Acabei de ler que os Killers devem “tirar férias” no ano que vem, porque os 4 amigos não se suportam mais. Não conseguem nem mais andar no mesmo carro durante as turnês. (Veja matéria na íntegra aqui).
Que grande merda! Mais uma das minhas bandas do coração que vai acabar.
Eu acho que para as bandas darem certo não precisa haver harmonia nem concordância geral. Tem aquela história do guitarrista que traçava uma linha no palco para limitar a área de atuação do baixista – se o cara cruzasse a faixa imaginária, a porrada comia ali mesmo). Exageros à parte, é claro que o clima de tensão e de nervosismo acaba por abreviar carreiras bem sucedidas.
A lista de bandas que acabaram por diferenças entre os integrantes é enorme e célebre, começando pelos Beatles, The Police, Pink Floyd, Black Sabbath, Guns ‘N Roses entre milhares de outras.
Eu poderia montar uma tese aqui que o dinheiro e as drogas estragam a amizade entre companheiros de banda, o que de certa forma até é verdade para a maioria dos casos. Mas não é só esse o ponto. Grandes bandas acabam por outros motivos, ou por nenhum motivo em especial, como o Foo Fighters (a minha banda preferida), que acabou porque os caras estavam querendo curtir a família. No auge da carreira, eles simplesmente cansaram das turnês (veja aqui).
Eu não entendo.
Qual é a receita do U2, dos Rolling Stones, do Rush e do Kiss?
Hoje assisti a entrevista do Gilberto Gil para a Marília Gabriela no GNT.
Sempre achei Gil um verdadeiro gênio da raça. Sempre admirei a sua infinita capacidade como letrista, compositor e também como intérprete e músico.
Lembro de um show, há vários anos atrás, quando ele botou o Stevie Wonder no bolso, durante o Free Jazz. Eu tinha ido com uma expectativa gigante por esse show, mas o que eu vi foi uma performance inesquecível do Gil e sua banda fabulosa, com Artur Maia no baixo e Robertinho Silva na bateria.
Gil sempre foi cativante, carismático. Ele sempre foi um cara que esteve à frente do seu tempo, tendo encantado diversas gerações. Talvez ele realmente tenha sido o maior de todos os artistas da MPB de todos os tempos. Maior que Chico, Caetano, Milton, Djavan, entre outros.
O seu grande pecado foi virar ministro.
Não dá para dizer que ele tenha perdido tempo, porque infelizmente nada de novo aconteceu nesses últimos 5 ou 6 anos na música brasileira.
Mas particularmente, eu não acho que ele tenha emprestado tanto talento no campo político desse (des)governo que vivemos. Continuo achando que o país não valoriza tanto a sua cultura, a sua produção – e Gil não foi capaz de mudar esse cenário. Mas não sei se esse desafio cabe para algum ser humano, principalmente no governo Lula.
Gil voltou – e aos 66 anos – mostra apetite de menino lançando um disco novo, todo disponível para download gratuito e também com faixas para creative commons.
A entrevista foi fantástica, apesar da evidente esquiva de um político Gil – quando perguntado sobre eventuais críticas ao governo. Ele manteve a elegância e preferiu concentrar seus pensamentos e suas músicas sobre outros temas mais inspiradores.
Marília Gabriela insinuou que gostaria de ouvi-lo sobre temas ásperos, como a sua visão sobre a morte. Gil disse que esse não era um tema áspero. Esse era um tema corriqueiro para ele, que via a coisa com naturalidade e com tranqüilidade. Ele sabe que sua vida já está mais para o fim – e ainda assim lida com a questão de uma forma muito verdadeira, sem buscar desvios ou mesmo sem se enganar.
Gil escreveu uma música sobre o assunto. É a faixa de abertura desse novo disco (que ainda não ouvi). Também não conhecia a música e ouvi pela primeira vez nessa entrevista. A letra é singela e comovente.
“Não Tenho Medo da Morte”
Não tenho medo da morte, mas sim medo de morrer
- Qual seria a diferença? – você há de perguntar
É que a morte já é depois que eu deixar de respirar
Morrer ainda é aqui na vida, no sol, no ar
Ainda pode haver dor ou vontade de mijar.
A morte já é depois já não haverá ninguém
Como eu aqui agora pensando sobre o além
Já não haverá o além o além já será então
Não terei pé nem cabeça nem figado, nem pulmão
Como poderei ter medo se não terei coração?
Não tenho medo da morte, mas medo de morrer, sim.
A morte e depois de mim
Mas quem vai morrer sou eu o derradeiro ato meu
E eu terei de estar presente assim como um presidente dando posse ao sucessor
Terei que morrer vivendo sabendo que já me vou
Então nesse instante sim sofrerei quem sabe um choque
Um piripaque, ou um baque, um calafrio ou um toque
Coisas naturais da vida como comer, caminhar
Morrer de morte matada. Morrer de morte morrida.
Quem sabe eu sinta saudade, como em qualquer despedida.
A década de 60 foi extremamente rica. A juventude mundial esteve envolvida em fenômenos sociais e culturais que acabaram gerando um incrível legado musical. A guerra do Vietnã, Watergate, Martin Luther King e Malcom X, capitalismo X socialismo, o homem na lua, os hippies, o britpop (e a invasão inglesa), o festival de Woodstock, foi muita coisa em apenas uma década – que eu gostaria muito de ter vivido.
Não sou especialista no assunto, mas pensando um pouco sobre o que aconteceu nesse momento, fiquei inspirado em montar uma lista com as 30 melhores músicas dessa década.
Uma única regra: não repeti o autor, principalmente em uma década que foi o apogeu dos Beatles.
Ahhh…e para quem não conhece as minhas listas, não há qualquer ordem.
1. “Mrs. Robinson” (1968) – Simon & Garfunkel
2. “Break On Through” (1967) – The Doors
3. “I Left My Heart On San Francisco” – Tony Bennett
4. “What A Wonderful World” (1968) – Louis Armstrong
5. “I Say A Little Prayer” (1968) – Aretha Franklin
6. “Pretty Woman” (1964) – Roy Orbinson
7. “You’ve Lost That Loving Feeling” (1965) – Righteous Brothers
8. “How Deep Is Your Love” (1967) – The Bee Gees
9. “Can’t Help Falling In Love With You” (1961) – Elvis Presley
10. “California Dreamin’” (1966) – The Mamas & The Papas
11. “Blowin’ In The Wind” (1963) – Bob Dylan
12. “Georgia On My Mind” (1960) – Ray Charles
13. “She Loves You” (1963) – The Beatles
14. “Born To Be Wild” (1968) – Steppenwolf
15. “Fortunate Son” (1969) – Creedence Clearwater Revival
16. “Son of a Preacher Man” (1968) – Dusty Springfield
17. “Little Wing” (1967) – Jimi Hendrix
18. “Gimme Shelter” (1969) – The Rolling Stones
19. “Don’t Let Me Be Misunderstood” (1965) – The Animals
20. “Ring Of Fire” (1963) – Johnny Cash
21) “I Heard It Through The Grapevine” (1968) – Marvin Gaye
22) “Good Vibrations” (1966) – The Beach Boys
23) “Psycho” (1965) – The Sonics
24) “Stand By Me” (1961) – Ben E. King
25) “Everyday People” (1969) – Sly & the Family Stone
26) “You Really Got Me” (1964) – The Kinks
27) “I Feel Good” (1965) – James Brown
28) “Misirlou” (1963) – Dick Dale & The Del-Tones
29) “Raindrops Keep Falling On My Head” (1969) – B.J.Thomas
30) “My Generation” (1965) – The Who
Na semana que vem eu posto as 30 melhores dos anos 70 – outra década bem interessante.
Uma das bandas que eu mais fiquei chateado de não ter visto ao vivo foi o System Of A Down, que acabou há cerca de 3 anos.
Ainda que eles tenham deixado excelentes álbuns (que eu continuo ouvindo até hoje), ficava sempre aquela sensação de que aquela química não voltará a acontecer. Eu disse: FICAVA.
No ano passado o vocalista Serj Tankian lançou o excelente “Elect The Dead”, que logo ficou entre os meus discos preferidos de 2007.
E quando eu menos esperava, surge mais fruto ainda melhor do System Of A Down, chamado “Scars On Broadway”. É o novo projeto do guitarrista Daron Malakian, que mostra claramente a sua grande contribuição no System Of A Down, com melodias fantásticas e letras inteligentes.
É raro acontecer isso, mas no final das contas, o System Of A Down deu ao mundo dois novos caminhos tão bons quanto o original. Atualmente o Scars é a minha banda preferida e – de longe – é o melhor lançamento de 2008.
Ouça: “Insane”, “Serious” e a ótima “World Long Gone”. Separei o vídeo de “They Say”, que é a (excelente) música de trabalho. É o rrrrrrrrrrrrrock, meninada…é o rrrrrrrrrrrrrock!!!
The Wombats
Liverpool é conhecida por ter pubs a cada esquina e por lançar novas e boas bandas quase que semanalmente.
OK, ok…talvez eu tenha exagerado na primeira parte dessa afirmação. Mas é impressionante a quantidade de bandas que saem de Liverpool e seus arredores.
A última que eu descobri – e que já é uma das minhas favoritas – é o “The Wombats”.
Na mesma trilha dos Arctic Monkeys, Art Brut, The Fratellis e Futureheads. Os Wombats fazem indie rock com pitadas de pop, ao alcance de todos os ouvidos. Se você quer começar a conhecer o estilo, joga no Limewire todas essas bandas que eu citei aqui e seja muito feliz, my friend.
Alkaline Trio
Muita gente começou a ouvir punk rock por causa dos Ramones. Eu não. Meu ponto de partida foi muito Social Distortion, um pouco de Bad Religion e doses generosas de Sex Pistols.
O punk rock espalhou-se pelos Estados Unidos, em vários locais – principalmente na Califórnia e em Nova York.
Só para estabelecer o meu ponto de vista, eu acho que o maior expoente do punk rock nos últimos 20 anos é o Green Day, de Berkeley, CA. Ninguém tem tanta veia para escrever sucessos como Billy Armstrong. Para mim, o Green Day está ao lado de uma lista muito seleta de bandas de rock, como o Foo Fighters e o U2. Dito isto, posso listar algumas outras que eu também gosto.
Blink 182 (e os filhotes Plus 44 e Angels & Airwaves), Offspring, MxPx, Dashboard Confessional, Jimmy Eat World, Relient K, Fall Out Boy, My Chemical Romance, NOFX e recentemente descobri o ótimo Alkaline Trio.
A banda foi formada há 11 anos na improvável Detroit. Já lançaram 6 discos e parece que estão começando a finalmente aparecer nos principais festivais do verão americano.
Eu já virei fã. Se você quiser conhecer, comece pela coletânea “Remains” ou pelo último disco “Agony & Irony”. Já pro torrent, camarada!
O especial Paralamas e Titãs representa a redenção dessas duas bandas que foram responsáveis por muitos dos meus melhores momentos na adolescência e que – artisticamente – estavam devendo (pelo menos para mim) há algum tempo.
Confesso que quando eu comprei esse DVD, na semana passada, eu fiquei pensando…acho que vou ver um show sem pressão, pasteurizado, um pastiche de bandas que eu tanto admirei pela vida. Uma espécie de lamento pelos melhores dias que se foram.
Eu me enganei feio.
Mas antes de falar desse show, quero falar dessas duas bandas.
Em 25 anos de estrada, eu vi apenas dois shows dos Titãs. Um em 86, num festival (acho que no Hollywood Rock) e o outro há cerca de dois anos atrás, no morro da Urca. Dos Paralamas – sem nenhum exagero – eu devo ter assistido pelo menos uns 30 shows. Sempre gostei muito mais de Herbert, Bi e Barone do que da trupe paulistana.
Hoje eu acho que poderia ter aproveitado melhor o tempo que todos os Titãs estavam juntos na ativa.
Imaginar uma banda de rock com Arnaldo Antunes, Nando Reis, Sergio Britto e Paulo Miklos é quase escalar um dream team do que poderia haver de melhor no pop rock brasileiro. Nando é um grande baixista e Sergio Britto um dos melhores vocalistas de rock que eu já vi. Arnaldo é um gênio das letras e da interpretação. Admiro também Paulo Miklos e do Branco Mello como compositores e vocalistas. Marcelo Frommer e Tony Belloto nunca me empolgaram como guitarristas. Bom o Tony Bellotto casou com a Malu Mader, o que lhe confere pontos preciosos. Mas isso é uma outra história. E tem também o Charles Gavin. Mas sobre esse, vou dedicar o próximo parágrafo.
Sempre achei o Charles Gavin um baterista que vivia na sombra do genial João Barone. Esse DVD serviu para que eu mudasse completamente de opinião. A economia de Gavin aliada à sua precisão deixaram o baterista dos Titãs em leve vantagem ao dividir o palco com o monstro Barone (que de vez em quando exagera nos pratos). Não que tenha havido um duelo, mas é inevitável a comparação. E deu Gavin na cabeça. Na Cabeça Dinossauro
Os Paralamas sempre foram a minha banda preferida. Sempre achei eles interessantes, porque além de sobrarem tecnicamente, passaram praticamente toda a carreira se reinventando. Ele mudaram de rumo várias vezes ao longo da carreira. Eles foram a única banda de rock (da minha geração) que foram exportados. Lotaram estádios pela América do Sul.
A biografia dos Paralamas que sempre foi muito rica, ganhou um capítulo especial com o acidente do seu lider, Herbert Vianna.
E depois de tudo que a vida lhe aprontou, nesse show Herbert voltou ao melhor de sua forma. Mesmo sem nunca ter sido um grande vocalista, ele sempre foi o band leader da principal banda de rock brasileira, um dos melhores compositores da minha geração e um guitarrista sensacional. Depois do acidente que quase lhe tirou a vida, em alguns momentos eu cheguei a ficar deprimido com todas as limitações que ele passou a ter que enfrentar. A voz piorou demais, ele passou a desafinar a entrar fora do tempo – além de perder completamente a sua mobilidade (que era uma de suas características mais marcantes em palco).
Foi assim em um show que assisti, logo depois do acidente. É mais ou menos assim que ele aparece no DVD duplo Uns Dias Ao Vivo, lançado há coisa de dois ou três anos. Eu cheguei a ficar constrangido. Cheguei a achar que seria mais nobre que ele pendurasse as chuteiras.
Lembro de um dia que eu estava esperando uma ponte aérea e me emocionei em vê-lo ali na minha frente, no meio de um aeroporto caótico, tendo que se esforçar para conseguir a tão devida prioridade no embarque.
Mas os ídolos não podem ser alvo de pena. E aquilo me fez muito mal, porque Herbert foi (e é) um dos meus grandes ídolos. Mas hoje eu estou feliz em vê-lo, enfim, recuperado do seu calvário. Herbert é o cara e merece todas as homenagens.
Vamos aos momentos altos do DVD:
A Novidade: uma das músicas mais batidas dos Paralamas ganhou uma versão linda, com o slide guitar de Bellotto (ok, aqui ele se saiu bem), o bandolim de Paulo Miklos e Sergio Britto ar-re-ben-tan-do nos vocais. Gilberto Gil deve ter se coçado em não ter participado da melhor versão já feita para a sua parceria com Herbert.
O Pulso: essa está escondida, nos extras. Dá a impressão de ter saído meio no improviso, mas saiu fantástica…com Arnaldo e Branco Mello detonando. Arnaldo dá uma aula de como interpretar rock cantado em português. Acho que seria bem interessante a sua volta para os Titãs.
Selvagem/Polícia: como é que pode cinqüentões fazerem punk rock dessa forma?? De novo, destaque total para o ótimo Sergio Britto.
O Beco: eu nunca imaginei que pudesse elogiar o Samuel Rosa. Acho ele chato. Acho Skank chato. Mas porra, ele cantou pra caramba, deu suingue para o reggae que os Paralamas do Sucesso criaram pelos idos de 88.
Marvin: excelente canção. Titãs e Paralamas parecem ser uma banda só. E, já que a noite permitia, eles deveriam ter chamado Nando Reis para tocar baixo e cantar. Mas ok…valeu!
Então é o seguinte: você que está lendo esse post, pode clicar AQUI e comprar. Aliás compre para você e também para quem você gosta. Em fase de pirataria digital, nada mais justo do que prestar essa homenagem aos nossos ídolos.
Esperei pra caramba o lançamento do disco novo do Weezer. Já se vão mais de 3 anos do lançamento de “Make Believe” e daquele show histórico do Weezer no Curitiba Rock Festival, como já contei aqui no Bullshitando.
O disco, apelidado de “The Red Album” é bom, mas não chega aos pés dos dois últimos. Talvez não seja páreo para nenhum de seus antecessores. Não tentem achar substitutas para “Hash Pipe”, “This Is Such A Pity”, ou mesmo para “Buddy Holly”. Para mim, o Top 10 das músicas do Weezer permanece inalterado.
Vamos ao meu difícil TOP 10 Weezer (tem mais umas 6 ou 7 músicas que não podiam ficar de fora):
1) Hash Pipe
2) This Is Such A Pity
3) Photograph
4) My Name Is Jonas
5) Don´t Let Go
6) Simple Pages
7) Island In The Sun Buddy Holly
9) Pardon Me
10) Dope Nose
Voltando ao assunto original…ainda que o disco esteja abaixo das minhas expectativas, existem bons momentos. O melhor deles é na música “Pork & Beans”, que tem um clip bem engraçado – usando (de verdade) os principais personagens de vídeos do youtube.
O Weezer sempre foi craque em fazer clipes memoráveis e aqui conseguiu manter essa média. Check it Out:
Outros destaques do disco, são as músicas “Dreamin’” e “Heart Songs”. A música que abre o disco (“Troublemaker”) também é bem legal, mantendo o estilão Weezer. Novidades mesmo são as três faixas que são cantadas pelos outros integrantes da banda. Isso já acontecia durante os shows, inclusive com troca de instrumentos (até o roadie entra no palco e assume a guitarra, enquanto Rivers Cuomo maltrata a bateria).
Dessas três músicas, eu gostei bastante de “Thought I Knew”, cantada pelo guitarrista. Mas não parece tanto com Weezer, talvez pela voz marcante de Brian Bell. Lembra um pouco o trabalho solo do John Frusciante (guitarrista do Red Hot Chilli Peppers). Talvez seja influência do Rick Rubin, que produziu esse disco do Weezer e é produtor residente dos RHCP.
“Cold Dark World” é cantada pelo baixista gente fina Scott Schriner. É bonita, mas não vai pro trono. O baterista Pat Wilson, que canta bem mesmo (pude conferir ao vivo), assumiu os vocais em “Automatic”, que de todas essas é a que mais lembra outras músicas do Weezer.
Para quem chega ao final dessa crítica que acabo de escrever, não deve ter entendido bem. Fico imaginando o leitor puto da vida, falando:
- Afinal de contas o disco é bom ou ruim? No começo você mete o pau e no final acaba elogiando mais da metade das músicas. Ô cara indeciso!
É, meu caro amigo…você tem toda razão. Bem vindo ao Bullshitando.
MIDNIGHT JUGGERNAUTS Eu me esforço para entender/gostar de música eletrônica, porque assim como sushi – é cool curtir música eletrônica e comida japonesa. Só que eu sou do rock e do churrasco.
São raras as exceções – e os australianos do Midnight Juggernauts fazem parte dessa minha pequena lista no iPod que tem Chemical Brothers, New Order, LCD Soundsystem, Gorillaz, Mark Ronson, 120 Days, Zero 7 e Cansei de Ser Sexy.
Caramba…não são nem 10 nomes. Bom, pra completar 10, eu incluo o Morcheeba e estamos conversados.
Maaas…voltando aos MJ…a banda começou com uma formação mais roqueira, tocando Ramones – e que aos poucos foi introduzindo elementos eletrônicos.
São 3 caras no palco: um baixo, uma batera e a tecladeira. Acho que isso já explica por que eu gosto do som deles. A bateria é de verdade e o baixo é de verdade. Se tivesse mais um guitarrista, era provável que eu gostasse ainda mais da banda.
O disco de estréia “Dystopia” acaba de ser lançado e tem umas duas ou três faixas bem bacanas. Comece pelo groove de baixo de “Shadows” e vá para a oitentista “Into The Galaxy” com o vocal no melhor estilo Bowie.
FLIGHT OF THE CONCHORDS Esse eu descobri naquele newsletter que o iTunes manda quinzenalmente. Achei o nome engraçado e resolvi pesquisar. São dois neo-zelandeses que fazem comédia de tudo, a começar pela definição do tipo de som da banda, feita por eles mesmos: “Formerly New Zealand’s fourth most popular guitar-based digi-bongo acapella-rap-funk-comedy folk duo”. Acho que não precisa nem traduzir, né?
A carreira deles começou nos palcos como “stand up comediants”. O sucesso em palcos de vários lugares do mundo, fez com que a dupla fosse bem sucedida também no rádio (BBC) e posteriormente em uma minissérie da HBO que já está indo para a sua segunda temporada.
See for yourselves eles botando pilha no David Bowie (de novo esse cara, no mesmo post)…
Aproveitando a oportunidade, faço um breve comercial de quem é o mestre nessa categoria “duo-folk-comédia”: não deixem de conhecer o trabalho do impagável Jack Black no “Tenacious D”. Já conheço o som deles há bastante tempo e selecionei a minha música preferida, a hilária “Fuck Her Gently”:
COURSE OF NATURE
Uma das subcategorias do rock que eu mais gosto é o grunge. Conheci Seattle no começo dos anos 90, quando surgiram bandas como Nirvana, Pearl Jam, Alice In Chains, Soundgarden, Screaming Trees, Temple Of Dog, Mudhoney, entre várias outras. Alguns anos mais tarde, surgiram bandas em outras cidades dos Estados Unidos que foram influenciadas por esse estilo. As mais famosas foram: Bush, Creed, Staind e mais no finalzinho dos anos 90 vieram o Puddle Of Mudd e o (chato) Nickelback.
Pesquisando na Amazon e na Last.fm, acabei esbarrando no “Course Of Nature”, como uma banda que é influenciada por algumas dessas bandas que citei acima. Fui pro torrent desesperado para ouvir essa novidade – e as referências são bem claras (principalmente do Puddle Of Mudd). São dois discos. Não consegui o primeiro disco, chamado Superkala, mas ouvi o último disco deles chamado “Damaged” e gostei.
O som que eu selecionei chama-se “Anger Cage” e é a música de trabalho desse último disco. Clica aí, porque o vídeo é bacana!
ROSE HILL DRIVE
Já escrevi aqui no Bullshitando a minha predileção por “power trios”. Acho que é uma formação bacana para o rock, porque cada instrumento fica nítido e cada um tem o seu espaço.
Os americanos Rose Hill Drive misturam o “stoner rock” com blues e rock dos anos setenta de uma forma bem concisa, sem muitas firulas. Dá pra dizer que eles fazem um rock dos anos 70 atualizado.
A história deles é simples – daquelas que todo mundo já ouviu falar. Dois irmãos entediados com a vida pacata no interior do Colorado resolveram montar uma banda de rock com mais um amigo da escola. Ao invés de sairem atirando nos colegas de classe, eles resolveram descontar a fúria nos seus instrumentos e fazer música de primeiríssima qualidade. Eu sei…eu sei…essa comparação foi meio infame, mas foi o jeito que eu achei para dizer que o rock é a solução para a juventude. Nada mais transgressor do que montar uma banda de rock e ganhar o mundo com letras e músicas decentes – e isso o Rose Hill Drive faz perfeitamente.
Descobri esses caras, porque eles andaram abrindo shows para o Black Crowes e para o Queens Of The Stoneage. O disco de estréia deles (Rose Hill Drive, 2006) é um tapa na orelha.
EARL GREYHOUND
Mais um Power trio com fortes influências dos anos 70, mas com uma história bem diferente do Rose Hill Drive.
Eles são de Nova York e não têm nada em comum entre si – a não ser o fato de serem moradores do Brooklyn.
A banda é formada por um negão batera (que deve ter vindo dos anos 70 mesmo, porque ele é mais velho), uma mulher endiabrada no baixo (também é uma negona que faz backing vocals fodidos) e o guitarrista loiro metendo bala em riffs e bridges bacanas.
Parece uma coisa meio misteriosa, porque é música de 35 anos atrás sendo lançada agora. Digo isso, porque categorizei-os como “Classic Rock” no iPod – o que também os diferencia do Rose Hill Drive. Ao invés de atualizar o som da década de 70, eles se teletransportam pra lá.
Um outro exemplo desse tipo de som bem na onda Led Zeppelin é o Wolfmother da Austrália. É discoteca básica e música de excelente qualidade.
Veja o vídeo abaixo da música SOS e quando ouvir o disco, também preste atenção na linda “Good” – que é 5 estrelas no rating do meu iPod.
HURT Essa eu poderia ter descoberto há mais tempo. Por alguma razão que não consigo explicar o “Hurt” fugiu do meu radar.
É uma banda alternativa, que ainda não estourou nas rádios americanas, mas que está no circuito há quase 8 anos.
A marca registrada deles é a dinâmica das músicas e o vocal no melhor estilo Hetfield (eles lembram mesmo o Metallica e o Tool). “Hurt” é uma banda com letras fortes e pra ser ouvida no volume máximo.
A banda tem três discos lançados. Eu achei os dois últimos, que são excelentes: (Vol 1 e Vol2). Pode baixar sem medo de ser feliz. Saca só esse som do segundo disco deles. Não sei se é a música de trabalho, mas é uma das que eu mais curti.
TOKYO POLICE CLUB
É claro que eles não são japoneses. Seria obvio demais, né…?
TPC é um quarteto canadense, de Montreal – que vem fazendo grande sucesso na internet. Soube que eles estiveram aqui no ano passado, para tocar no festival do Terra (Planeta Terra).
Merda…não pude ir. Se soubesse que esses estariam no lineup, teria feito mais força para ir. Rapture e Lily Allen não eram argumentos razoáveis. O Devo e o Kasabian até eram duas bandas que eu queria ver ao vivo, mas com certeza a melhor banda do festival era essa daí: Tokyo Police Club.
Eles foram a banda que eu mais ouvi no mês passado. Ainda não consegui baixar o disco novo deles, chamado “Elephant In Shell”. Se alguém tiver o link para esse torrent, por favor, passe por e-mail pra mim.
As três melhores músicas do EP “Lessons In Crime” que eu tenho são, nessa ordem: “If It Works”, “Nature Of The Experiment” e “Shoulders & Arms”.
O vídeo que eu selecionei é da molecada quebrando tudo no programa do David Letterman com a música “Nature Of The Experiment”. Imperdível.
ROCK KILLS KID
Terminando essa lista em alto estilo, os californianos “Rock Kills Kid”.
Assim como fiz com o Hurt, faço aqui o mesmo desabafo de não ter descoberto antes esses caras, que de vez em quando lembram o The Killers e Jimmy Eat World (duas das bandas que eu mais gosto). Como posso ter deixado escapar essa? Arghh!!
A música de trabalho do primeiro e único disco (lançado em 2006) é “Paralyzed”, que traz uns tecladinhos lembrando um pouco o The Cure.
É banda pra muitos anos e hits.
Um dos meus passatempos preferidos é descobrir novidades musicais.
Vou fuçando de todas as formas. Entro na Billboard, Allmusic, alguns blogs e sites. Também costumo pesquisar em quais discos os meus produtores preferidos estão trabalhando, fico esperto para trabalhos paralelos das bandas que eu mais gosto, e presto atenção com as bandas de abertura. De vez em quando alguns amigos aparecem com algo novo.
THE LAST SHADOW PUPPETS
Na semana passada o meu amigo Riba apareceu com o The Last Shadow Puppets – projeto paralelo do Alex Turner (Arctic Monkeys) e Miles Kane (The Rascals). Ouvi pouco e confesso que preciso ouvir um pouco mais para chegar a alguma conclusão. De qualquer forma, a primeira impressão é boa. Apesar da voz de Alex ser bem marcante, eu achei diferente do Arctic Monkeys. O som é mais pretensioso (no bom sentido) com algumas pitadas de western spaghetti (hein?) e cordas…muuuitas cordas. Sei lá se é isso mesmo…talvez o frio dessa semana tenha congelado os meus miolos. Vou ouvir mais vezes e possivelmente voltarei a falar sobre esse projeto por aqui.
DUFFY e as novas cantoras dos anos 60.
Estava navegando no site do Coachella, vendo o que rolou por lá na semana passada (puta dor de cotovelo) e baixei uma dezena de novas bandas. Ainda não deu tempo de ouvir tudo, mas entre essas eu descobri uma verdadeira pérola. Uma loirinha do País de Gales chamada Duffy (seu nome de batismo é Aimee Ann Duffy). Olhando para a foto, achei a menina com jeitinho de atriz pornô e fui conferir o som. Duffy é a reencarnação do melhor espírito Motown de cerca de 5 décadas atrás e a comparação com o som de Amy Winehouse é mesmo inevitável. Na Inglaterra ela está estourada: em fase de pirataria digital, já vendeu quase 1 milhão de discos.
Engraçado essa (excelente) fase de meninas branquelas cantando soul / pop / jazz como negras. É assim com Amy Winehouse, Joss Stone, Shannon Curfman, Madeleine Peyroux e Adele. Também preciso citar várias branquelas que cantam como branquelas mas que são ótimas e estão em altíssima rotação no meu playlist: Feist, Missy Higgins, A Fine Frenzy (muito gata), Kate Voegele, Tristan Prettyman, KT Tunstall e Sara Bareilles.
Mas eu gostei bastante da Duffy e busquei no Youtube a apresentação que catapultou ela para a fama, no sensacional programa de Jools Holland. Check it out.
Bom…hoje eu lanço essas duas novidades (e mais uma tonelada de referências). De repente ao longo desse feriado chuvoso, eu me animo a escrever sobre algumas outras boas descobertas, como Midnight Juggernauts, Flight Of The Conchords, Course Of Nature, Rose Hill Drive, Earl Greyhound, Hurt, Tokyo Police Club e Rock Kills Kid – entre outras.
Coisa bagarái, né? Anotou tudo? Então digita aí www.mininova.org e seja feliz.
• Foo Fighters: é a minha banda do coração e eles arrasam ao vivo. Quando vieram no Rock In Rio, eles tinham lançado o terceiro disco – e de lá pra cá tudo mudou.
• The Arcade Fire: aquela apresentação no TIM Festival não me sai da cabeça. Tive que escolher entre eles e Weezer. Optei pelo The Arcade Fire, mas isso pode mudar (toda lista tem uma parte mais “volátil”).
• The Cure: no meio dos anos 80 eles vieram e arrasaram. Estiveram perto de voltar. Algum dia desses vai rolar. E eu vou cantar da primeira a última música.
• Hoodoo Gurus: eu sempre vou querer ver o Hoodoo Gurus, uma das minhas bandas queridas.
• U2: alguém cansa de ver o U2 em ação?
Os 5 shows que eu ainda não vi e que preciso ver de qualquer jeito:
• Rage Against The Machine: no Coachella parecia que seria oportunidade única, mas eles estão em uma turnê bem sucedida pela Europa. Se vierem pro Brasil, é sold out!
• The Killers: eu não me perdôo por não ter ficado para o show deles no TIM do ano passado. Tava tarde, eu estava cansado, tinha reunião no dia seguinte bem cedo. The Killers foi a grande banda do ano passado.
• Green Day: outro dia li uma declaração do Rick Bonadio que me deixou meio puto. Ele meteu o pau no Foo Fighters e disse que o Green Day é muito melhor. Não vou nem discutir isso, mas eu sou doido pra ver um show do Green Day – que é a única banda que eu considero como herdeiros dignos dos Ramones.
• Amy Winehouse: ela é fabulosa – e é espetacular ao vivo. Mas tem que ser rápido, porque essa não deve durar muito.
• Pearl Jam: é eu confesso que perdi esse show. Eu cheguei na porta, tinha VIP Pass prometido e o cara sumiu na hora H. Também não consegui comprar na mão de cambista e voltei puto pra casa. É um trauma grave, que preciso reparar. Os 5 shows que bem que poderiam vir pro TIM Festival desse ano:
• Violent Femmes: eu sempre fui viciado em Violent Femmes – e os shows deles são fabulosos.
• Garbage: Shirley Manson é demais. A banda também é foda. Outro dia vi um vídeo no Youtube do Garbage em ação e achei fantástico – foi direto pro meu wishlist.
• The Raconteurs: escrevi sobre eles nessa última semana. E, não sei por que, mas tenho um pressentimento que esses devem estar nos planos da Dueto para o festival desse ano, junto com o ótimo Gnarls Barkley.
• Kaiser Chiefs: da nova leva de bandas, essa é uma das minhas preferidas. Mas pode ser também o Maxïmo Park ou o Bloc Party, que eu ficarei bem feliz.
• Snow Patrol: eles são os queridinhos na Europa. E deve ser um showzaço mesmo.
Mais 5, vai…
• Queens Of The Stoneage: é um show de alta voltagem, preciso…muito foda. Não canso de ver esse DVD.
• Serj Tankian: infelizmente eu não consegui ver System Of A Down. Mas vou ver esse daí amarradão!
• Silversun Pickups: duvido que venham para o Brasil. Se vierem é bem possível que seja um show para apenas 50 pessoas, mas eu não deixo de ir nesse daí por nada!
• Stereophonics: eu não sei por que ainda não escrevi sobre essa banda aqui no Bullshitando. Eu AMO Stereophonics! Os reis da melodia – se eles não são a melhor banda da Inglaterra, com certeza são muito melhores do que o Oasis. Ok…Ok…eu sei que eles são do País de Gales, mas bons posts precisam de alguma controvérsia!
• Foo Fighters: eu sei que já botei em uma outra lista, mas nunca é demais pedir…
Eu sempre fiz a maior força para gostar do White Stripes.
É cool gostar de White Stripes e existem um monte de razões para isso.
Eles são alternativos até o caroço. Não são um quinteto, um quarteto ou mesmo um clássico power trio. Eles são um improvável duo de rock. Não são dois compositores, eles levam esse formato para o palco, com suas carências e vazios naturais, sem direito a overdubs e samples eletrônicos.
Aumentando ainda mais o magnetismo…eles são um par. Um cara e uma menina que vivem longe do mainstream. Dizem que são irmãos, mas já ouvi dizer que tem algo mais entre os dois. O que gera mais curiosidade. Rock é subversão, porra!!
A menina Meg é baterista, introspectiva, contida. Ela não está nem nunca esteve no foco dos paparazzis, ela não freqüenta os red carpets e não passa recibo. Jack White é guitarrista, tecladista, vocalista, multimídia, compositor explosivo, diz que não gosta dos holofotes, mas vive no olho do furacão.
Cenário perfeito.
Mas então o que falta?
Música.
Com raríssimas exceções, a obra do White Stripes é chata e previsível. É uma viagem egocêntrica de Jack White, que é um bom guitarrista, mas que vive em crise de identidade, querendo provar que é mais do que realmente é.
Já tinha desistido do White Stripes, quando no começo do ano passado conheci “The Raconteurs”, que é a parceria de Jack White com o bom Brendan Benson (ouça o disco dele “The Alternative To Love”).
A princípio parecia ser uma banda de estúdio, sem maiores pretensões – apesar das ótimas composições do disco de estréia “Broken Boy Soldiers”. Jack White não parecia ser o tipo de cara disposto a largar o seu trabalho próprio para dividir as luzes com um outro (ou com outros músicos). Cheirinho de truque de uma gravadora.
E eu errei feio.
Nesse último final de semana eu ouvi o bootleg (não oficial) gravado no final de 2006 no Apollo Theater, em Manchester. Excelente. Surpreendente. É uma pena que Meg, a coelhinha baterista não esteja lá (mas musicalmente isso não faz a mais puta diferença, porque o batera do Raconteurs é muito bom).
Jack exagera, é verdade. Mas ao lado de Brendan Benson, a coisa funciona muito bem.
Vazou o novo disco deles na web. Ainda não tive a oportunidade de ouvir. Assim que fizer isso, complementarei esse post.
Fui.
04/abril/2008
Eu fiquei devendo uma satisfação sobre o disco novo do Raconteurs, né?
Então…
“Consolers Of The Lonely” é realmente diferente do primeiro disco. As principais novidades são pitadas de country, tem umas baladinhas e até naipes de metais em uma ou duas músicas.
Mas o que eu mais gosto são as músicas mais nervosas, como “Five On The Five”, “Attention” e “Hold Up”. A faixa de abertura também vale à pena. Chama-se “Salute Your Solution”.
Raconteurs é uma banda de rock clássico, com claras referências aos anos 70 – e ainda assim soa moderna, capaz de ser a grande tendência do rock para esse ano de 2008.