
Recentemente vi as duas temporadas de “Californication”.
O seriado conta a errática história de um escritor decadente vivendo a meia idade, que fez grande sucesso ao escrever um livro chamado “God Hate Us All” e dali em diante passou a viver os excessos da fama e fortuna e que com isso, acabou arruinando o seu casamento.
Moody passa o tempo todo oscilando entre a vontade de recuperar a sua família, mas não resiste a um “rabo de saia”. Viciado em sexo, bebida, drogas e rock n roll, ele não consegue escrever nenhuma linha do seu novo livro e apronta toneladas de confusões.
Obviamente trata-se de um drama, mas o estilo do personagem canastrão e inconsequente, faz com que Californication seja uma série hilária do primeiro ao último minuto.
Conforme assistia a série, não conseguia esquecer de dois escritores que provavelmente inspiraram bastante o diretor Tom Kapinos a criar o personagem central: Charles Bukowski e Hunter S. Thompson.

Bukowski foi um escritor alemão, que fez grande sucesso escrevendo sobre obscenidades, bebedeira e violência. O sucesso de Bukowski foi bem tardio (muito depois dos 40 anos de idade). Por essas e por outras ficou conhecido como “velho safado”. Ele escrevia em prosa e verso sobre a sua própria vida com prostitutas nos becos sujos de Los Angeles, em uma época que a sociedade ainda tinha valores diferentes (começo dos anos 60).

Mais ou menos na época que o “velho safado” começou a fazer sucesso, surgiu o jornalista Hunter Stockton Thompson, que é tido como o lançador da literatura “Gonzo”, onde ele envolvia-se pessoalmente nas suas histórias e narrava em primeira pessoa episódios recheados de brigas, bebidas, armas, mulheres, drogas, etc.
Seu primeiro sucesso foi quando – a pedido do editor da revista Rolling Stones – envolveu-se com os Hells Angels e escreveu uma história recheada de contravenções nas estradas da California. Logo na seqüência, no começo dos anos 70 veio o “Fear And Loathing In Las Vegas”, que foi o seu livro mais vendido e consagrou-o para o grande público, em um momento onde o assunto “sexo/drogas” deixava de ser um tabu para as pessoas.
Hunter Thompson suicidou-se em 2005 e a sua nota de despedida, mostrava com clareza o seu estilo cru e quase insensível de viver:
“No More Games. No More Bombs. No More Walking. No More Fun. No More Swimming. 67. That is 17 years past 50. 17 more than I needed or wanted. Boring. I am always bitchy. No Fun — for anybody. 67. You are getting Greedy. Act your old age. Relax — This won’t hurt.”
Qualquer dia desses eu volto a escrever sobre esses loucos adoráveis aqui no Bullshitando.















