Archive for January, 2007

Foo Fighters, SKIN & BONES.

Monday, January 8th, 2007

Em tempos de pirataria digital, é cada vez mais raro as compras supérfluas nas lojas de discos pelo mundo afora. Tem gente que simplesmente não freqüenta mais os corredores das lojas e vive apenas dos seus downloads legais ou – na maior parte das vezes – ilegais.

É claro que eu faço gigas e mais gigas de downloads. Também uso bastante os serviços de streaming (pandora e last.fm). Mas eu criei algumas “convenções”, que procuro respeitar.

Mesmo tendo uma vida digital ativa (meu iPod de 60Gb é pequeno para a quantidade de músicas que eu quero botar semanalmente), eu nunca deixei de ir nas lojas de discos. E, mais importante: eu não deixei de comprar discos e DVD’s. O que mudou em mim foi o critério e a quantidade, obviamente. Se antes eu comprava alguns discos pela capa ou pelo produtor, agora eu compro o que eu realmente gosto. Aliás, isso vale só para os discos gringos, porque os nacionais – eu continuo comprando à rodo, principalmente de bandas independentes.

Tem situações que as MP3’s estão no meu iPod – e mesmo assim, eu compro o disco. É uma questão de princípios. Apesar de normalmente achar o preço das lojas abusivo, eu não posso deixar de lado as minhas bandas preferidas. São umas 50, no máximo – que eu compro todos os cd’s e DVD’s.

Comprei o disco novo do Foo Fighters um mês antes do DVD (que demorou séculos pra chegar nas lojas). Confesso que nem estava tão empolgado assim, porque esse negócio de acústico já encheu o saco. Mas, caceta…era Foo Fighters… Cheguei no carro e botei o disco pra rodar.

Nas 3 ou 4 primeiras audições do disco, não tive grandes surpresas. Um set list até diferente do habitual, mas aquela coisinha insossa que reina nos acústicos. Foo Fighters sem pressão? Dave Grohl quase sem suas gritarias? Parecia uma banda cover e medíocre, tocando algumas de minhas músicas preferidas.

Mesmo assim, há duas semanas atrás, resolvi comprar o DVD. Diferente do que costuma acontecer (principalmente com minhas bandas preferidas), dessa vez levei uma semana pra abrir a embalagem. Dei prioridade aos últimos (e ótimos) DVD’s do Violent Femmes e do Pixies que comprei junto com esse do Foo Fighters.

A diferença entre o que se ouve e o que se vê (nesse caso) é absurda. “Skin And Bones” é emocionante do começo ao fim.

A escolha das músicas faz todo sentido. Os músicos convidados integraram-se de forma espetacular. Dave Grohl mostra toda a sua capacidade como músico, cantor e como “entretainer”. Suas diversas intervenções (bizarramente cortadas no disco) levam a platéia ao delírio.

O que eu acho mais bacana nessa banda, não é a técnica. O que vale a minha consideração como a melhor banda de rock dos últimos 10 anos é a energia que esses caras levam para o palco. O Foo Fighters é um quarteto vigoroso – e que tem um líder genial e criativo, que achou a fórmula do sucesso em riffs, melodias e letras perfeitas. Está tudo lá em SKIN & BONES.

A capacidade de renovação que eles possuem também é muito importante, para manter a banda na crista da onda. Eles realmente não se tornam cansativos, mesmo depois de 7 discos (fato raríssimo no panorama atual). Ao contrário da grande maioria das bandas da atualidade, o segundo disco foi melhor que o primeiro.

A atitude também conta. Eles não assumem um papel de estrelas inacessíveis, xiliquentas e mau humoradas. Dave Grohl passa a maior parte do show tirando sarro com os seus companheiros e com a platéia.

Todos os integrantes também possuem projetos paralelos – o que preserva o clima divertido entre todos, mesmo depois de tantos anos. Aliás…na minha opinião, o disco do baterista é um dos melhores de 2006 (Taylor Hawkins & The Coattail Riders).

Vida longa ao Foo Fighters!