Archive for the ‘Bullshitando S/A’ Category

A Internet é um Convento Cheio de Putas

Monday, March 30th, 2009

Hoje eu vou abrir o espaço do Bullshitando para um amigo meu, que fez um texto muito legal sobre a Internet.

Com a palavra, o grande Fernand Alphen.

No início, ninguém dava muita bola para o que saia na Internet, para o que se falava nos seus inescrutáveis meandros. Era uma molecada que brincava de ser jornalista, publicitário, comediante, cineasta.

A confusão está apenas começando.

A Internet é um megafone

Toda confusão começa com uma boa intenção. A boa intenção de falar a verdade, de ser franco, de ser uma bandeira de oprimidos, incompreendidos. Mas toda causa tem um efeito. Falar o que se quer e bem se entende sempre dá confusão. E falar num megafone como a Internet, mais ainda. E o que era apenas um suspiro de frente para o espelho vira um manifesto público multiplicado ao infinito e sem controle. A vida é assim – e não só na Internet: quem te apoia avisa. Quem não te apoia se vinga sem avisar.

Pra abrir o bico, tem que ter peito

Portanto, não adianta muito bancar o jovem imaculado descobrindo o mundo cruel, o artista inspirado no seu mundo cercado de virtualidades. O mundo não é um aquário cheio de peixes Nemo. Todo mundo tem ideias e, pior, interesses próprios. A inveja é a nossa gasolina. A Internet não é diferente de nada. Ainda que ela possa parecer livre de leis – e em larga medida é – não é livre de gentes, de pessoas. E pessoas podem ser muito mais repressoras do que a mais repressora das leis.

Quinze reais de fama

A imensa possibilidade de liberdade de expressão que a Internet proporciona está na raiz utópica do sucesso dos blogs e que tais. E, por detrás dessa sede de oratória e autoria, tem a vontade de ser visto. E, por detrás da vontade de ser visto, tem a fama e uns trocos.

Mas a confusão começa quando pingam os primeiros dinheiros. Ganhar dinheiro não é tão fácil quanto parece. Não basta dizer coisas inteligentes ou fazer macacadas. Se tem dinheiro envolvido, tem regras e leis e – queiramos ou não – elas devem ser seguidas. Podem espernear, fazer campanhas, mas pintou dinheiro, pintou confusão. Esse povo tão “liberal”, tão “paz e amor” vai se chatear.

Dinheiro e espontaneidade não ornam

E a maior confusão se arma então, quando tudo fica de pernas para o ar.

Os produtores de conteúdo, os da grande mídia, acham que essa “garotada da Internet” pode dar uma renovada. Aí a molecada vai para a grande mídia com aquela farta experiência dos seus blogs e views no YouTube. Se os brothers curtem, a Dona Maria vai curtir.

As agências de propaganda, sedentas de novidades, transferem a presumida liberdade de expressão da Web para a TV. Ao invés de comprar mídia, dá-se uma ajuda de custo àqueles que irão disseminar a mensagem. Uma espécie de suborno à legitimidade.

E as marcas, elas também, começam a achar que o que liga não é fazer propaganda, mas uma espécie de brand content ou qualquer outro anglicismo bacaninha. Tipo Merchandising 2.0

Os heróis dos blogs, porém, começam a ganhar dinheiro das marcas através de suas agências de propaganda. E o dinheiro estraga tudo.

Estraga o conteúdo, que por sua vez estraga a criação publicitária, que estraga a marca. E qualquer estrago é caro, mesmo que tenha custado três tostões.

Tchau Bill Gates!

Friday, June 27th, 2008

O Bill Gates vai se aposentar.

A notícia está em todos os jornais, em releases em ações de seeding pela internet na forma de um vídeo hilário – que foi apresentado e ovacionado na convenção da Microsoft no começo desse ano.

Bill Gates é um daqueles gênios, capazes de modificar toda uma geração ao redor do mundo. Ele pode não ter descoberto a pólvora ou a fórmula da juventude, mas foi quase isso.

O seu talento e sua visão ficarão para a posteridade. A Microsoft, mesmo com todos os seus vícios e paradigmas é o melhor significado da democratização da tecnologia. Ao lado de Steve Ballmer e Paul Allen, Bill construiu um verdadeiro império e criou uma forma agressiva e inteligente de distribuição e por isso – merecidamente – chegou aonde chegou.

Outro personagem importante na história de Bill Gates foi Steve Jobs, o gênio por trás da Apple, maior rival da Microsoft. Gates e Jobs começaram juntos, criaram o embrião da Microsoft e depois andaram por caminhos diferentes, como tinha de ser. Steve é marketeiro, é um dos oradores mais carismáticos dos nossos tempos enquanto Bill é o inverso: é um geek, tímido que prefere os bastidores aos holofotes.

A diferença entre Apple e Microsoft é total.

A Apple é um dos exemplos de marca mais bem sucedidos da atualidade. A empresa de Jobs aposta em design, em tecnologia, em portabilidade e em simplicidade.

A Microsoft é uma gigante que apostou principalmente em softwares e que nos últimos 25 anos ganhou todas as empresas e as pessoas ao redor do mundo. Acredito que mais da metade da população mundial utiliza seus produtos diariamente, como eu.

Mas, preciso confessar que estou querendo largar o PC e comprar um Mac. Devo fazer isso ainda nesse ano e sei que vou ser mais feliz…

Para finalizar, dois vídeos.

O primeiro, em um encontro histórico entre Bill Gates e Steve Jobs, há dois anos atrás. Essa é uma versão reduzida, mas no youtube tem a (ótima) entrevista dividida em 7 ou 8 partes.

<a href="http://youtube.com/watch?v=M3tUkyCRp0A">http://youtube.com/watch?v=M3tUkyCRp0A</a>

O segundo vídeo é esse que eu falei no começo desse post. O bem humorado vídeo da despedida de Bill Gates.

<a href="http://youtube.com/watch?v=HEWMC4usElM">http://youtube.com/watch?v=HEWMC4usElM</a>

Slice The Pie, Sell-A-Band e Trama Virtual

Friday, February 8th, 2008

“Show Me, Dont Tell Me” é uma das minhas frases preferidas.

A já decantada falência da indústria musical como a conhecemos não é novidade. E também não faz jus à primeira frase desse post, porque uma das principais razões dessa falência foi a omissão.

Esse é um assunto que está sempre em pauta aqui no Bullshitando e hoje eu queria mostrar 3 exemplos de gente que está pensando e FAZENDO diferente com relação à renovação na cena musical. São três sites: dois gringos e um brazuca.

Trama Virtual

Começo pelo site brasileiro da Trama Virtual.

Nunca fui fã da Trama. Sempre achei a gravadora meio perdida na panelinha criada pelo João Marcelo Boscoli e pelos irmãos Sjazman.  Do ponto de vista artístico, sempre achei aquilo refratário demais e nunca revelou nada de significante para a música brasileira. Deve ser escroto uma gravadora não ter NENHUM nome relevante em seu casting. É tudo morno, sem graça, com aquele jeitinho modernex (sic) de Max Castro, Jair de Oliveira, Luciana Mello. Chaaaaaaaaato pra cacete.

Mas isso não é problema meu e também não me causa nenhum interesse em especial.

A Trama lançou há alguns anos atrás, meio que sem grandes pretensões o site “Trama Virtual”. Talvez por ter sido o primeiro, esse site tornou-se um dos maiores repositórios de MP3 de artistas independentes brasileiros. São mais de 50 mil artistas e mais de 120mil faixas.

Como uma verdadeira praga, 80% desse conteúdo sempre foi de emos. Das 100 mais tocadas, pelo menos 90 são emos.

Mas, tudo bem…fazer o que?

No ano passado, eles lançaram uma idéia interessante: o download remunerado. É mais ou menos assim: o site vende mídia online para as empresas e parte do valor arrecadado é repassado para as bandas, de acordo com os seus downloads. O modelo até é interesante, mas os valores ainda são desanimadores para as bandas. De qualquer forma, é o embrião de um novo rumo, onde a iniciativa privada pode viabilizar novos artistas.

Ainda há muito o que ser feito, mas o download remunerado da Trama Virtual é uma verdadeira quebra de paradigma no Brasil.

Sell-A-Band

Ano passado, meu amigo ZeMac me mostrou esse site de origem alemã (apesar de ser todo em inglês). Fiquei tão entusiasmado com o potencial daquilo que junto com ele e mais alguns parceiros, começamos a desenvolver um trabalho para a Semp Toshiba, lá na Talent.

Evoluímos bastante na concepção do projeto, mas infelizmente a Semp Toshiba não teve tanto interesse assim – e a iniciativa foi morrendo.

O Sell-A-Band aposta em um modelo de “poupança”. As bandas podem criar as suas comunidades e pedir doações para viabilizar o sonho de gravar o seu primeiro disco, bastando para isso criar uma página com informações e links, além das suas MP3 (no máximo 3, que são chamadas de faixas demo). Aquilo tem que estar sempre impecável e atualizado, para poder dar certo.

Eles sugerem que as bandas façam todo tipo de divulgação, para atrair o máximo de pessoas para dentro do site, que fará o papel de arrecadar a grana.

O objetivo das bandas é arrecadar U$50mil dos ”believers”. São cotas de U$10, que podem ser divididas de qualquer forma, para atingir o objetivo final.

Na hora em que a banda atingir o seu objetivo, o site designa um especialista que irá cuidar de todo trabalho de A&R, produção e gravação do disco.

Os believers recebem em casa uma cópia do disco, numerada e as faixas estarão disponíveis no site para download (U$0.50). O lucro dos downloads são divididos igualmente entre os artistas, os believers e o site. Além disso, o Sell-A-Band tem o mesmo esquema de repassar para a banda e para os believers um valor, de acordo com a audiência.

Uma primeira leva de CD´s são feitos pelo Sell-A-Band, para serem distribuídos por lojas afiliadas (online e offline). Toda renda proveniente dessa venda será dividida igualmente entre as três partes: banda, “believers” e Sell-A-Band. 

Os CD´s também são oferecidos para a banda a preço de custo. Nesse caso o Sell-A-Band não ganha com essas vendas, e ainda repassa U$2 por unidade para os “believers” daquela banda.

Os “Believers” são incentivados a conhecer e investir em novos talentos. A palavra investir aqui é importante, porque além dos discos, os “believers” podem ganhar uma boa grana de volta, com audiência, downloads de MP3 e vendas dos discos dos seus artistas preferidos. 

Isso faz com que os “believers” também passem a ter interesse em que seus artistas aconteçam. E assim, um estopim de marketing viral vai sendo aceso a cada U$10 investidos.

Acho essa idéia verdadeiramente revolucionária e incendiária.

Slice The Pie

O último site chama-se “Slice The Pie”. Conheci há duas semanas atrás, navegando por aí.

O “statement” deles é o seguinte:

Se você é um artista, ganhe dinheiro com sua música. Se você é um fã de música, ganhe dinheiro descobrindo novos talentos e fazendo críticas. Se você quer financiar ou negociar com bandas e artistas, construa o seu próprio selo e lucre com o sucesso dos seus artistas.

Fantástico, né? 

O “Slice The Pie” é parecido com o “Sell-A-Band”, porque abre espaço para bandas e “believers”. Ele parte do mesmo princípio que os fãs irão viabilizar os novos artistas, mas existem enormes diferenças no funcionamento da coisa.

Tem um formato de bolsa de apostas (bem coisa de inglês), onde o mais importante é a banda conseguir popularidade e ir vencendo um processo seletivo que vai se afunilando com o passar do tempo. O site inclusive diz que o interesse é gerar oportunidade para que 1000 bandas gravem, e não 100 bandas – como costuma ser a cultura tradicional do “hit parade” (essa é exatamente a teoria do maravilhoso livro “A Cauda Longa” de Chris Robinson).

Os artistas investem 20 libras por música. A música participa das prévias por aproximadamente 8 semanas e de ter sido avalidada por pelo menos 10 vezes pelos fãs, juntamente com outras 1.000 músicas randômicas. As 20 melhores avaliadas passam adiante para a fase “showcase” e recebem créditos por isso.

Quando as bandas atingem 15mil libras (com pelo menos 1000 fãs), recebem a grana e todo suporte para a gravação do disco.

Aí a coisa funciona mais ou menos como no outro exemplo.

 

* * * * * * *

Moral da história: existem caminhos para os artistas. O fundamental é manter a chama acesa e estar em ação o tempo todo. O nome do jogo é dedicação e fé. 

Estratégias de sobrevivência para artistas emergentes – e para os “megastars”

Sunday, January 13th, 2008

O título desse post é a tradução literal do artigo que David Byrne escreveu na Wired de janeiro. É um longo título para um assunto que está abalando o abalado mercado musical, em todos os sentidos e para todos os lados ao mesmo tempo.

Se você quiser ler o artigo de Byrne, clique direto AQUI. A partir de agora, eu misturo o texto dele com minhas impressões.

Um dos pontos mais bacanas desse texo é a orientação dele. Byrne, como conhecedor de causa de ambos os lados (indústria X artistas), conseguiu depurar o que realmente importa – e ele concluiu que é o lado do artista. Por isso o texto tem esse título, 100% voltado para quem está começando – ou mesmo para quem está nisso há bastante tempo.

Pode parecer óbvio que o artista seja o centro da discussão, mas não é. Ao longo de tantos anos, os executivos da indústria criaram todo um mercado, toda uma forma de gerar lucro, além da idolatria. É como colocar em uma balança a razão contra a emoção – e música tem um quê de passionalidade.

Esse é um jogo de ganhar e perder (muito) dinheiro, de liberdade criativa contra a pressão pelo novo hit. São dois lados antagônicos que viveram às turras durante um longo casamento e que agora estão sentados em um tribunal discutindo a divisão de bens.

É esse o ponto crucial da história: a indústria (como a conhecemos) está separando-se dos artistas (como os conhecemos) e daí surgirá algo realmente novo de ambos os lados.

Atualmente não existe uma ordem. O Radiohead lançou o disco “In Rainbows” de um jeito totalmente diferente, com grande apelo na internet e diz que ganhou uma boa grana que a antiga gravadora (EMI) não passava para eles – os downloads remunerados da internet. A “best seller” Madonna largou um contrato gigantesco com a toda poderosa Warner Bros, para assinar com a Live Nation, uma divisão da Clear Channel, voltada para a organização de eventos.

Tudo está de cabeça para baixo mesmo.

O artigo de Byrne começa a ficar interessante quando ele estabelece o que é música. Há muitos anos atrás música era uma experiência, que só podia ser comprovada ao vivo e a cores. Isso foi antes de surgir qualquer técnica que propiciasse a gravação dos fonogramas. Ainda naquela fase, haviam os mecenas e gente que endossava os artistas – que viabilizava as apresentações. Talvez isso acontecesse sem a mesma fome pelos lucros que possuem os oligopólios de comunicações da atualidade. O fato é: antes de surgir a tecnologia de gravação, não era possível separar a música do evento social em si e mesmo para quem pagasse pelo evento, o que ficava era apenas a memória. 

Não era possível copiar, vender, emprestar, trocar, reproduzir ou qualquer coisa nesse sentido.  E assim, a história resume-se ao século 20 – que foi quando a tecnologia de gravação nasceu e evoluiu.

Assim como ele diz, eu não consigo imaginar a minha vida sem música. Passei a maior parte dos meus dias ouvindo, tocando e trocando música com meus amigos. Tenho mais de 2500 cds na prateleira da sala, tive muito vinil, muita fita-cassete e atualmente devo ter uns 200 DVDs. Meu iPod tem cerca de 1omil faixas.  A música é a minha principal formação e fonte de informação. Muito do que sou está em letras de músicas. Minhas melhores e piores lembranças estão invariavelmente ligadas a músicas. Meu passado e meu futuro estão em músicas. A música interfere até no jeito de eu me vestir.

E para que surgiram as gravadoras? Para tornar tudo isso viável em escala. As principais funções das gravadoras eram prestar os seguintes serviços:

  • Custear as sessões de gravações;
  • Manufatura do produto;
  • Distribuir
  • Fazer marketing e promoção
  • Adiantar uma grana para turnês, videoclips e equipe de apoio
  • “Aconselhamento” dos artistas nas suas carreiras e discos
  • Cuidar da contabilidade

Todos os custos de uma gravadora tinha o seu retorno na vendagem de discos (ou cassetes, ou vinis, ou qualquer mídia utilizada para gravar os fonogramas). E talvez esse tenha sido o grande pecado da indústria – ou mesmo, o seu pecado mortal.

Ao longo das últimas décadas, muito mudou – reduzindo substancialmente o valor desses serviços para os artistas. 

O custo de gravação caiu vertiginosamente, chegando a praticamente zero. Para alguns artistas, um disco pode ser todo feito no mesmo laptop em que você lê um email.

O custo de manufatura e distribuição também reduziu drasticamente, considerando que a internet pode desempenhar esse papel.

Os shows também foram deixando de serem encarados como promoção para a venda dos discos. Na verdade, isso mudou completamente, fazendo a coisa funcionar quase que ao contrário.

E assim, Byrne teoriza sobre 6 modelos de negócios na música.

1) Sociedade

Todos os aspectos na vida do artista são de responsabilidade de produtores, promoters, empresários e marqueteiros. O artista vira uma marca, totalmente gerenciada por uma equipe. Normalmente, esses são acordos de longo prazo – possibilitando um planejamento profundo para a carreira do artista. Korn, Robbie Williams e Pussycat Dolls possuem contratos assim e absolutamente tudo que eles botam a mão (shows, camisetas, discos, videos, molho de churrasco, etc) viram dividendos para essa empresa.

O tal acordo da Madonna com a Live Nation é assim também. Os caras deram 120 milhões de dólares para ela – de agora em diante, mordem um pedaço de tudo que ela faz. E assim será por um longo tempo.

2) Acordo de distribuição tradicional

A gravadora assume custos iniciais de gravação, distribuição e promoção. O artista recebe royalties (percentual sobre vendas), após os custos iniciais terem sido ”recuperados”. Um detalhe: nesse cenário, a empresa fica com os direitos autorais dos fonogramas - para sempre.

A interferência da gravadora é grande. A busca pelos hits e singles é constante.  

Esse é o modelo mais tradicional de todos. Até bem pouco tempo atrás, esse era o modelo de negócios em praticamente todos os casos.

Segundo Byrne, muitos artistas ficaram reféns das gravadoras – por não atingirem o patamar de vendas necessário para reestabelecer o valor adiantado. Ele usa como exemplo o Michael Jackson, MC Hammer e o TLC.

3) Modelo de Licensiamento

Essa forma de acordo é parecida com a anterior, mas aqui, o artista fica com todos os direitos e com a cópia da “fita master”. O direito de exploração para a gravadora é por tempo limitado (normalmente são 7 anos). Depois desse tempo o artista passa a ter direito integral de explorar os fonogramas.

Se um artista grava um disco e não precisa de apoio financeiro, esse é um formato bem interessante. Há menor interferência da gravadora no trabalho, mas pode haver menos investimento e entusiasmo por parte da gravadora.

De qualquer forma, esse modelo é interessante porque há uma clara preocupação de ambas as partes com os custos. Controle é o nome do jogo – e isso faz com que a relação fique interessante para os dois lados.

Quem opera assim: Arcade Fire com a Merge Records.

4) Divisão de lucros (profit sharing) 

A gravadora adianta um valor mínimo para a produção do disco, como forma de estabelecer o contrato.

Desde o primeiro momento, as duas partes dividem despesas e lucros. O artista fica com a fita master.

5) Produção e distribuição

O artista compõe e assume os custos de gravação do material. O selo só entra depois que a fita master está pronta, para cuidar da manufatura do disco e da sua distribuição. Normalmente o trabalho de promoção e marketing também é feito por essa empresa.

Dificilmente grandes gravadoras fazem esse tipo de contrato. Aqui o artista tem controle total e simplesmente contrata o selo como fornecedor – remunerando-o de acordo com a vendagem dos discos ou mesmo dos shows em um acordo bem simples de “prestação de serviços”.

É uma grande aposta, mas tem gente que se dá muito bem dessa forma.

6) Distribuição própria (DIY – do it yourself)

Não há gravadora, não há produtora. O artista e sua equipe cuidam de absolutamente tudo.

Os discos são vendidos nos shows e em websites. A promoção é pela internet (My Space)…

Esse é o modelo adotado pela maioria das bandas independentes ao redor do mundo – e não necessariamente por opção (normalmente pela falta dela). O que está começando também a acontecer com grandes artistas, que possuem público fiel.

O Radiohead é um bom exemplo, mas alguns outros também estão indo por esse caminho. Aqui no Brasil já é assim com as bandas de axé e o fenômeno popular Calypso.

No final das contas, todos esses modelos podem evoluir ou desaparecer. E, na visão de Byrne essa é uma grande vantagem desses tempos. Ao invés de ficar lendo o noticiário que as grandes gravadoras estão indo para o ralo, os artistas precisam enxergar que as oportunidades existem e elas são muitas.

Fiz questão de escrever esse post, porque uma coisa que eu ainda penso em fazer é desenvolver um selo musical. Eu amo música e, desde que eu fui produtor de uma banda fantástica, percebi que não posso me distanciar desse mercado. é o que eu gosto e (acho que) tenho talento para a coisa.

O outro motivo é pelo fato de eu conhecer muitas bandas independentes, que por vezes não sabem muito o que fazer – nessa fase de tantas incertezas. Sem otimismo gratuito, fica claro que o importante é fazer shows e batalhar para ser cada vez mais conhecido por diferentes pessoas. O negócio é criar “lastro” e seguir em frente.

Dedico esse post gigantesco ao Gregg e ao China. Desejo muita sorte a esses dois grandes amigos e às suas excelentes bandas: Tontera e Stellabella.

…E a internet engrenou a terceira marcha!

Tuesday, August 28th, 2007

Tem uns 15 dias que saiu um estudo feito pela F/Nazca com a Datafolha, sobre o acesso à internet e o resultado foi assombroso.

Por algum motivo que eu desconheço a internet brasileira sempre utilizou os números do IBOPE / Nielsen Net Ratings, como oficiais. O problema é que o critério sempre foi muito esquisito, principalmente se tratando de Brasil. Eram sumariamente ignorados os acessos em locais públicos e em empresas. Apenas o acesso residencial era medido.

Em um país pobre, como o nosso, não dá pra achar que só quem tem um PC em casa acessa a internet. E mais do que isso…os números de alguns sites e serviços são assustadoramente altos, mesmo quando comparados com os índices americanos.

  • O Brasil é o país com o maior número de assinantes do MSN Messenger em todo o mundo, com aproximadamente 31 milhões de usuários cadastrados, que representam quase 12% do total de usuários de messenger no mundo.

  • Mais de 28 milhões de pessoas utilizam Home Banking;

  • O Brasil tem a maior comunidade do Orkut no mundo, com 72% do total e 11 milhões de usuários únicos (apenas acesso residencial). Esse é o site mais acessado em nosso país.

Enquanto o IBOPE falava em 31, 5 milhões de usuários, a pesquisa da F/Nazca com a Datafolha chegou a 49 milhões de usuários com mais de 16 anos. Por projeções, o número final, considerando a molecada, chegamos a aproximadamente 60 milhões de pessoas online.

É quase o DOBRO do número oficial, justamente por conta do acesso em locais públicos. 22% das pessoas acessam a internet em LAN Houses, escolas, bibliotecas, McDonald’s, Correio, etc. Ainda tem uma boa quantidade da amostra que acessa na casa de amigos (16%) e o acesso no trabalho, que chega a 13%. Ou seja, está comprovada a diferença, porque 51% dos acessos estavam negligenciados pelo IBOPE.

E, mais um dado assombroso é a permanência. Segundo o IBOPE, o brasileiro fica online aproximadamente 21 horas e 45 minutos. É disparado o maior tempo de conexão no mundo.

Para mim, a próxima grande mudança, que ainda precisa ser tomada pelo mercado é abandonar definitivamente a quantidade de “pageviews” como o principal número de audiência. As duas medidas que fazem mais sentido são: “unique visitors” (quantidade de usuários que acessaram o site no período) e “stickness” (tempo de permanência).

E o preço dos computadores está despencando…

Lovemarks

Monday, August 6th, 2007

Você sabe o que é uma “LOVEMARK”?

Essa expressão foi criada por Kevin Roberts, que é o CEO da Saatchi&Saatchi (empresa que eu trabalho) para o fantástico livro homônimo, lançado em 2004.

O próprio nome já entrega. Uma LOVEMARK é aquela marca que transcende o limite do racional. São marcas que possuem uma notória capacidade de estarem “tatuadas” nos seus consumidores, que quando chegam nesse ponto, deixam de serem consumidores para tornarem-se fãs.

Eu acho que o filme “Live By It” da Harley Davidson exemplifica perfeitamente essa sensação. Aumente o volume, preste atenção (o texto é brilhante) e curta essa verdadeira obra-prima:

http://www.youtube.com/watch?v=U2olCKnTVPI

A relação de um fã é sempre passional, é sempre extrema – e muitas vezes, inexplicável.

Talvez inspirado por John, Paul, George e Ringo, Kevin Roberts tenha concluído que o caminho inexorável para o sucesso das empresas e suas marcas é o amor.

O livro de Kevin é obrigatório, não só para quem vive no mercado de comunicação, mas também para aqueles que não sabem de onde vem a motivação quando determinadas marcas aparecem – e inexplicavelmente causam tantas sensações positivas. O livro desvenda esse caminho.

O site também é bem legal: http://www.lovemarks.com

As minhas principais LOVEMARKS, por diferentes razões são:

  • Harley Davidson
  • Apple
  • Nike
  • Starbucks
  • Heinz
  • Flamengo
  • Gap
  • Ecko
  • Swatch
  • Biscoito Globo
  • Matte Leão
  • Playboy
  • Fender
  • Lucky Brands
  • Skol
  • Coca Cola

Quais são as suas LOVEMARKS?

Aware Records: luz no fim do túnel para a indústria fonográfica

Tuesday, July 24th, 2007

Tem alguns anos que eu descobri a Aware Records.

Nessa minha fixação por entender os rumos e o futuro da indústria fonográfica, eu pesquisei bastante para achar um case vencedor, no meio de tantas notícias ruins – e foi exatamente assim que descobri um cara chamado Gregg Latterman e a sua Aware Records.

É bem verdade que o modelo de negócios deles é bem sucedido porque ele utiliza as características do mercado americano, mas ainda assim eu acho que há uma luz no fim do túnel para as gravadoras – é só uma questão gritante de miopia.

A história começa em 1993, com um consultor da Coopers & Lybrand, que ganhava a vida garimpando empresas de nova tecnologia para investir. No auge de uma crise existencial, Gregg resolveu largar tudo para dar aulas de Ski (ele foi campeão desse esporte poucos anos antes). Quando o inverno acabou, Gregg não sabia bem o que fazer.

Ele é um daqueles caras que sempre esteve envolvido com música, com um CD debaixo do braço para mostrar aos amigos sua mais nova descoberta, falando: - Cara, você tem que ouvir esse som!!

[Para quem me conhece, as nossas semelhanças param por aí.]

A idéia genial que ele teve foi de criar um selo, onde as pessoas pudessem encontrar uma referência para boa música, independente de conhecer o artista. É como se ele “autenticasse” o que era bacana (assim como a Sub Pop havia feito com a cena grunge em Seattle).

Mas para que isso pudesse fazer sentido, ele precisava de um bom casting e obviamente de distribuição. Foi aí que ele teve a sua primeira grande sacada.

Ele reuniu as suas “apostas” em uma coletânea, que ele bancou do seu próprio bolso. O acordo com as bandas (todas elas independentes) era que elas iriam divulgar a coletânea em shows, fazendo um número de eventos em parceria com as outras bandas da coletânea.

Era mais ou menos assim: como tinham bandas de diversas cidades, o intercâmbio era a regra número um. Desse jeito, as bandas começavam a compartilhar público e aumentar a legião de fãs de uma forma totalmente orgânica. Era trabalho de formiguinha mesmo – e autêntico até o talo.

O trabalho de Gregg era basicamente promover esses eventos, fazendo divulgação na cena local. E foi aí que ele teve a sua segunda (e maior sacada). Além de trabalhar para estabelecer um bom network com diretores de rádios e de televisões locais, Gregg começou a montar um time de divulgação dentro das universidades. Esse time de divulgação recebia todo tipo de material (flyers, lambe-lambe, material de merchandising, ingressos do evento e até discos das bandas).

Igual ao consagrado modelo “door-to-door” da Avon, a Aware começava a montar o seu exército de revendedores, sem precisar estar em pontos de vendas tradicionais (as grandes – e cada vez maiores – lojas de discos).

E assim o negócio começou a render bons frutos.

A relação com os artistas também era bem peculiar. Quando algumas bandas dessas coletâneas começavam a despontar, a Aware lançava um disco exclusivo. Ao invés de bancar estúdios caros e dar “advanced” pela obra, Gregg alugava vans ou micro-ônibus, para que esses artistas estivessem em turnê, o tempo todo. Se os shows fossem bem sucedidos, haveria fluxo de caixa para alimentar os custos da turnê e também de divulgação.

Cerca de três anos após ter aberto suas portas (na verdade a empresa começou na sua própria casa), a Aware foi contratada pela major Columbia / Sony, como um selo satélite, de desenvolvimento de novos talentos.

A Aware já fez mais de 10 coletâneas, todas vendendo muito bem e já revelou grandes nomes para a cena pop rock americana: John Mayer, Matchbox 20, Hootie & Blowfish, Shawn Mullins e Train (entre outros).

A rede de representantes ultrapassa a barreira das 1500 pessoas, em 45 estados (cerca de 400 cidades).

Aí eu pergunto: será que não existe saída para a indústria?

The Perfect Pitch – Jon Steel.

Saturday, July 21st, 2007

Eu tendo a rejeitar livros técnicos, porque acho um tédio. Eu simplesmente começo a sabotar a leitura, pulando inicialmente parágrafos, tópicos e até mesmo capítulos, conforme o assunto vá se esgotando para mim. Honestamente, acho que qualquer livro técnico poderia ser resumido em 1/3 das páginas que são efetivamente publicadas.

“The Perfect Pitch”, escrito por Jon Steel poderia ser mais um livro desses, se não tivesse sido recomendado pelo Julio Ribeiro aos executivos da Talent. Não só pela indicação do Julio, mas talvez esse tenha sido um dos livros que eu menos tenha “roubado no jogo”, porque gostei do estilo do autor – e encontrei bons argumentos ao longo da leitura.

Jon Steel é um publicitário experiente, que trabalhou na área de planejamento de grandes agências e – segundo ele – ganhou cerca de 90% das concorrências em que esteve envolvido. Acho difícil, mas gosto dessa presunção (isso é coisa de “bullshiteiro” profissional).

Em “The Perfect Pitch”, a grande lição é como fazer apresentações vencedoras, ou ainda, de como “salvar o mundo das apresentações ruins”.

O próprio Jon Steel pergunta: qual foi o argumento mais poderoso e persuasivo que você ouviu? E ele mesmo já responde que é praticamente impossível que isso tenha acontecido em uma sala de reunião.

A verdade é que nesse exato momento em que você está lendo esse texto aqui no BULLSHITANDO, muitas pessoas estão fazendo apresentações. Não apenas os executivos de empresas ou publicitários, Jon Steel cita técnicos de futebol, políticos, militares, médicos, advogados ou professores.

A Microsoft estima que diariamente, são criadas mais de 30 milhões de apresentações em Power Point. Você acredita nisso? E de fato, vale a reflexão proposta por Steel: quantas dessas apresentações são relevantes? Quantas são realmente inspiradoras? Não precisa ser um gênio para concluir que apenas uma pequena minoria deve superar a barreira da mediocridade.

Mas, então…como fazer para ser parte dessa minoria? Como conseguir fazer algo que represente alguma mudança na vida das pessoas, ou ainda – que cause uma reação positiva na platéia?

O princípio da coisa está em saber contar histórias, entretendo as pessoas enquanto seres humanos – independente dos seus cartões de visitas.

Apresentações costumeiramente estão relacionadas a situações de pressão. O medo de errar diminui consideravelmente as chances de acertar. E, por isso, é fundamental manter a lucidez. O apresentador precisa estar orientado a buscar a resposta perfeita. Essa resposta muitas vezes está na capacidade de saber ouvir o seu interlocutor, de ir além do briefing.

O sucesso também está proporcionalmente relacionado ao nível de detalhes a que você tem conhecimento (e não ao que você expõe em uma apresentação). Aliás, esse é um outro ponto importante: sair das armadilhas do perfeccionismo. Uma apresentação muito detalhista é um verdadeiro caos para a audiência. O apresentador não precisa provar que sabe tudo sobre um assunto, mas ele precisa estar seguro da sua proposta. Detalhes são sempre muito chatos. Menos é mais.

A apresentação não se resolve isoladamente na forma ou mesmo na capacidade de oratória do apresentador. O que realmente importa é que as pessoas entendam o que está ali – e ao invés de elogiar a forma ou o orador, que eles concordem com o tema ou mesmo sintam-se desafiados a participar daquilo que foi apresentado. A palavra chave é: envolvimento.

E, Steel finaliza afirmando que quando a apresentação é bem sucedida, a audiência não ouve o que o interlocutor está dizendo, mas instintivamente interpreta o significado do tema na sua própria vida.

Sem fórmulas, clichés ou “passo a passo”, “The Perfect Pitch” é recheado de bons exemplos como o julgamento de O.J. Simpson, os discursos de Bill Clinton, um briefing espetacular passado pessoalmente por Steve Jobs, dezenas de “pitches” (concorrências) de grandes contas publicitárias e o que esteve por trás de diversas campanhas.

O livro não foi traduzido aqui no Brasil, mas vale uma visitinha na Amazon. http://www.amazon.com/Perfect-Pitch-Selling-Winning-Business/dp/0471789763/ref=pd_bbs_sr_1/104-4423802-5476742?ie=UTF8&s=books&qid=1185037743&sr=8-1

O poder da imagem

Thursday, July 5th, 2007

Tem uns meses que eu fui assistir um congresso de inovação, aqui em São Paulo.

O dia começou com a diretora do Cirque du Soleil, que criou umas 10 regras para que a inovação e a criatividade façam parte do processo nas empresas e entre as pessoas, de uma forma geral. Cheirinho de palestra pronta…e o tédio só não tomou conta da platéia, porque quando as pessoas começavam a roncar, a moça disparava um dos vídeos sensacionais do Cirque du Soleil.

Depois veio o Mario Castellar, um coroa carioca, Vice Presidente da Nestlé. Ele trouxe um case que não tinha muito a ver com a proposta do congresso. Era sobre o serviço de atendimento da Nestlé, que tem uma relação muito direta com os consumidores, etc. Foi engraçado, mas confesso que até ali, estava com a sensação de estar perdendo o meu tempo.

Um pouco antes do almoço subiu no palco o Tom Kelley. Um americano super festejado pela platéia e pelos especialistas. O dono da empresa IDEO (http://www.ideo.com) tem um jeitinho muito comum de consultor. Achei que ia ser mais uma palestra chata, mas coisas que eu ouvi naquele dia martelam na minha cabeça até hoje. A apresentação dele foi basicamente voltada para mostra o “poder da forma”, de como o design é um fator relevante e decisivo, quando considerado como um dos pilares do negócio.

Kelley mostrou vários cases interessantes, um deles sobre o Palm – na fase que esse era o objeto de desejo de 9 entre 10 executivos em todo o mundo (estou exagerando um pouco). Em 2001, a 3 Com estava lançando dois modelos de Palm: o Palm Pilot e o Palm V. Eram produtos idênticos, com o mesmo hardware e software – a mesma capacidade de armazenamento e as mesmas características. No entanto o primeiro custava U$349 e o segundo custava U$499. A única diferença era o design e o acabamento do produto. O Palm V tinha um case metálico e era mais fininho. Apesar da diferença no preço, de mais de 40%, o segundo modelo vendeu cerca de 7 milhões de unidade, contra 1 milhão de unidades do Palm Pilot.

E assim, Kelley foi provando o valor do design, de uma forma muito clara, muito tangível. Não estávamos mais falando de uma noção abstrata do poder da forma, mas de inserir o design como “drive” de negócios para obter margens substanciais – ou mesmo para que isso passe a ser uma vantagem competitiva real da empresa. Ele seguiu por mais de duas horas, elencando uma série de bons exemplos de influência direta do design no valor do negócio: Starbucks, Apple, Swatch, Google, Nike e BMW.

Um dos últimos cases que Tom Kelley apresentou foi o da Samsung. Ele fez questão de comparar o “boost” que a marca teve em 5 anos, tendo investido dramaticamente em design. Em uma comparação com a Sony (que desacelerou os investimentos em inovação nesse período), o valor da marca da Samsung cresceu de 5Bilhões de dólares em 2000, para chegar a aproximadamente 16 bilhões de dólares em 2005. Nesse mesmo período a Sony caiu de U$16,5 Bi para menos de U$11Bi.

E você…acredita no design como base para os negócios?

O código Apple

Tuesday, February 13th, 2007

Recentemente o Steve Jobs publicou uma carta aberta à indústria fonográfica.

Basicamente, ele argumenta com as gravadoras sobre a idéia de retirar o DRM das músicas vendidas online. Pra quem não sabe, o DRM é uma espécie de licensa digital para a execução do fonograma (digital rights management).

A carta é muito interessante (http://www.apple.com/hotnews/thoughtsonmusic), mas o bacana é concluir o que está por trás disso tudo.

Atualmente, METADE do faturamento da Apple já é proveniente das vendas de iPods. Foram mais de 90milhões de aparelhos vendidos – causando uma verdadeira revolução no hábito das pessoas. A Apple poderia ter “perdido o jogo”, para a Microsoft, insistindo apenas nos seus (lindos) computadores e notebooks, mas o seu visionário CEO Steve Jobs tratou de achar novos caminhos para trazer a empresa para o “olho do furacão”.

Esse caminho iniciou-se com a criação dos iPods, mas está longe de terminar. A Apple quer muito mais…

Há um mês atrás, tive a oportunidade de acompanhar pela internet a conferência de lançamento do iPhone e Apple TV. Foi quando o carismático Jobs resolveu mudar o nome da empresa, para “Apple, Inc.”. Para os céticos, isso pode ter sido apenas um factóide – uma jogadinha de marketing para chamar a atenção. Eu prefiro achar que existe algo muito maior por trás disso.

Acredito que Steve Jobs não veja mais a Microsoft como sua principal concorrente. Acredito que ele esteja mirando fortemente na indústria do entretenimento, de uma forma bem mais ampla.

Não seria nenhuma surpresa para mim, se a Apple resolvesse passar a ter uma participação mais forte na área de geração de conteúdo. Diferente de algumas empresas que quebraram a cara com essa decisão, a empresa de Steve Jobs tem uma peculiaridade: ela está muito mais próxima do consumidor – e esse pode ser o fator de desequilíbrio do negócio.

Se a Apple resolve lançar a sua gravadora, os próprios artistas terão enorme interesse – por causa da capacidade de distribuição da Apple, que tem laços estreitos com os consumidores no mundo virtual – diferente de qualquer outro player da indústria.

Essa mudança de eixo traz novos horizontes para a Apple e mais do que outra coisa, vai causar forte rebuliço no mercado varejista (Amazon, etc) – que passa a ter um concorrente indigesto.

Quem ganha com isso? O consumidor.

(continua em breve)