Deficientes Inc.
Tirando o lado trágico da coisa, se tem alguém que “se dá bem” nos Estados Unidos são os deficientes físicos. Os privilégios são vários…
Pra começar os estacionamentos possuem as melhores vagas para os carros que chegam com o adesivo azul. E não são poucas vagas, são muuuuuuuuitas – que ficam vazias se um carro com o adesivo não aparece.
Na garagem em que eu parava o carro, eu era obrigado a estacionar depois do terceiro piso, porque era tudo lotado – e sem exagero – 30% das vagas eram reservadas para o irritante adesivo azul.
Volto a dizer…nada contra os privilégios para os deficientes – acho que é justo que eles tenham um mínimo de conforto. Só fiquei impressionado com as quantidades. Não é possível que existam tantos deficientes assim…
Por causa dessa abundância, eu cheguei à conclusão que aquelas pessoas mais gordas ou mais velhas, viram “deficientes” nos Estados Unidos. No final das contas são eles que usam essas vagas e eles andam de cadeirinhas motorizadas pelos parques, shoppings e aeroportos.
Os golfinhos mercenários
No último dia de viagem resolvi conhecer o aquário de Miami – que fica em Key Biscane.
Aprendi bastante sobre diversas espécies aquáticas, como o jacaré, a tartaruga, o tubarão, a baleia, o peixe boi, a foca, o leão marinho e principalmente sobre os golfinhos.
Aliás, Miami tem fixação pelos golfinhos. Eles dão até o nome do time de futebol da cidade.
No show dos golfinhos, aprendi que eles nadam muito rápido porque o movimento da cauda é pra cima e pra baixo – e não para os lados, como acontece com a maioria dos outros peixes. Também fui obrigado a repetir 25 vezes pelos treinadores que eles são mamíferos.
Mas pra mim a grande conclusão é que esses bichos são os mais mercenários de todos os outros do Reino Animal. Eles passam o tempo todo esperando propina (peixes) para fazer as macacadas que os treinadores mandam. E tem uns peixes que devem ter alguma anfetamina, porque quando eles comem esses, os golfinhos saem andando em cima da água a 100 por hora e dão vôos absurdos.
Enquanto isso, a gente ficava torcendo para um pelicano – que tentava (em vão) roubar uns peixinhos do isopor dos golfinhos.
Bibbidi Bobbidi
Aqui eu arrisco uma profecia: se você que está lendo esse post tem uma filha de 3 a 7 anos, esse é o “brinquedo” que ela vai mais querer ir na Disney.
“Bibbidi Bobbidi” é a expressão que a fada madrinha fala quando transforma a Cinderela de baranga em uma princesa.
Os gênios da Disney tiveram a idéia de montarem um salão de beleza apenas para as meninas serem transformadas em princesas.
É tudo no esquema americano, meio rapidão (tipo 30 ou 40 minutos). Mas a experiência é fabulosa, porque as atendentes todas estão caracterizadas e usam e abusam do bom atendimento (principalmente depois que a cliente senta na cadeira) e saem pelo menos umas 300 princesas por dia dos dois Bibbidi Bobbidi Boutique. A conta pode ser de U$50 a U$200, incluindo o vestido e uma pequena sessão de fotos.
Se você acha que fica ridículo as meninas todas produzidas, posso garantir que não é nada disso. Elas ficam encantadoras e as pessoas adoram ver as miniaturas de Ariel, Aurora, Cinderela, Branca de Neve, Yasmin e da Bela andando pelas ruas dos parques. Os japoneses tiram até foto.
By the way…olha a minha princesa aí…

Where 2 Go, Fast Pass e Express Ticket
Se tem um artigo de luxo que é indispensável em uma viagem como essas para a Florida é o tempo.
Na verdade eu confesso que sou meio obcecado por tempo. Por essas e por outras eu não tenho mais carro em São Paulo – e só ando de moto. Eu acho que a vida passa enquanto a gente está dentro de uma lata de sardinha.
Mas voltando ao assunto principal…que são as providências fundamentais para quem vai viajar para a Flórida e deseja economizar o tempo.
A maior delas é fugir das excursões. Isso é um verdadeiro horror. Procure ler a respeito das coisas com antecedência, pesquise, compre até o lamentável DVD do Amaury Jr, sobre Orlando. E chegando lá, alugue um carro. Seja dono do seu tempo e não dependa dos outros.
Quando alugar o carro, pegue um GPS e jogue os mapas impressos no lixo. É ridiculamente fácil de usar – e até nos momentos que faltar inspiração para ir em algum lugar, o próprio aparelho te dá várias sugestões (se você quiser, pode ser até em português). O aluguel custa em média U$100 por semana e é o dinheiro mais bem gasto.
Outro mecanismo fundamental, principalmente na alta estação, são os tickets de furar a fila nos parques.
Nos parques da Disney o ingresso já dá direito a utilizar o Fast Pass. É só botar o seu ingresso na máquina de Fast Pass que tem em cada atração e ele te devolve um ticket para algumas horas mais tarde, sem (muita) fila. A merda é que enquanto você estiver usando para uma atração, não dá para usar para a outra.
Na Universal a banda toca diferente. Você tem que comprar o Express, que custa em média U$80,00. A única regra é que você só pode usar uma vez por atração (o que de vez em quando dá para driblar) – mas é mais legal que na Disney.
Time is Money…e como o post anterior disse…na America tudo tem seu preço: It’s Just Business!
Trânsito
Como eu disse antes, o trânsito na Florida é bem intenso e com o GPS tudo fica muito fácil em termos de “ir e vir”.
Mas em termos “funcionais” a coisa é bem diferente do Brasil…
Pra começar, os pedestres têm total prioridade – e sabendo disso, tem gente que abusa da sorte. Basta estar na faixa de pedestre que neguinho atravessa mesmo, mesmo que o sinal esteja verde. Nas situações em que estive andando eu vi isso acontecer várias vezes– e ficava puto da vida.
Outra coisa diferente do trânsito é a educação dos motoristas. São raras as exceções, mas sempre que você vai fazer uma conversão, o carro que está na preferencial reduz para te deixar passar. É duro de acreditar, mas é verdade.
Por outro lado, a coisa mais irritante é que nego fica sempre na mesma faixa e anda na velocidade que quiser, basicamente quando a velocidade é baixa – sem que ninguém meta a mão na buzina.
Os homeless estão todos em casa
Eu precisei de 14 dias para ver mendigo na rua.
No dia 31 de dezembro eu fui conhecer Orlando Downtown e fui achando que longe dos parques temáticos, seria deprimente porque estaria tudo fechado e os mendigos todos estariam deitados nas fachadas dos bancos e escritórios.
E não foi nada disso.
A cidade é muito limpa, com pouquíssimas pessoas nas ruas e o único indício de miséria aparente foi em uma praça, quando vi um senhor recebendo assistência de um funcionário da prefeitura que tinha uma sirene no carro e os dizeres: “we care about our people”. Achei do cacete.
Depois fui ver no último dia da viagem, em South Beach uns dois ou três mendigos – e foi só.
Por que os Estados Unidos cuidam dos seus cidadãos e nós que pagamos impostos infinitamente maiores, não temos nem hospitais? E já que a CPMF caiu, Lula e o Kid Manteiga deram um grau extra no IOF, para manter a gastança da máquina…
Miami Heat
Um outro ponto alto da viagem foi quando fomos assistir Miami Heat X Milwaukee Bucks no American Airlines Arena.
Esse não foi o meu primeiro jogo da NBA. Já vi alguns outros em viagens anteriores, mas poucas vezes vi um time explorar tão bem o seu estádio e as suas propriedades. A loja oficial estava “botando vagabundo pelo ladrão” e mesmo com o time com desfalques (Shaquille O Neal e Alonzo Mourning), o estádio estava com pelo menos 80% da sua capacidade tomada.
Enfim, parecia que estava tudo montado para um grande espetáculo do time da casa.
Mas aqui tem mais uma gigantesca diferença do que estamos acostumados a ver no futebol: tudo no basquete americano é muito artificial.
O locutor comanda o público, as cheerleaders gostosas aparecem no intervalo, rolam várias promoções e até mesmo vídeos “emotivos” dos 20 anos de Miami Heat. É um show de marketing enquanto o time fica lá na quadra, resguardado. Acho que falta a ligação da galera com os jogadores – que não demonstraram raça em nenhum momento e que perderam o jogo por puro relaxamento.
Ninguém vaiou, ninguém xingou e, convenhamos: torcer não tem nada a ver com boa educação…