Archive for February, 2007

O código Apple

Tuesday, February 13th, 2007

Recentemente o Steve Jobs publicou uma carta aberta à indústria fonográfica.

Basicamente, ele argumenta com as gravadoras sobre a idéia de retirar o DRM das músicas vendidas online. Pra quem não sabe, o DRM é uma espécie de licensa digital para a execução do fonograma (digital rights management).

A carta é muito interessante (http://www.apple.com/hotnews/thoughtsonmusic), mas o bacana é concluir o que está por trás disso tudo.

Atualmente, METADE do faturamento da Apple já é proveniente das vendas de iPods. Foram mais de 90milhões de aparelhos vendidos – causando uma verdadeira revolução no hábito das pessoas. A Apple poderia ter “perdido o jogo”, para a Microsoft, insistindo apenas nos seus (lindos) computadores e notebooks, mas o seu visionário CEO Steve Jobs tratou de achar novos caminhos para trazer a empresa para o “olho do furacão”.

Esse caminho iniciou-se com a criação dos iPods, mas está longe de terminar. A Apple quer muito mais…

Há um mês atrás, tive a oportunidade de acompanhar pela internet a conferência de lançamento do iPhone e Apple TV. Foi quando o carismático Jobs resolveu mudar o nome da empresa, para “Apple, Inc.”. Para os céticos, isso pode ter sido apenas um factóide – uma jogadinha de marketing para chamar a atenção. Eu prefiro achar que existe algo muito maior por trás disso.

Acredito que Steve Jobs não veja mais a Microsoft como sua principal concorrente. Acredito que ele esteja mirando fortemente na indústria do entretenimento, de uma forma bem mais ampla.

Não seria nenhuma surpresa para mim, se a Apple resolvesse passar a ter uma participação mais forte na área de geração de conteúdo. Diferente de algumas empresas que quebraram a cara com essa decisão, a empresa de Steve Jobs tem uma peculiaridade: ela está muito mais próxima do consumidor – e esse pode ser o fator de desequilíbrio do negócio.

Se a Apple resolve lançar a sua gravadora, os próprios artistas terão enorme interesse – por causa da capacidade de distribuição da Apple, que tem laços estreitos com os consumidores no mundo virtual – diferente de qualquer outro player da indústria.

Essa mudança de eixo traz novos horizontes para a Apple e mais do que outra coisa, vai causar forte rebuliço no mercado varejista (Amazon, etc) – que passa a ter um concorrente indigesto.

Quem ganha com isso? O consumidor.

(continua em breve)