Archive for the ‘Hora do reclame’ Category

A Internet é um Convento Cheio de Putas

Monday, March 30th, 2009

Hoje eu vou abrir o espaço do Bullshitando para um amigo meu, que fez um texto muito legal sobre a Internet.

Com a palavra, o grande Fernand Alphen.

No início, ninguém dava muita bola para o que saia na Internet, para o que se falava nos seus inescrutáveis meandros. Era uma molecada que brincava de ser jornalista, publicitário, comediante, cineasta.

A confusão está apenas começando.

A Internet é um megafone

Toda confusão começa com uma boa intenção. A boa intenção de falar a verdade, de ser franco, de ser uma bandeira de oprimidos, incompreendidos. Mas toda causa tem um efeito. Falar o que se quer e bem se entende sempre dá confusão. E falar num megafone como a Internet, mais ainda. E o que era apenas um suspiro de frente para o espelho vira um manifesto público multiplicado ao infinito e sem controle. A vida é assim – e não só na Internet: quem te apoia avisa. Quem não te apoia se vinga sem avisar.

Pra abrir o bico, tem que ter peito

Portanto, não adianta muito bancar o jovem imaculado descobrindo o mundo cruel, o artista inspirado no seu mundo cercado de virtualidades. O mundo não é um aquário cheio de peixes Nemo. Todo mundo tem ideias e, pior, interesses próprios. A inveja é a nossa gasolina. A Internet não é diferente de nada. Ainda que ela possa parecer livre de leis – e em larga medida é – não é livre de gentes, de pessoas. E pessoas podem ser muito mais repressoras do que a mais repressora das leis.

Quinze reais de fama

A imensa possibilidade de liberdade de expressão que a Internet proporciona está na raiz utópica do sucesso dos blogs e que tais. E, por detrás dessa sede de oratória e autoria, tem a vontade de ser visto. E, por detrás da vontade de ser visto, tem a fama e uns trocos.

Mas a confusão começa quando pingam os primeiros dinheiros. Ganhar dinheiro não é tão fácil quanto parece. Não basta dizer coisas inteligentes ou fazer macacadas. Se tem dinheiro envolvido, tem regras e leis e – queiramos ou não – elas devem ser seguidas. Podem espernear, fazer campanhas, mas pintou dinheiro, pintou confusão. Esse povo tão “liberal”, tão “paz e amor” vai se chatear.

Dinheiro e espontaneidade não ornam

E a maior confusão se arma então, quando tudo fica de pernas para o ar.

Os produtores de conteúdo, os da grande mídia, acham que essa “garotada da Internet” pode dar uma renovada. Aí a molecada vai para a grande mídia com aquela farta experiência dos seus blogs e views no YouTube. Se os brothers curtem, a Dona Maria vai curtir.

As agências de propaganda, sedentas de novidades, transferem a presumida liberdade de expressão da Web para a TV. Ao invés de comprar mídia, dá-se uma ajuda de custo àqueles que irão disseminar a mensagem. Uma espécie de suborno à legitimidade.

E as marcas, elas também, começam a achar que o que liga não é fazer propaganda, mas uma espécie de brand content ou qualquer outro anglicismo bacaninha. Tipo Merchandising 2.0

Os heróis dos blogs, porém, começam a ganhar dinheiro das marcas através de suas agências de propaganda. E o dinheiro estraga tudo.

Estraga o conteúdo, que por sua vez estraga a criação publicitária, que estraga a marca. E qualquer estrago é caro, mesmo que tenha custado três tostões.

Os times e as marcas

Saturday, March 28th, 2009

O patrocínio de clubes de futebol é um tema bastante controverso, mas é inegável que é um meio eficiente para fortalecimento de marcas. A grande diferença da exposição de marca em uniformes aos meios de mídia mais convencionais é a existência de um componente intangível, típico do mundo do futebol: a paixão dos torcedores.

Eu não tenho dúvidas que esse poderia ser um excelente ambiente para marcas criarem maior intimidade com os consumidores e aumentarem suas vendas ou prosperarem em seus outros objetivos. Eu não tenho conhecimento de projetos mais audaciosos de ativação das marcas com os torcedores. A relação entre marcas e times fica estabelecida apenas do ponto de vista exposição visual – e é isso. Não há – por exemplo – nenhum componente variável, de participação em resultados das vendas por parte dos clubes.

Talvez isso ocorra pelo medo da rejeição, da rivalidade que existe no futebol. Uma outra explicação que me ocorre é o nítido amadorismo que impera entre os dirigentes de clubes de futebol, que envolve inclusive as questões fiscais.

Ainda assim, muitas marcas já são bastante tradicionais nesse ambiente. A Petrobrás tem uma relação de mais de 25 anos com o Flamengo, a Unimed tem 10 anos com o Fluminense e a LG está há 8 com o São Paulo.

Se para os patrocinadores os resultados são positivos, esse também é um incremento financeiro considerável para os clubes. Estima-se que a verba de patrocínio já represente aproximadamente 12% do faturamento anual de clubes brasileiros. Há estudos que indicam que esse percentual possa chegar ao dobro disso, mas obviamente seria necessário evoluir muito na estratégia de envolvimento entre as marcas e os torcedores / consumidores.

Em resumo, os principais projetos de patrocínio do Brasil atualmente:

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Flamengo e Petrobras: o patrocínio mais antigo do futebol brasileiro e possivelmente do mundo. Já se vão mais de 25 anos de parceria entre o time mais popular do mundo e a Petrobras. O Flamengo é o exemplo da má administração. Por seu estado caótico de (indi)gestão financeira, o clube vem enfrentando problemas de recebimento de sua verba da estatal (aproximadamente R$1,3MM mensais) – que exige uma certidão negativa de débitos. Para piorar, o contrato de 2009 ainda não foi assinado e o time continua usando a marca em seu uniforme, enquanto o patrocinador avisa que não pagará por esses meses e os jogadores ficam com salário atrasado indefinidamente. Típico.

Fluminense e Unimed: inspirado na parceria entre Palmeiras e Parmalat, a Unimed contrata jogadores para o clube e influencia diretamente na gestão do time. Para muitos, o presidente da Unimed Celso Barros tem mais poder do que o presidente do Fluminense Roberto Horcades. Já se vão 10 anos de parceria, muitos milhões de investimento em exposição de marca e em contratação de jogadores e apenas 3 títulos (Série C do Brasileirão 99, Estadual 05 e Copa do Brasil 07). Ninguém sabe ao certo quanto a Unimed investe no clube. Já ouvi falar em mais de R$16milhões. Modelo arriscado, de altíssima dependência.

Botafogo e Liquigas: 2 anos de parceria, muito chororô, confusões nos bastidores e nenhum título. Esse é o resumo do Botafogo para o seu atual patrocinador. O Botafogo é possivelmente um dos times com menor rejeição no RJ (talvez isso aconteça porque também a 4a torcida). O objetivo do patrocinador era fazer com que a marca ficasse mais conhecida, principalmente no Rio de Janeiro. São investidos aproximadamente R$8 milhões por ano, que é o que custariam aproximadamente dois bons flights de campanha em TV aberta. Será que vale? Eu até acho que sim.

Vasco e Habib’s: o Vasco vive um momento de mudanças. Se antes a presença de Eurico Miranda afastava bons patrocinadores (ou projetos de mais longo prazo), a fase agora é mais complicada, já que a equipe vai jogar pela primeira vez em sua história a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. O patrocinador presente nas mangas do uniforme é a rede de fast food  Habib’s e o contrato vale 3,6MM por ano. Fala-se que o Vasco irá assinar um contrato de 3 anos com a Eletrobrás por um valor fixo de R$14MM/ano. Boa, Dinamite!

Palmeiras e Samsung: o Palmeiras tem uma história de sucesso com patrocínios do seu uniforme. O case “Parmalat” no começo dos anos 90 foi um dos maiores exemplos de como uma marca pode influenciar na construção de um time competitivo e “ganhar uma torcida”. Mas nem sempre é assim. Ano passado foi a Fiat e há pouco tempo o alviverde fechou acordo com a Samsung (que já esteve presente no uniforme do arqui-rival Corinthians). Falando nisso, vocês já viram que horror ficou a marca da Samsung? 54M5UN6. Can you fuckin believe this? Para piorar a infâmia com os números, ainda botaram uma elipse horrível e uma tipologia que simplesmente não dá para ler. Bizarro. 

Santos e Semp Toshiba: eu estive envolvido na assinatura desse acordo, quando ainda trabalhava na Talent. Dos grandes times brasileiros, o Santos é o time com menor rejeição. Naquela época, o Santos estava disputando tudo que é campeonato e aparecia com enorme frequência na mídia. Foi um excelente negócio para a Semp Toshiba, que (infelizmente) com o passar dos anos vem sistematicamente deixando de investir em comunicação. O valor atual do patrocínio gira em torno de R$8,5MM.

São Paulo e LG: um casamento de longa data. Gostos à parte, o São Paulo definitivamente é uma das maiores referências de como um clube pode ser profissional em todas as suas atividades. Na esfera desportiva a equipe está sempre disputando títulos enquanto ocorre um trabalho sério na sua área de Marketing, que entre diversas ações de captação de novos torcedores, gerencia um patrocínio com a LG já dura mais de 8 anos e rende aproximadamente $16,5milhões anuais aos cofres são paulinos.

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Corinthians e Batavo: o clube mais popular de São Paulo, o segundo clube mais popular do Brasil vem descobrindo o poder do Marketing nos últimos anos. Essa descoberta veio em um dos piores momentos da história, na queda para a série B do campeonato Brasileiro. A torcida apoiou e a diretoria usou e abusou da paixão da fiel, inclusive assinando contrato com a Medial por uma verba bem alta ($16,5MM). O ápice veio com a contratação do Ronaldo, trazendo os holofotes do mundo inteiro para o Parque São Jorge. No jogo contra o Palmeiras, que marcou a estréia de Ronaldo, a camisa e o calção foram loteados com diversas marcas (VISA, Panasonic e Meias Lupo). Um verdadeiro horror para as marcas (mas a grana para o clube deve ter sido muito boa). Mas pouco mais de duas semanas depois, o Corinthians fechou acordo de R$18MM com a Batavo, que já esteve presente no uniforme há alguns anos atrás – e estabeleceu o maior patrocínio do futebol brasileiro. 

Internacional e Grêmio/RS e os seus patrocinadores gaúchos: apontados como os times de maior rivalidade do Brasil, costumam ter os mesmos patrocinadores em suas camisas. Tudo justamente por conta dessa rivalidade. Empresas gaúchas não correm o risco de ter rejeição na metade dos seus inflamados consumidores. Renner, Banrisul e Tramontina revezam-se como patrocinadores das duas equipes. Atualmente o Banrisul investe aproximadamente $3,6MM anuais em cada time. Muito pouco.

De volta à Ditadura?

Saturday, July 26th, 2008

Eu tento evitar usar o Bullshitando para falar de assuntos ligados à minha profissão.

O meu blog nada mais é do que um exercício de liberdade, de falar sobre outros assuntos da minha vida e sobre o que acontece ao meu redor.

Hoje eu vou abrir uma exceção para falar, não sobre a minha profissão (publicitário) que trabalha diretamente ligado com uma marca de cerveja. Quero falar aqui sobre efeitos colaterais do cerceamento imposto pelo Governo, que cada vez mais vem à tona.

Podem apostar que eu não estou defendendo interesses do meu cliente. Definitivamente eu não parto dessa premissa para formar a minha opinião e nem divulgo meu Blog com interesses “eleitoreiros”.

Nessa última semana, completei um ano como Diretor de Atendimento de uma marca de cerveja. Obviamente aprendi muito, do ponto de vista estratégico e empresarial, mas passei também a entender e conviver com os limites impostos à publicidade.

Pode parecer incrível, mas o ofício de fazer publicidade no Brasil (especialmente de bebidas alcoólicas) é um verdadeiro exercício de esquiva de regras e condições.

Há cerca de 15 dias, eu participei do IV Congresso Brasileiro de Publicidade. A classe esteve praticamente toda reunida em prol da liberdade de atuação. Saí do encontro com a nítida impressão de ter participado de um movimento (bastante civilizado) pela democracia.

É praticamente o mesmo grito da sociedade brasileira ao longo dos anos de ditadura. Na teoria a ditadura acabou há mais de 20 anos, mas na prática o que estamos vendo é uma verdadeira afronta de um governo que demonstra claramente a intenção de tutelar os cidadãos.

As restrições ao conteúdo e ao horário nos comerciais de cerveja são apenas a ponta do iceberg. Começam a surgir iniciativas para restringir propaganda de alimentos não saudáveis (sic), de bebidas de baixo teor nutritivo (sic) e até mesmo de brinquedos.

Isso é CENSURA, meus amigos.

É o princípio da Ditadura, que o nosso Presidente, eleito pelo povo tanto lutou contra.

Se o Ministro da Saúde realmente quisesse cuidar da saúde do povo, que tratasse de dar melhores condições nos Hospitais públicos, que tratasse de investir no futuro dos médicos nas Universidades, que cuidasse da dengue e de tantas epidemias bizarras que já deveriam estar devidamente erradicadas em pleno século XXI.

Que fique aqui registrado o meu protesto não como publicitário, mas como um cidadão brasileiro indignado com a desfaçatez e hipocrisia de um Governo autoritário até o caroço.

Que venham dias melhores!

Toshiba Planet Banda Antes

Wednesday, December 12th, 2007

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No começo desse ano, eu era Diretor de Atendimento na Talent e, junto com a MTV, desenvolvemos um projeto bem legal para a Semp Toshiba e para as bandas independentes: foi o Tosiba Planet Banda Antes.

Tratava-se de um grande concurso, que iria durar praticamente o ano inteiro e escolheria a banda do ano, usando votação popular e de júri especializado – com grande envolvimento da MTV.

Particularmente eu acredito que a iniciativa privada é um dos melhores caminhos para revelar novos talentos da música brasileira- ou mesmo para dar condições dos artistas se desenvolverem. É interessante para os dois lados e a equação é bem simples: o artista é um grande catalisador de público através da sua música (independente do estilo) e as empresas estão atrás de oportunidades para falarem de uma forma autêntica e sem barreiras com os consumidores. Ter os artistas como porta-vozes de suas mesnagens publicitárias ou mesmo ter a chance de estabelecer uma maior consideração por parte do consumidor, literalmente vale ouro.

Foi nesse espírito que trabalhei muito para viabilizar esse projeto ao lado do Alessandre Siano, da Fernanda Sarno e do pessoal da MTV. Todos acreditávamos que essa era uma grande oportunidade para o nosso cliente, a Semp Toshiba.

Originalmente também me esforcei para trazer o Rick Bonadio como curador do projeto – e a idéia era lançar em parceria com a MTV e a Universal Music o disco do grande vencedor do concurso. Fizemos reuniões, discutimos formatos mas acabou que isso não foi pra frente da forma que imaginamos basicamente porque eu saí da Talent e também por dificuldades nas negociações entre as partes.

Mas isso não importa tanto assim.

O que importa é que o projeto chegou ao fim e pelo que ouvi dizer, todos ficaram muitos satisfeitos com os resultados: Semp Toshiba, Talent, MTV e bandas participantes.

A final foi no domingo passado (09/dezembro) e a disputa entre Lambrusco Kids (SP), Stereograma (RS), Dálmatas (SC) e Radiare (Campinas) foi vencida pelos gaúchos do Stereograma.

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Não conhecia nenhuma dessas bandas – e isso só reforça o tamanho da cena independente do Brasil. Já escrevi muito sobre isso e volto a falar no assunto. O que realmente está faltando para as (boas) bandas que surgem aos montes é oportunidade.

Assisti a apresentação do Stereograma no MTV Overdrive e achei legal. É um power trio que faz um rock de garagem despretensioso, bem parecido com o Cachorro Grande e Rock Rocket (SP). Cheguei a lembrar também do The Feitos (RJ). Mas pra ser muito honesto, fiquei bem aliviado por não ter aparecido mais uma banda de emocore (chatocore pra caráleocore – leia esse post aqui).

O Stereograma será lançado pela Trama no começo de 2008 e a banda já desponta como uma das revelações para o ano que está por vir. Desejo toda sorte aos guris do Stereograma e espero assisti-los ao vivo, muito em breve.

Tenho certeza que meu nome não estará nos agradecimentos do disco, porque eles não me conhecem e não sabem o quanto eu briguei para viabilizar esse projeto, mas estou em paz porque sei que fiz a minha parte – e pretendo fazer ainda muito mais.

Aguardem…

Comerciais sensacionais…

Friday, September 14th, 2007

Hoje é sexta feira.

Semana pra lá de corrida…vida de publicitário é uma dureza.

Assistam esses dois comerciais fantásticos e bom final de semana!

<a href="http://youtube.com/watch?v=jE1U6tLM-3E">http://youtube.com/watch?v=jE1U6tLM-3E</a>

<a href="http://youtube.com/watch?v=Wy52yueBX_s">http://youtube.com/watch?v=Wy52yueBX_s</a>

Placas Toynbee…um grande mistério

Wednesday, September 12th, 2007

Há muito tempo atrás, eu trabalhava no Banco Nacional e ia almoçar sempre com os mesmos dois amigos. Nas nossas andanças pela Avenida Presidente Vargas e Avenida Rio Branco, no calor senegalesco do centro do Rio, a gente se deparou com uma placa cravada no asfalto com uma frase completamente sem sentido.

Aquilo virou um enigma que carregamos por anos a fio. É bom dizer que no verão de 1994 não tinha internet para ajudar a gente a pesquisar e por isso só fomos ler algo a respeito alguns anos depois.

toynbee.jpg

As placas TOYNBEE carregam mensagens disconexas cravadas em um material ultra resistente – e são afixadas diretamente no asfalto de algumas esquinas. Também não há muita explicação de como isso foi feito. Talvez com um maçarico ultra-potente, no meio da madrugada, por homens trajando uniformes roubados da secretaria de conservação de ruas (sei lá se isso existe).

Arnold Toynbee foi um historiador esquizofrênico, que odiava a propaganda e teve seus principais momentos de glória quando travou debates intermináveis com o mestre William Bernbach, no final dos anos 60. Ele questionava o poder inebriante da propaganda ao usar artifícios para manipular a opinião dos consumidores, enquanto Bernbach defendia a criação de produtos e marcas sólidas usando comunicação como uma forma de ter consideração e preferência por parte dos consumidores.

Também não há qualquer ligação aparente entre Arnold Toynbee e Stanley Kubrick. E por isso as placas são um verdadeiro mistério.

Tem um site antigo, de um cara que pesquisou o assunto mais a fundo e que mostra que essas placas foram grudadas em vários lugares do mundo, nesse mesmo formato. O site é: http://www.tiagoteixeira.com.br/toynbee

Cannes 2007 e suas causas sociais

Wednesday, August 8th, 2007

Na minha recente chegada à agência F/Nazca, estive participando de diversas reuniões interessantes. Uma dessas reuniões acontece normalmente nas sextas pela manhã, quando passamos cerca de duas horas discutindo “cases” e projetos interessantes.

Recentemente conversamos sobre os principais projetos desse ano de 2007, os vencedores do festival de Cannes nas categorias “Integrated” e “Titanium”. São exemplos sensacionais de boas idéias. E, no final das contas, é isso que importa na comunicação. As boas idéias envolvem as pessoas, as boas idéias são capazes de levantar bandeiras e fazer as causas tornarem-se ainda maiores – independente da forma.

Separei aqui dois exemplos que me “pegaram” em cheio. Ambos foram vencedores da categoria Titanium – e envolvem causas sociais, que sempre são grandes desafios para os publicitários, pela óbvia limitação de verba.

“The Tap Water Project”

Em Nova York, é comum pedir a “tap water” em locais públicos. Não importa se você é rico ou pobre, a água da torneira é limpa e esse é um hábito da população local. E o copo de “tap water” é gratuito e ilimitado. Ninguém passa sede em Nova York.

Não precisa nem dizer que essa realidade é completamente inversa ao drama da maioria dos países africanos e até mesmo em determinadas áreas do Brasil. A falta de água mata muita gente – principalmente crianças – ao redor do mundo, diariamente. Mais de 21% das crianças que vivem em países subdesenvolvidos, não têm acesso à água filtrada. Cerca de 6mil crianças morrem de sede ou de doenças relacionadas à falta de água, todos os dias.

O dia 22 de março é o Dia Mundial da Água. E, nesse dia, em uma ação criada pela UNICEF e pela agência “DROGA5”, envolvendo centenas de restaurantes da “Big Apple”, as pessoas eram estimuladas a pedir um copo de “tap water” e pagar a quantia irrisória de U$1,00.

A agência não fez filmes, não consumiu verba nenhuma do cliente. O trabalho foi apenas deixar a informação fluir. E, para isso, pessoas famosas foram convidadas a aderir à causa. Sarah Jessica Parker foi a embaixatriz do projeto (pela sua enorme ligação com a cidade). Diversos formadores de opinião, como Donna Karan, Rosario Dawson, Mary Louise Parker, entre diversas celebridades ligadas à cidade, apoiaram a causa. Os restaurantes colaram adesivos da causa, diversas ações foram feitas na internet e a imprensa noticiou como nunca.

E assim, uma simples idéia foi capaz de gerar U$5,5 milhões de dólares e salvar a vida de milhões de crianças.

O site do “Tap Water Project”: http://www.tapproject.org/

O case vencedor de Cannes: http://www.canneslionslive.com/titanium/win_22_1.htm

“The Earth Hour”

A WWF (World Wildlife Fund) é uma ONG Suíça presente nos principais países do mundo. Com mais de 40 anos e mais de 5 milhões de colaboradores em todos os continentes do nosso planeta, eles lutam arduamente pela conservação do nosso planeta. Com o trabalho dessa organização, mais de 1bilhão de dólares já foram investidos em cerca de 12 mil projetos – sempre voltados para a preservação do meio ambiente.

A WWF de Sydney (Austrália) pediu um projeto para a agência Leo Burnett, que pudesse afetar o problema do aquecimento global. Algo que pudesse convencer as pessoas aderirem à causa, que cada um pode dar uma pequena contribuição para gerar uma grande transformação.

Partindo dessa simples premissa, foi criado o projeto “The Earth Hour”. No dia 31 de março, as pessoas deveriam participar simplesmente apagando as luzes e os eletrodomésticos por 1 hora.

Parecido com o exemplo do “The Tap Water Project”, o desafio era ventilar a proposta ao máximo. E assim, diversas empresas, celebridades, jornalistas e formadores de opinião, desempenharam esse papel.

A adesão foi incrível. Mais de 2,2 milhões de pessoas passaram das 18:00 às 19:00 do dia 31/03 no escuro. Isso significou algo como 10,2% de redução do consumo elétrico da cidade – e a certeza definitiva de que cada um pode fazer a sua parte.

Mais detalhes em: http://www.canneslionslive.com/titanium/win_22_1_00265.htm

Aliste-se, faça a sua parte (eu já faço parte dessa comunidade): http://www.wwf.org.br

Lovemarks

Monday, August 6th, 2007

Você sabe o que é uma “LOVEMARK”?

Essa expressão foi criada por Kevin Roberts, que é o CEO da Saatchi&Saatchi (empresa que eu trabalho) para o fantástico livro homônimo, lançado em 2004.

O próprio nome já entrega. Uma LOVEMARK é aquela marca que transcende o limite do racional. São marcas que possuem uma notória capacidade de estarem “tatuadas” nos seus consumidores, que quando chegam nesse ponto, deixam de serem consumidores para tornarem-se fãs.

Eu acho que o filme “Live By It” da Harley Davidson exemplifica perfeitamente essa sensação. Aumente o volume, preste atenção (o texto é brilhante) e curta essa verdadeira obra-prima:

http://www.youtube.com/watch?v=U2olCKnTVPI

A relação de um fã é sempre passional, é sempre extrema – e muitas vezes, inexplicável.

Talvez inspirado por John, Paul, George e Ringo, Kevin Roberts tenha concluído que o caminho inexorável para o sucesso das empresas e suas marcas é o amor.

O livro de Kevin é obrigatório, não só para quem vive no mercado de comunicação, mas também para aqueles que não sabem de onde vem a motivação quando determinadas marcas aparecem – e inexplicavelmente causam tantas sensações positivas. O livro desvenda esse caminho.

O site também é bem legal: http://www.lovemarks.com

As minhas principais LOVEMARKS, por diferentes razões são:

  • Harley Davidson
  • Apple
  • Nike
  • Starbucks
  • Heinz
  • Flamengo
  • Gap
  • Ecko
  • Swatch
  • Biscoito Globo
  • Matte Leão
  • Playboy
  • Fender
  • Lucky Brands
  • Skol
  • Coca Cola

Quais são as suas LOVEMARKS?

The Perfect Pitch – Jon Steel.

Saturday, July 21st, 2007

Eu tendo a rejeitar livros técnicos, porque acho um tédio. Eu simplesmente começo a sabotar a leitura, pulando inicialmente parágrafos, tópicos e até mesmo capítulos, conforme o assunto vá se esgotando para mim. Honestamente, acho que qualquer livro técnico poderia ser resumido em 1/3 das páginas que são efetivamente publicadas.

“The Perfect Pitch”, escrito por Jon Steel poderia ser mais um livro desses, se não tivesse sido recomendado pelo Julio Ribeiro aos executivos da Talent. Não só pela indicação do Julio, mas talvez esse tenha sido um dos livros que eu menos tenha “roubado no jogo”, porque gostei do estilo do autor – e encontrei bons argumentos ao longo da leitura.

Jon Steel é um publicitário experiente, que trabalhou na área de planejamento de grandes agências e – segundo ele – ganhou cerca de 90% das concorrências em que esteve envolvido. Acho difícil, mas gosto dessa presunção (isso é coisa de “bullshiteiro” profissional).

Em “The Perfect Pitch”, a grande lição é como fazer apresentações vencedoras, ou ainda, de como “salvar o mundo das apresentações ruins”.

O próprio Jon Steel pergunta: qual foi o argumento mais poderoso e persuasivo que você ouviu? E ele mesmo já responde que é praticamente impossível que isso tenha acontecido em uma sala de reunião.

A verdade é que nesse exato momento em que você está lendo esse texto aqui no BULLSHITANDO, muitas pessoas estão fazendo apresentações. Não apenas os executivos de empresas ou publicitários, Jon Steel cita técnicos de futebol, políticos, militares, médicos, advogados ou professores.

A Microsoft estima que diariamente, são criadas mais de 30 milhões de apresentações em Power Point. Você acredita nisso? E de fato, vale a reflexão proposta por Steel: quantas dessas apresentações são relevantes? Quantas são realmente inspiradoras? Não precisa ser um gênio para concluir que apenas uma pequena minoria deve superar a barreira da mediocridade.

Mas, então…como fazer para ser parte dessa minoria? Como conseguir fazer algo que represente alguma mudança na vida das pessoas, ou ainda – que cause uma reação positiva na platéia?

O princípio da coisa está em saber contar histórias, entretendo as pessoas enquanto seres humanos – independente dos seus cartões de visitas.

Apresentações costumeiramente estão relacionadas a situações de pressão. O medo de errar diminui consideravelmente as chances de acertar. E, por isso, é fundamental manter a lucidez. O apresentador precisa estar orientado a buscar a resposta perfeita. Essa resposta muitas vezes está na capacidade de saber ouvir o seu interlocutor, de ir além do briefing.

O sucesso também está proporcionalmente relacionado ao nível de detalhes a que você tem conhecimento (e não ao que você expõe em uma apresentação). Aliás, esse é um outro ponto importante: sair das armadilhas do perfeccionismo. Uma apresentação muito detalhista é um verdadeiro caos para a audiência. O apresentador não precisa provar que sabe tudo sobre um assunto, mas ele precisa estar seguro da sua proposta. Detalhes são sempre muito chatos. Menos é mais.

A apresentação não se resolve isoladamente na forma ou mesmo na capacidade de oratória do apresentador. O que realmente importa é que as pessoas entendam o que está ali – e ao invés de elogiar a forma ou o orador, que eles concordem com o tema ou mesmo sintam-se desafiados a participar daquilo que foi apresentado. A palavra chave é: envolvimento.

E, Steel finaliza afirmando que quando a apresentação é bem sucedida, a audiência não ouve o que o interlocutor está dizendo, mas instintivamente interpreta o significado do tema na sua própria vida.

Sem fórmulas, clichés ou “passo a passo”, “The Perfect Pitch” é recheado de bons exemplos como o julgamento de O.J. Simpson, os discursos de Bill Clinton, um briefing espetacular passado pessoalmente por Steve Jobs, dezenas de “pitches” (concorrências) de grandes contas publicitárias e o que esteve por trás de diversas campanhas.

O livro não foi traduzido aqui no Brasil, mas vale uma visitinha na Amazon. http://www.amazon.com/Perfect-Pitch-Selling-Winning-Business/dp/0471789763/ref=pd_bbs_sr_1/104-4423802-5476742?ie=UTF8&s=books&qid=1185037743&sr=8-1

Burger King

Monday, June 11th, 2007

Tem uma campanha do Burger King é até meio antiga, mas acho sensacional.

Eu me identifico com essas propostas mais autênticas, tipo: BE YOURSELF. Os caras simplesmente desistiram de falar que o sanduíche é mais gostoso, ou mais nutritivo, ou mais saudável…porque isso é babaquice pura – e é coisa para o McDonald’s fazer.

<a href="http://youtube.com/watch?v=PbGEOob5x4g">http://youtube.com/watch?v=PbGEOob5x4g</a>