empatados com eles com cinco títulos.

Em minha opinião, esses devem ser os 5 mandamentos para serem seguidos a partir de HOJE:

1) Acabar de construir o CT em Vargem Grande e investir mais nas categorias de base;

2) Arrendar o Maracanã e fazer grandes contratos de exploração publicitária;

3) Manter o técnico. Nada de projetos estúpidos para trazer Wanderley Luxemburgo. Não é disso que precisamos;

4) Lançar um projeto correto de sócio torcedor, para arrecadar recursos da nossa torcida gigantesca, mas com total responsabilidade.

5) Time: Já começamos 2008 muito bem, tendo contratado o Kléberson. Precisamos manter o Bruno, custe o que custar. Roger não é necessário (e é muito caro), mas precisamos muito de um camisa 10 para cuidar da criação (Riquelme é o meu preferido). Devemos nos esforçar para manter o mesmo elenco que está acabando esse ano – porque já há identificação da torcida com o grupo. Se for possível trazer reforços, valeria pensar em um zagueiro de seleção e um centroavante também de seleção. Nada de inchar elenco com jogadores inexpressivos e também não podemos estourar orçamento. A fase é de responsabilidade.

Passo a passo, nós voltaremos a ser o Flamengo: o maior time do mundo.

TIM Festival 2007

Sunday, October 21st, 2007

Vem aí mais um Tim Festival.

Essa é a sexta edição do festival, que sempre traz boas atrações para o Brasil. É um absurdo, mas esse é o único festival internacional de música que temos todos os anos.

Já vi excelentes shows no MAM/RJ. Nesse ano, vou ter que encarar o Anhembi, que não chega nem perto daquele ambiente sensacional, mas pelo menos eu poderei ver de perto a Juliette Lewis, a molecada do Arctic Monkeys e The Killers. São 3 shows que eu espero há bastante tempo para ver. Eu também queria muito ver a Feist e a princesinha Cat Power em ação. Mas acho que não vai rolar.

A Juliette Lewis é um caso à parte – e já vi uma prévia muito bem comportada no VMB que rolou no mês passado. Ela canta de verdade e a banda é fodona. Espero que no domingo que vem ela esteja alucinada como nesse vídeo que posto aí abaixo.

<a href="http://youtube.com/watch?v=QB8bZJ9psms">http://youtube.com/watch?v=QB8bZJ9psms</a>

The Killers já é uma outra parada. Eu sou fissurado no disco de estréia deles, mas esse último não me disse muito. Tem algumas coisas legais, como “Bones” e “When You Were Young”. Mas não se compara ao Hot Fuss que tem “Somebody Told Me”, “Jenny Was A Friend Of Mine”, “Andy, You’re A Star”, “Mr Brightside”, entre outras. Fica a expectativa por um bom setlist – porque o show vai começar na madrugada de domingo pra segunda. Curtam o ótimo clipe da ótima “Bones”.

<a href="http://youtube.com/watch?v=48fTXkMR9ts">http://youtube.com/watch?v=48fTXkMR9ts</a>

Arctic Monkeys é uma banda muito legal. Quando eu era diretor de Marketing do iBest em 2005 – quase conseguimos trazê-los para o Curitiba Rock Festival. Na última hora (infelizmente) o pessoal da produção optou pelos Raveonettes (e, claro, Weezer). Paciência…se não rolou naquela época, que seja agora.

<a href="http://youtube.com/watch?v=3F5emj8srAo">http://youtube.com/watch?v=3F5emj8srAo</a>

Pra completar o serviço, segue uma lista com as melhores atrações ano a ano do TIM Festival, desde 2000.

2000 – Sonic Youth.

2001- Belle & Sebastian, Macy Gray, Orishas, Sigur Rós e Fatboy Slim.

2002 – Não houve festival.

2003 – K.D. Lang, The Rapture, White Stripes, Public Enemy, Front 242, Peaches e Super Furry Animals.

2004 – Primal Scream, Kraftwerk, PJ Harvey, Brian Wilson, The Mars Volta, The Libertines e Brandford Marsalis.

2005- The Strokes, The Arcade Fire (o melhor show que vi em todos os anos desse festival), De La Soul, Morcheeba, Wayne Shorter, Wilco, Television, Kings Of Leon e Elvis Costello.

2006 – Daft Punk, Beastie Boys, Yeah Yeah Yeahs, Patti Smith, TV on the Radio e Thievery Corporation.

2007 – Arctic Monkeys, The Killers, Hot Chip, Spank Rock, Björk, Juliette & The Licks, Cat Power e Feist.

Tudo o que você sempre quis saber sobre o Rock Australiano…

Saturday, October 20th, 2007

Se existem duas coisas que eu já quis ser nessa vida, elas foram: surfista e rockstar.

Cheguei a ter alguns momentos como baixista e compositor, mais recentemente como produtor e empresário de banda de rock. Como surfista eu não tive a mesma sorte. Meu amigo Rodrigo Aguirre (com quem infelizmente não falo há muito tempo) vivia dizendo que eu nem ficava em pé na pranchinha e eu dizia que pelo menos não tinha chegado perto da morte por causa de um arroto, depois de um caldo.

Sacanagens à parte, a verdade é que eu estou aposentado dessas duas funções há um bom tempo, mas a minha admiração por esses dois assuntos não diminui. Além do estilo de vida saudável, com uma moda peculiar e a paixão pelo dia, os surfistas possuem um excelente gosto para a música.

No final dos anos 50 e durante a década seguinte, surgiram as primeiras bandas de “surf music”. Beach Boys e Dick Dale representam bem o estilo dessa época – que influenciou o rock para sempre. Os anos 80 também foram ricos em bandas de Surf Music e os dois principais celeiros dessas bandas e também de destaques para o surf mundial eram a Califórnia e a Austrália.

Hoje vou escrever um pouco sobre as principais bandas do rock australiano, ou como a galera costuma chamar: aussie rock.

Hoodoo Gurus: formada em 1981, pelo cantor e guitarrista Dave Faulkner, essa é a melhor banda de rock australiano (na minha humilde opinião). O primeiro disco é o fantástico “Stoneage Romeos” de 1983 – que é considerado por muitos como um dos melhores discos de rock australiano. Mas o disco que exportou os Hoodoos Gurus foi o espetacular “Blow Your Cool” de 1987, quando eles fizeram a sua primeira grande turnê, abrindo shows para as meninas dos Bangles (daquela música “Walk Like An Egyptian”, vocês lembram?). Em 1989, estouraram nas college radios americanas com o ótimo disco “Magnum Cum Louder” e em 1991 lançaram o seu disco mais popular: “Kinky”. É desse disco a minha preferida deles “A 1000 Miles Away”. A banda brigou e voltou três anos mais tarde com “Crank” – que foi a turnê que trouxe eles em 1995 para um dos melhores shows que eu já vi. Em 1998 a banda acabou – e quando parecia que isso era definitivo, os Gurus voltaram em 2004 com o razoável disco Mach Schau. Dizem que os shows estão melhores do que nunca. Será que terei uma nova chance de vê-los ao vivo? Tomara…

<a href="http://youtube.com/watch?v=HDlavnA1ck8">http://youtube.com/watch?v=HDlavnA1ck8</a>

Men At Work: a mais famosa e a primeira banda a romper os limites dos “Outbacks” para invadir as rádios de todo o mundo com vários sucessos. A banda de Colin Hay emplacou “Down Under”, “Who Can It Be Now” e “Overkill” como canções obrigatórias em qualquer coletânea de pop rock dos anos 80. Em 1982, eles receberam o Grammy como revelação e no auge do movimento new wave, o disco de estréia foi um dos discos mais vendidos da década. Lançaram mais dois discos e a banda acabou em 1985. Depois de longas férias, Colin Hay e Greg Ham (flauta e saxofone), lançaram mais alguns discos usando músicos contratados, mas o encanto já não era o mesmo. Em 1990, Colin Hay ainda lançou o pop-chiclete “Into My Life” e chegou a reunir a banda para gravar o último disco ao vivo no Rio de Janeiro (onde eles eram adorados). Saca só esse vídeo de um show deles no comecinho dos anos 80. Pareciam umas bichas.

<a href="http://youtube.com/watch?v=B1hNF9OvfW8">http://youtube.com/watch?v=B1hNF9OvfW8</a>

INXS: mais um fenômeno de popularidade, o INXS chegou a ser considerada como uma das 3 maiores bandas de rock do mundo no começo dos anos 90. Inicialmente, o disco “Listen Like Thieves” era um must entre os skatistas. E como o universo alternativo dos skatistas e surfistas é sempre uma mola propulsora para ditar tendências, o disco seguinte “Kick” (1997) vendeu mais de 8 milhões de cópias ao redor do globo. Com uma boa dose extra de açúcar e pretensão, Michael Hutchence e seus amigos emplacaram vários hits nas rádios ao redor do globo, como: “Need You Tonight”, “Devil Inside”, “New Sensation” e a maravilhosa “ Never Tear Us Apart”. O disco seguinte, ainda mais pop, e que mudou de forma definitiva a vida do INXS foi “X”, com as músicas “Suicide Blonde”, “Disappear”, “Bitter Tears”, entre outras. O sucesso teve seu preço. Michael Hutchence era mais do que um vocalista e um líder de personalidade forte. Ele era presença obrigatória nos eventos do mundo fashion, onde consumia quantidades estratosféricas de anfetaminas e estimulantes com a sua namoradinha, a modelo e dublê de cantora Kyle Minogue. Mesmo tendo lançado outros discos depois de “X”, a banda só voltou ao noticiário em novembro de 1997, quando Hutchence foi encontrado enforcado em um hotel de Sydney. Depois disso, as tentativas de continuar o trabalho com outro vocalista não deram certo. Em 2005 chegaram a fazer um reality show (“Rock Star”) para achar um vocalista, mas pelo visto, o vencedor (que era um canadense dublê de Elvis) não trouxe grandes novidades.

<a href="http://youtube.com/watch?v=p6lT958-BGM">http://youtube.com/watch?v=p6lT958-BGM</a>

Midnight Oil: outra banda das boas, com letras de cunho social e politicamente corretas. Peter Garret, o vocalista gigante com jeitão de skinhead, é presença certa em ações do Greenpeace e de movimentos que promovam a responsabilidade com o meio ambiente. O Midnight Oil lançou diversos discos e hits. O primeiro disco deles é de 1978, mas o período mais fértil só veio 10 anos depois (entre 1987 e 1990), quando lançaram os ótimos “Diesel Are Dust” e “Blue Sky Mine”. Foi em 1988 que eles fizeram um show que lotou o Maracanãzinho (eu estava lá) e que fez chacoalhar a galera ao som de “Beds Are Burning”, “The Dead Heart”, “Sometimes”, “Forgotten Years”, “Blus Sky Mine”, “King Of The Mountain”, entre outras. Depois de 14 álbuns e mais de 25 anos de atividade, Garrett cansou e decidiu sair da banda para virar político – e desde então nunca mais ouvi falar.

<a href="http://youtube.com/watch?v=lJiwLOUJOMA">http://youtube.com/watch?v=lJiwLOUJOMA</a>

Australian Crawl: lançaram poucos discos ao longo dos seis anos de duração da banda. Mas tinha um estilo próprio e menos pop. Para mim, as melhores músicas do Australian Crawl são: The Boys Light Up”, “Oh No, Not You Again”, “Errol”, “White Limbo” e “Beautiful People”.

<a href="http://youtube.com/watch?v=ynLRKpQFs04">http://youtube.com/watch?v=ynLRKpQFs04</a>

Spy vs Spy: é um das bandas mais características de surf music. Dizem que eles ficaram mais conhecidos no Brasil do que na Austrália. Não sei se isso é verdade, mas de fato eles passaram um bom tempo vindo ao Brasil duas vezes por ano para tocar no Rio e em São Paulo. A turnê de despedida passou por diversas cidades brasileiras em 2002. A música “Clarity Of Mind” é clássica. Com certeza você já deve ter ouvido…

<a href="http://youtube.com/watch?v=AtQ9gETkF4g">http://youtube.com/watch?v=AtQ9gETkF4g</a>

Divinyls: quem não lembra daquela voz manhosa cantando “I Touch Myself”? Christina Amphlett, vocalista dos Divinyls era a maior gostosa – e fazia a onda putona nos palcos. O melhor disco deles é o de estréia, de 1991 – que também se chama “Divinyls”. Depois de mais de 10 anos longe dos palcos, dizem que eles planejam lançar um novo disco em 2008.Só não tenho certeza se Christina Amphlett ainda vai convencer com aqueles cabelões com coques gigantescos e meia arrastão – espero que o Divinyls não se torne um pastiche, um refém da sua fórmula original.

<a href="http://youtube.com/watch?v=zTneO6UgRuM">http://youtube.com/watch?v=zTneO6UgRuM</a>

Hunters & Collectors: essa é totalmente “b-side”. Comprei o disco porque gostei da capa em uma loja de CD´s usados no SoHo, em Nova Iorque. Esse disco chama-se “Ghost Nation” e está na minha prateleira até hoje. É de lá a música “When The River Runs Dry”, que é a cara de uma época importante da minha vida, no começo da faculdade. Tenho a impressão que H&C é uma grande banda, mas que nunca estourou. Gosto muito dos arranjos de metais e do estilo do vocalista Mark Seymour, meio dramático.

<a href="http://youtube.com/watch?v=737AoMcM0EI">http://youtube.com/watch?v=737AoMcM0EI</a> Gang Gajang: um som muito especial, com naipe de metais, violão e arranjos interessantes, o Gang Gajang lançou pouquíssimos discos, mas conquistou a tchurma mais antenada. Não chegaram a fazer muito sucesso em outros lugares, mas no Rio de Janeiro eles fizeram alguns shows lotados em 1995 e as melhores músicas eram: “Gimme Some Lovin´”, “Giver Of Life” e “Lingo”.

Boom Crash Opera: essa é uma ilustre desconhecida – e talvez a mais pop de todas as bandas australianas. Lembra um pouco o Tears For Fears, com pitadas de bases eletrônicas, mas nada rebuscado. A proposta do “BCO” é beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem comercial. Tenho dois bons discos deles. O melhor chama-se “These Here Are Crazy Times” de onde eu escolho a música “Onion Skin”, como a melhor faixa.

Lime Spiders: facção mais nervosinha e alternativa de rock australiano, eles faziam um som mais para o punk rock e lançaram uns 3 ou 4 discos entre 1985 e 1990. Conheci essa banda de uma fita que um amigo gravou pra mim no final da minha época de escola.

Além dessas, a Austrália tem uma série de bandas fantásticas de rock (que não são consideradas bandas de surf music). A maior de todas é o excepcional AC/DC, mas também tem o Silverchair, The Vines, Crowded House, The Dream Syndicate e recentemente o Wolfmother entre várias outras.

A Seleção e o Maracanã

Thursday, October 18th, 2007

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O que aconteceu nessa última noite foi um verdadeiro espetáculo no campo e nas arquibancadas.

De um tempo pra cá, principalmente depois do banho de loja que levou na época dos jogos Panamericanos, o Maracanã vem sendo palco de grandes bilheterias – de uma torcida apaixonada.

Isso tem acontecido nos principais jogos do Campeonato Brasileiro, principalmente do meu Mengão e ontem foi a vez da Seleção…

Dizem que foi uma confusão fodida do lado de fora, com cambistas, flanelinhas, carros rebocados, etc. Mas…do lado de dentro do estádio, 100 mil bandeirinhas foram distribuídas para mais de 70 mil pessoas, dando um lindo clima retrô. E a torcida cantou, apoiou, botou pressão no adversário.

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Foi realmente bonito de se ver e eu lamento muito por não ter ido lá. Essas são as piores horas de não morar mais no Rio.

Em campo, um inapelável sacode de 5 a 0 em cima do Equador, que foi ao Rio de Janeiro apenas para se defender. Enquanto eles fizeram isso, o jogo estava até duro. Para colaborar, a Seleção também não teve tanta inspiração no primeiro tempo e até os 15 minutos do segundo tempo.

Mas depois do segundo gol, a porteira abriu e o futebol arte apareceu, nos dribles desconcertantes de Robinho, no passes de Ronaldinho, nos chutes certeiros de Kaká. O terceiro gol de Kaká com um lindo chute no ângulo e o quarto gol de Elano, depois de uma jogada antológica de Robinho em cima de 3 equatorianos foram duas obras-primas.

As perguntas que todo mundo fez no final da noite foram: como é que pode a Seleção ficar absurdos 30 jogos longe do seu próprio país? Como é que pode o Maracanã ficar sete anos sem receber um jogo da Seleção?

Dizem que pode ser exigência do patrocinador, mas antes de ser um dos principais produtos de exportação, o futebol brasileiro é do Brasil e não dá para abrir mão disso. Espero sinceramente que tenha ficado a lição e que a seleção conviva mais com os seus maiores torcedores.

Cada dia que passa, eu tenho mais certeza que uma Copa do Mundo no Brasil será um dos espetáculos mais emocionantes da história.

Que venha 2014!

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Radiohead: quanto vale o show?

Tuesday, October 16th, 2007

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Meu amigo Riba é fã incondicional do Radiohead. No nosso último almoço, ele defendeu com unhas e dentes que essa é a maior banda do planeta.

Eu não concordei com ele, mas sempre respeito muito as suas opiniões. Ele é um cara muito antenado e conceitual, quando o assunto é rock. Acho que eu sou bem menos “conceitual” que ele, porque gosto de umas coisas que ele tem vontade de vomitar.

Mas a vida é assim. Cada um tem a sua opinião…

Voltando ao Radiohead, devo confessar que apesar de eu gostar moderadamente em termos musicais, eu venho cada vez mais admirando a postura de Thom Yorke e sua turma.

Eles acabam de lançar o seu novo disco de uma forma muito inusitada.

“In Rainbows” custa quanto o consumidor quiser pagar. É isso mesmo. Vou escrever de novo: o disco custa quanto você quiser. É só ir ao site http://www.inrainbows.com, passar o cartão de crédito e definir um valor qualquer para ter acesso ao download das 10 faixas sem o tal de “DRM”, que é a proteção para gravação / execução das músicas.

É simples assim.

Eles também irão vender pelo site edições limitadas em vinil e em CD, com faixas extras e encarte especial, e mesmo uma caixa com capa dura reunindo farto material que custa 40 libras.

As lojas só receberão os discos em 2008.

Abre-se assim um enorme precedente onde a banda começa a estabelecer uma relação comercial com os seus fãs, independente das gravadoras ou mesmo das lojas de discos.

Eu nunca estive tão convicto que esse é o caminho do futuro para a música. Até é verdade que a pirataria pode continuar acontecendo, mas para que? Por que não pagar um valor justo pelas músicas, de acordo com o que o consumidor acha. Nem é preciso que seja muito. O valor aqui é arbitrário e pessoal.

Isso é o que eu chamo de revolução.

A Verdade está na cara, mas não se impõe (Arnaldo Jabor)

Monday, October 15th, 2007

Sempre que posso, eu leio, ouço ou vejo o Arnaldo Jabor. Acho o Jabor um brasileiro notável, inconformado com a sacanagem reinante, com um olhar crítico apurado. Eu faço questão de abrir espaço no Bullshitando para ele. Aliás…para ele, não…para denunciar a putaria que o Lula e seus asseclas estão fazendo no nosso país.

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Realmente estamos sob novo AI-5, neste governo do Lula.

O Boris Casoy foi calado, despedido por ordem do Lula.

Agora, o Jabor foi processado, condenado, calado por ordem do Lula.

É um escândalo!

A imprensa divulgou a sentença que condenou o Jabor a pagar indenização por danos morais, dois dias antes do Juiz assinar a sentença. Agora o Jabor foi calado na CBN.

O Diogo Mainardi, além de processado, sofreu ameaças de morte no jornal do MR-8 (da base aliada do Lula).

Há Medida Provisória enviada pelo Lula ao Congresso, instituindo a censura prévia aos programas de rádio e TV.

Estou gritando CENSURA PRÉVIA, inclusive aos programas jornalísticos.

Os censores já estão nomeados. São muito jovens com a participação de estudantes da Universidade de Brasília (todos DEMENTES e Petistas é claro).Agora só faltam as torturas e desaparecidos.

Vamos denunciar isto pela Internet e por todos os meios que pudermos.

O Arnaldo Jabor foi expulso da CBN!

Leia o comentário de Dora Kramer, Estadão de Domingo:

‘A decisão do TSE que determinou a retirada do comentário de Arnaldo Jabor do site da CBN, a pedido do presidente ‘Lula’ até pode ter amparo na legislação eleitoral, mas fere o preceito constitucional da liberdade de imprensa e de expressão, configurando-se, portanto, um ato de censura.’

Em outro trecho:

‘Jabor faz parte de uma lista de profissionais tidos pelo Presidente Lula como desafetos e, por isso, passíveis de retaliação à medida que se apresentem as oportunidades!’

Vamos ao texto do Jabor.

* * *

“O que foi que nos aconteceu?”

No Brasil, estamos diante de acontecimentos inexplicáveis, ou melhor,’explicáveis’ demais.

Toda a verdade já foi descoberta, todos os crimes provados, todas as mentiras percebidas. Tudo já aconteceu e nada acontece.

Os culpados estão catalogados, fichados , e nada rola.

A verdade está na cara, mas a verdade não se impõe.

Isto é uma situação inédita na História brasileira.

Claro que a mentira sempre foi a base do sistema político, infiltrada no labirinto das oligarquias, mas nunca a verdade foi tão límpida à nossa frente e, no entanto, tão inútil, impotente, desfigurada.

Os fatos reais: com a eleição de Lula, uma quadrilha se enfiou no governo e desviou bilhões de dinheiro público para tomar o Estado e ficar no poder 20 anos.

Os culpados são todos conhecidos , tudo está decifrado, os cheques assinados, as contas no estrangeiro, os tapes, as provas irrefutáveis, mas o governo psicopata de Lula nega e ignora tudo.

Questionado ou flagrado, o psicopata não se responsabiliza por suas ações.

Sempre se acha inocente ou vítima do mundo do qual tem de se vingar.

O outro não existe para ele e não sente nem remorso nem vergonha do que faz.

Mente compulsivamente, acreditando na própria mentira, para conseguir poder.

Este governo é psicopata!

Seus membros riem da verdade, viram-lhe as costas, passam-lhe a mão nas nádegas.

A verdade se encolhe, humilhada, num canto.

E o pior é que o Lula, amparado em sua imagem de ‘povo’, consegue transformar a Razão em vilã, as provas contra ele em acusações ‘falsas’, sua condição de cúmplice e Comandante em ‘vítima’.

E a população ignorante engole tudo.

Como é possível isso?

Simples: o Judiciário paralítico entoca todos os crimes na Fortaleza da lentidão e da impunidade. Só daqui a dois anos serão julgados os indiciados – nos comunica o STF.

Os delitos são esquecidos, empacotados, prescrevem.

A Lei protege os crimes e regulamenta a própria desmoralização.

Jornalistas e formadores de opinião sentem-se inúteis, pois a indignação ficou supérflua. O que dizemos não se escreve, o que escrevemos não se finca, tudo quebra diante do poder da mentira desse governo. Sei que este é um artigo óbvio, repetitivo, inútil, mas tem de ser escrito…

Está havendo uma desmoralização do pensamento. Deprimo-me:

‘ Denunciar para quê, se indignar com quê? Fazer o quê?’.

A existência dessa estirpe de mentirosos está dissolvendo a nossa língua.

Este neocinismo está a desmoralizar as palavras, os raciocínios.

A língua portuguesa, os textos nos jornais, nos blogs, na TV, rádio, tudo fica ridículo diante da ditadura do lulo-petismo.

A cada cassado perdoado, a cada negação do óbvio, a cada testemunha, muda, aumenta a sensação de que as idéias não correspondem mais aos fatos!

Pior: que os fatos não são nada – só valem as versões, as manipulações.

No último ano, tivemos um único momento de verdade, louca, operística, grotesca, mas maravilhosa, quando o Roberto Jefferson abriu a cortina do país e deixou-nos ver os intestinos de nossa política.

Depois surgiram dois grandes documentos históricos: o relatório da CPI dos Correios

e o parecer do procurador-geral da República.

São verdades cristalinas, com sol a Pino. E, no entanto, chegam a ter um sabor quase de ‘gafe’.

Lulo-Petistas clamam: ‘Como é que a Procuradoria Geral, nomeada pelo Lula, tem o desplante de ser tão clara! Como que o Osmar Serraglio pode ser tão explícito e como o Delcídio Amaral não mentiu em nome do PT? Como ousaram ser honestos?’.

Sempre que a verdade eclode, reagem.

Quando um juiz condena rápido, é chamado de ‘exibicionista’.

Quando apareceu aquela grana toda no Maranhão (lembram, filhinhos?), a família Sarney reagiu ofendida com a falta de ‘finesse’ do governo de FHC, que não teve a delicadeza de avisar que a polícia estava chegando…

Mas agora é diferente.

As palavras estão sendo esvaziadas de sentido.

Assim como o stalinismo apagava fotos, reescrevia textos para contestar seus crimes, o governo do Lula está criando uma língua nova, uma neo-língua empobrecedora da ciência política, uma língua esquemática, dualista, maniqueísta, nos preparando para o futuro político simplista que está se consolidando no horizonte.

Toda a complexidade rica do país será transformada em uma massa de palavras de ordem,

de preconceitos ideológicos movidos a dualismos e oposições, como tendem a fazer o Populismo e o simplismo.

Lula será eleito por uma oposição mecânica entre ricos e pobres, dividindo o país em ‘a favor’ do povo e ‘contra’, recauchutando significados que não dão mais conta da circularidade do mundo atual.

Teremos o ’sim’ e o ‘não’, teremos a depressão da razão de um lado e a psicopatia política de outro, teremos a volta da oposição Mundo x Brasil, nacional x internacional e um voluntarismo

que legitima o governo de um Lula 2 e um Garotinho depois.

Alguns otimistas dizem: ‘Não… este maremoto de mentiras nos dará uma fome de Verdades’!

A Elite da Tropa de Elite

Saturday, October 13th, 2007

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Finalmente assisti Tropa de Elite.

Passei esses últimos meses, resistindo à tentação de ver a versão pirata (que acho que não passou de uma boa estratégia de marketing), porque eu queria muito ver esse filme no cinema.

Não me arrependi nem um pouco. O filme é brilhante: é elucidativo e inspirador ao mesmo tempo. Sem entrar em detalhes, para não prejudicar quem eventualmente ainda não tenha visto a obra de José Padilha, dois pontos são cruciais na trama:

1) A corrupção e o despreparo da polícia é o grande câncer no combate ao crime. Uma pequena minoria não se submete à mediocridade proeminente da força. O BOPE é um exemplo de uma milícia preparada para enfrentar o que for preciso. Independente dos métodos, que incluem torturas e práticas pouco ortodoxas, o resultado é evidente no confronto com o crime organizado. Precisamos desenvolver, equipar e estimular o crescimento do BOPE. Eu adoraria que uma parte da fortuna que sou cobrado pelo Governo em forma de impostos, fosse direcionada a isso.

2) O óbvio ululante: é preciso avaliar urgentemente a descriminalização da maconha. Esse é o principal gênero de poder do crime organizado, porque a demanda existe – e por uma simples regra de mercado – isso faz com que os bandidos ganhem poder, por dominarem inteiramente a oferta e a distribuição. Apesar de esse assunto ser controverso, eu realmente acredito que essa seja uma questão central no trabalho de choque à violência.

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Outro aspecto fundamental de Tropa de Elite é o botar os bandidos na posição em que eles devem estar. Bandido é bandido. Polícia é polícia. Se tem uma coisa que sempre me torturou nesses filmes é a glamurização da bandidagem. É sempre assim: o bandido é posto como um coitado excluído social, que não tem oportunidade na vida e por isso bla-bla-bla…

Os antropólogos que me desculpem, mas não há mais espaço para filmes como Carandiru e essas minisséries insuportáveis da Rede Globo. Diria até que “Cidade de Deus” faz parte dessa mesma laia. Ver assassinos com tratamento de estrelas é o fim da picada, inclusive nos noticiários. Isso é intolerável e Tropa de Elite finalmente dá um belo passo na direção certa.

Só para não descarar o meu lado mais reacionário e subversivo, eu concordo que o problema da violência também passa por uma série de ações sociais. Educação é o princípio básico para que moradores de áreas mais pobres possam ter outras oportunidades na vida. Saneamento básico e projetos de inclusão social que valorizem os indivíduos são indispensáveis. Mas o crime organizado precisa ser combatido.

O Governo é propositalmente omisso em não regularizar as favelas. Não apenas pela questão financeira de desenvolvimento de grandes projetos de urbanização, mas isso é uma forma de tapar o sol com a peneira, mantendo índices aceitáveis de desenvolvimento humano – que influenciam os índices que regulam a saúde econômica do país.

Enfim, o filme Tropa de Elite põe o dedo na ferida, quando mostra que determinados problemas precisam ser enfrentados – não tangenciados. Dá dó de ver uma cidade como o Rio de Janeiro sendo palco dessa verdadeira desgraça, dessa guerra civil. Infelizmente – há um bom tempo – a minha cidade não é mais maravilhosa. O Rio está doente, triste. Mas é claro que tem salvação e o Bope tem o antídoto.

Já estou com o livro Elite da Tropa, que deu origem ao filme. Voltarei a escrever sobre o assunto aqui no Bullshitando.

Salve o BOPE…e faca na caveira!!