Há alguns dias atrás eu estava almoçando com uns amigos e ficamos discutindo sobre o furacão Bruna Surfistinha.
O sucesso repentino de Raquel (seu nome verdadeiro) com o seu livro autobiográfico, foi catapultado por um blog de enorme sucesso – que simplesmente relatava suas experiências sexuais. A internet está no centro da questão…uma mídia alternativa (sic) fazendo celebridades, influenciando o mainstream.
Falamos também sobre a presença cativa da Bruna em alguns programas de auditório de horário nobre na televisão. Centenas de milhares de pessoas, passaram a conhecer a história de uma menina da Zona Sul de São Paulo que saiu de casa para “dar por dinheiro”, porque tomava porrada do pai.
Até aí, “no big deal”…mas é bastante relevante observar isso como um fenômeno literário, ainda mais num país que não lê. O blog de Bruna atrai em média 15 mil visitantes diários. O livro “Doce Veneno do Escorpião” vendeu mais que os livros do Paulo Coelho (acho que finalmente a turma está ficando de saco cheio desse mala-sem-alça, que insiste nos seus “guerreiros da luz”). Foram mais de 100mil exemplares em aproximadamente 5 meses (e já há tradução para o espanhol sendo lançada).
A sensacional audiência da menina não é efêmera, como alguns insistem ao comparar com a síndrome de vouyerismo coletivo dos 50 pontos de ibope que o Big Brother consegue. O sucesso do tema só mostra que o sexo está na veia da sociedade brasileira porque o assunto ainda é visto como tabu. Mas a prova de que a máscara está caindo, foi o livro de capa preta ter atraido homens e mulheres de todas as idades para as livrarias.
E por favor, não me venham com essa de socioligia barata. O livro não estava tão preocupado assim em contar o lado romântico / dramático da coisa. Isso até está lá – é verdade – mas, o que o pessoal quer ver é a putaria comendo solta. A turma quer saber os relatos de uma prostituta para satisfazer homens, mulheres e casais.
Porra…trata-se de um best seller de auto-ajuda sexual!!
Agora estão falando muito pela mídia sobre um filme que estão pensando em rodar sobre essa história.
Sinceramente acho que essa é uma das melhores oportunidades para o cinema nacional ganhar projeção internacional. Não estou falando de Oscar, ou de premiações – isso é estupidez. Estou falando de consideração, de um posicionamento mais agressivo, mais conceitual como o cinema europeu.
Fico deprimido só de ouvir nas atrizes cotadas para fazerem o papel da Bruna: Luana Piovani, Cleo Pires, Mel Lisboa…
Pelo amor de Deus…essas atrizes não vão se “entregar” como o papel demanda. O filme tem a obrigação de mostrar a verdade. Nelson Rodrigues até faria um belo roteiro, mas estamos falando de um filme de sacanagem para o grande circuito. Assim como o livro, é preciso contar um pouco da história da Raquel – mas quando ela virar Bruna Surfistinha, a conversa é outra. É um filme pornô requintado, feito em película, editado com todo capricho e com uma trilha legal.
Por favor, vamos deixar de frescuras e de falso moralismo. Isso não é um filme para Fernando Meirelles, Daniel Filho, Tizuka Yamazaki, ou mesmo para a Globo Filmes. Será necessário recorrer a consultoria do Buttman, do pessoal que faz a série “As Brasileirinhas” e de um monte de gente que caminha no underground dos filmes pornôs.
Essa ficha já caiu para o Frotinha, Vivi Fernandes e Rita Cadillac. E essa pode ser uma oportunidade de ouro para algumas atrizes darem uma levantada na carreira, mas é preciso ficar claro que não vai dar para regular a mixaria, vai ter que pagar muito boquete, participar sexo grupal, devorar homens e mulheres.
Inclusive acho que não tem nenhum problema se não acharem uma atriz disposta a isso. Com uma boa conversa, a própria Raquel topará re-incorporar a Bruna Surfistinha e ser a atriz principal do seu próprio filme.
Você aí…quem poderia fazer esse papel?
PS: O blog atualizado (e comportado) da Bruna é http://www.brunasurfistinha.com/blogs/. Para ler um pouco do que era o conteúdo do blog original, tem que voltar até setembro de 2005